Entrevistas BRD, N&P, Pi (π): João Amoêdo, por Rui Daher

 

Entrevistas BRD, N&P, Pi (π) – 1. JOÃO AMOÊDO – 01.09.2018

Por Rui Daher

Patrocínio: Mark Zuck Tools & Co. Ltd.

Apoio de conteúdo: Conselho Consultivo do “Dominó de Botequim” (Darcy Ribeiro, Ariano Suassuna, Luiz Melodia, Walther Moreira Salles, pai).

Apresentação: Rui Daher, Nestor “Vai-Vai”, João Rangel Pestana.

Fotos: Esmo Imagens

– Bom dia, leitores e leitoras. Antes de iniciar nossa entrevista, a ver o que tem sido feito em emissoras de TV, nossas regras para o tempo de expressão assim seguirão: as perguntas não poderão exceder 250 caracteres (com espaços) e o candidato (se ele assim o desejar) não poderá passar do limite de 500 caracteres.

 – Bom dia, candidato João Amoêdo.

– Bom dia, que a luz do sol ilumine os exercícios físicos, jogos de esportes, e a vida saudável em todo o território nacional, como a de nós banqueiros. Eu, por exemplo, levanto cedo e pratico triatlo em Ipanema, daí vem meu mérito e a ideia de fundar um Partido Novo que defenda os meritocráticos direitos de se ganhar fortunas sem que isso nunca seja ameaçado por doutrinas socialistas, e mais valha, não valia, o esforço dos trabalhadores brasileiros que precisam aumentar o índice de produtividade, estudando, qualificando-se mais, e …

– Candidato, o senhor já esgotou seus caracteres. Pergunta: Declarações apresentadas apontam-no como o de maior patrimônio. Nas pesquisas, a preferência dos ricos é sua. O Brasil está em situação econômica difícil. Em caso de vitória, o senhor e seus acólitos estariam dispostos a cobrir o déficit fiscal do País”?

– Evidentemente não. Por sermos um Estado laico a ele cabe a tarefa. Assim não fosse, claro, pediríamos ajuda a Deus, que muito nos deve pelo índice que constituímos de crentes Nele, seja em qualquer das fés cristãs ou não, teríamos divindades prestes a nos ajudar construir o Novo.

– Não nos referimos a tirar de seus bolsos ou mesmo de suas contas em paraísos fiscais. Mas, quem sabe, a exemplo de outros países capitalistas, algo como tributos sobre patrimônio, herança, rendas financeiras?

– Impossível! Nossa carga tributária já é excessiva. Nosso lema é o seguinte: “Todo poder à burguesia”. Ela é culta, esclarecida e meritocrática. Algo antibonapartista de quem a ignara plebe ainda não sabe nem a cor de cavalo. No Partido Novo, somente são aceitas pessoas, mediante entrevistas para avaliar proficiência, prova escrita e R$ 600,00 para mostrar não ser um pé-rapado. Liberais. Por que o Estado, se não o mercado, deveria intervir em defesa das minorias?

– Desculpe-nos, candidato. Minorias? O senhor está se referindo a que porcentagem da população brasileira? 90 ou 99%?

– Tanto faz. Refiro-me àqueles que estudaram e venceram na vida por mérito, não a quem se dedica a comparecer às arquibancadas e gerais para assistir qualquer pobre jogo de futebol no Brasil, enquanto em nossas televisões de plasma, 40 ou mais polegadas, podemos assistir aos campeonatos europeus, verdadeiras obras de arte.

Foi quando Nestor, na bancada, me cutucou: “não aguento; vou foder!”

– Manda ver.   

– Cito aqui estudo da organização britânica OXFAM que mostra a parcela mais pobre da população gastando 32% de sua renda em tributos, enquanto o topo da pirâmide contribui com 21% dos impostos de forma decrescente, pois beneficiados por isenções fiscais. É justo?

– E o que é justo, caros jornalistas? Vejam os governos Lula e Dilma. Querendo ajudar a todos, quebraram o País. Para isso criei o NOVO. Primeiro, todos os pobres ajudam a economia com seus trabalhos, depois vemos o que de NOVO podemos fazer.

– Entendi. Seu partido é o número 30, certo?

– Para a vitória!

– Isso significa que o Novo não acredita em ninguém com mais de 30 anos, exceção ao senhor?

– Ganhei a experiência do capitalismo produtivo.

– Bom o senhor tocar no assunto. Seus ancestrais, foram donos de quase todas as terras do bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro, mantidas sob efeitos cartoriais e influência. Concorda? Não sobrou nadinha?

