Organizações religiosas, pastorais, movimentos sociais e entidades ligadas à defesa dos direitos humanos divulgaram, no sábado (17), uma nota pública em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026. O documento associa a escolha eleitoral à defesa da soberania nacional, da democracia, da proteção ambiental e das políticas públicas voltadas à população mais vulnerável.
Intitulado “Pela soberania brasileira, por nossa Casa Comum, pela vida e pela democracia”, o manifesto afirma que o país atravessa um momento decisivo e critica o avanço da extrema-direita, que, segundo os signatários, ameaça o pacto social estabelecido pela Constituição de 1988. Para as organizações, a disputa eleitoral não se limita à escolha de um projeto de governo, mas envolve a preservação de direitos sociais e das instituições democráticas.
O texto defende que a soberania nacional deve ser compreendida para além da independência política, abrangendo áreas como alimentação, saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. As entidades argumentam que o Brasil precisa fortalecer a produção nacional de vacinas e medicamentos, ampliar a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e garantir autonomia sobre seus recursos naturais e dados digitais.
O manifesto também rejeita a possibilidade de o país se submeter a interesses estrangeiros na exploração de suas riquezas e na gestão de informações. Entre os pontos destacados estão a defesa do pré-sal, a proteção de recursos como água, lítio e nióbio e a manutenção de uma atuação independente do Brasil no cenário internacional.
Combate às desigualdades
Outro eixo central da declaração é a defesa do meio ambiente. Inspiradas na encíclica Laudato Si’, do papa Francisco, as organizações afirmam que as crises ambiental e social estão interligadas e devem ser enfrentadas conjuntamente.
O documento defende a preservação da Amazônia e dos demais biomas brasileiros, a proteção das águas e a garantia dos direitos dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. As entidades também reivindicam demarcação territorial, respeito e reparação para populações historicamente responsáveis pela preservação dos territórios.
Na avaliação dos signatários, a defesa dos direitos socioambientais não pode ser tratada como uma pauta secundária, pois está diretamente relacionada às condições de vida das gerações atuais e futuras.
Direitos sociais
Ao justificar o apoio à candidatura petista, o manifesto afirma que o projeto representado por Lula prioriza o combate à fome, a geração de empregos, a valorização dos salários e o fortalecimento da saúde, da previdência e da educação públicas.
As organizações também destacam a necessidade de políticas voltadas a grupos historicamente marginalizados, como pessoas negras, mulheres, povos originários e moradores das periferias. O documento defende ainda uma concepção de trabalho associada à dignidade e aos direitos sociais, em oposição à sua redução a uma mercadoria.
Na área política, os signatários contrapõem a defesa da participação democrática, do diálogo e da verdade ao que classificam como uma estratégia de disseminação do ódio e da desinformação pela extrema-direita.
A nota ressalta que cada cidadão deve decidir seu voto de acordo com a própria consciência e rejeita o uso da fé como instrumento para impor escolhas políticas. Ao mesmo tempo, sustenta que organizações religiosas e sociais não devem permanecer em silêncio diante do que consideram ameaças à população vulnerável, à independência nacional e ao meio ambiente.
“Votar em Lula no segundo turno é, portanto, traduzir valores em políticas públicas”, afirma o documento, ao defender que a vida e a dignidade humana devem prevalecer sobre o lucro, a exclusão e a violência.
Ao final, as entidades concluem que, diante das alternativas apresentadas no segundo turno, a reeleição de Lula representa a possibilidade mais consistente de preservar a democracia e o Estado de bem-estar social.
Entidades
A declaração reúne organizações de diversas partes do país, entre elas a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), a Comissão Justiça e Paz de Brasília, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Pastoral Carcerária, o Movimento de Educação de Base (MEB) e o Movimento Nacional Fé e Política.
Também assinam o documento comunidades eclesiais de base, pastorais ligadas à ecologia, à juventude, aos trabalhadores e à população em situação de rua, além de coletivos de direitos humanos, associações comunitárias e entidades de economia solidária.
Entre os signatários estão ainda a Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara, a Pastoral da Ecologia Integral de Canoas (RS), o Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras, a Associação de Mulheres Maria Felipa, na Bahia, e o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, em São Paulo.
O manifesto foi divulgado em Brasília, em 17 de outubro de 2026.
Leia o manifesto na íntegra:
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