Doria muda discurso e diz que PSDB escolhe aquele que “a população desejar”


Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil
 
Jornal GGN – Já absorvendo os boatos de que uma candidatura ao Planalto em 2018 guarda lugar para os nomes emergentes, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), mudou discretamente o seu discurso ao ser questionado sobre a disputa presidencial. Em Nova York, ao invés de manter o tom de apoio a Geraldo Alckmin, governado do Estado, como o escolhido pelo partido, disse que o postulante que concorrerá pelo PSDB será “aquele que a população desejar”.
 
Dessa vez, o padrinho político Geraldo Alckmin não foi mais a prioridade do empresário que governa a capital paulista. O nome do governador foi abafado como o potencial nome do PSDB para 2018, desde que as delações da Odebrecht recaíram sobre ele e outros caciques do partido em São Paulo, por acusações de recebimento de propinas e caixa 2.
 
E as pesquisas mostram que 3 ponto percentuais são decisivos no contexto de uma pequena minoria. Enquanto João Dória atinge 9% das intenções de votos, Alckmin obtem apenas 6%.
 
Ainda que vem sendo cada vez mais cotado pela sigla a disputar a Presidência em 2018, inclusive pelo próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o prefeito preferiu não se apresentar como possível candidato. Ainda mantem uma leve discrição, após os rumores darem conta de que o apadrinhado poderia ultrapassar o padrinho na carreira política.
 
Em um café da manhã promovido pela Fundação Getulio Vargas, com investidores e empresários em Nova York, Doria chegou a ser aplaudido de pé e se apresentou como um gestor com experiência empresarial, adotando o discurso praxe que garantiu a sua vitória na capital paulista, ao supostamente distanciar-se da “velha política”. Disse a sua platéia que pretende levar princípios da iniciativa privada à administração pública.
 
O ex-presidente do Banco Central, Carlos Langoni, chegou a elogiar o pensamento do tucano, em defesa de uma menor participação do público na economia, o que chamou de Estado “minimalista”, que a seu ver é a “renovação política” em curso no país.
 
Também em Nova York, o governador Geraldo Alckmin falou a investidores, em um almoço em Wall Street, sobre um programa de privatizações, concessões e parcerias no Estado. De forma direta, disse estar “preparado”, com “vontade, agenda, programa, aliança e conhecimento” para a disputa ao Planalto.
 
No final do dia, Doria e Alckmin se encontraram em outro jantar com empresários. Na ocasião, o prefeito ressaltou a sua “lealdade ao governador Geraldo Alckmin”. “Doria é um bom companheiro. (…) Ninguém vai conseguir nos distanciar. Estamos fazendo uma grande sinergia em benefício da população”, disse o governador, negando o conflito já visível na esfera política do PSDB.
 
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