– Não é verdade! Fui bancário, pratico esportes, sócio do Itaú por confiança do Candinho.

– Lembre-se de José Antônio Moreira, o Conde de Ipanema, fundador da Villa, em 1894.  Ou da página 8 do Diário Oficial da União, 9/02/1894, que validava direitos de posse na 3ª secção, aos Dr. Joaquim Saldanha Marinho, Dr. José Arthur Farme de Amoedo, e outros.

– O passado não importa. Sou claro: “Somos a favor da privatização total. Petrobras, Caixa, Banco do Brasil. Esse o hoje!”.

– Candidato, o senhor diz que “a valorização do salário mínimo não deve ser por caneta, mas por uma política de aumento da produtividade, senão fica insustentável e cria rombos como os atuais nas contas públicas”. Também nas aplicações financeiras e nas taxas cobradas pelos bancos?

– Vocês misturam tudo. Assim me atrapalham e não consigo apresentar o NOVO.

Volta Nestor.

– O senhor não admite porra nenhuma sobre desigualdade social no País. A rua Farme de Amoedo tem esse nome em homenagem a José Arthur Farme de Amoedo (1823-1878), português que chegou jovem ao Brasil com a família. Estudou no Colégio de São Bento. Casou-se com Dª Maria Luiza da Silva, e aí começou deixando rica descendência e larga extensão de terras, onde hoje fica Ipanema.

 – Isso é muito antigo, caro jornalista.

– Verdade, mas ajudou em sua meritocracia junto aos Banco Itaú e BBA?

– Fui funcionário dos Bracher.

– Então tá. Aqui, somos pluralistas em matéria de política e de costumes sociais. Totalmente abertos. Resta-nos parabeniza-lo por, em Ipanema, no Rio de Janeiro, ter feito da Rua Farme de Amoedo, com todos os sinais que seus seguidores possam admitir, o principal centro LGBT do Rio de Janeiro. Frequenta?

– Absurdo! Me retiro.

– Quem o próximo?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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20 comentários

  1. Não tinha aquela série dos

    Não tinha aquela série dos anos 70, “O Homem de Seis Milhões de Dólares”?

    Pois é. Hoje temos outro “biônico”: “O Bancário de 425 Milhões de Reais”.

  2. Voto censitário

    Entre as funcionalidades do Facebook, está a possibilidade de recuperar diariamente as postagens antigas através da opção “Lembranças”. Eis uma de 2012, muito oportuna, do seu amigo Bob Fernandes, que te levou para o Terra Magazine. Acho que o candidato objeto da entrevista conta com esse recurso multiplicador para vencer a eleição: 1 x 10: 

    Bob Fernandes

    30 de agosto de 2012

    Jantava há pouco com minha amiga Marcia na Vilaboim. Um professor aposentado do Mackenzie conversava sobre as recentes pesquisas eleitorais de São Paulo com o garçom. Até que, de repente, o professor explicou: “…mas veja bem, um voto nosso, de alguém daqui de Higienópolis, vale por dez votos de vocês do resto da cidade…”

     

  3. taxi

    Ai o torista do taxi phalou:

    Vou votar no Jão A moéda. Esse já é rico, não precisa roubar.

    Imediatamente o motorista komunista do ponto de taxi “Parada Total”  veio com sua philosofia bolivariana: Cê acha que esse tal Jão vai governar para você que é pobre pé rapado ou para os banqueiros como ele? Se liga mermão!

  4. Candidatura do tipo “ação entre amigos”

    O sujeito aqui citado (não me interessa repetir o nome, para não popularizar), fez carreira entre os seus pares, amigos e colegas de negócios. Hoje, enriquecido nesta vertiginosa carreira, os seus companheiros de caminhada, correndo risco de perderem perante as próximas eleições, cobram dele a responsabilidade de fazer algo – em nome da turma – para preservar o ambiente onde todos eles têm ganhado dinheiro. Do tipo: é a tua vez, a gente te ajuda desde aqui fora.

  5. O ‘NOVO’ JÁ NASCE MORTO DE TÃO VELHO

    Falando nisto, alguém sabe se tem novidades sobre o caso da PM Juliane? E da Vereadora Marielle? Uma festança televisiva de Willian e Renata, na Inquisição JN, todas noites a respeito do Governo Fluminense de Ségio Cabral, enquanto vai se engavetando e prescrevendo toda Rapinagem Tucana, de ‘esquecidos’ Casagrande, Picolé, Serra e sua Filha, FHC, Aécio, a Irmã, Toda Família e a poeira que vem junto, Paulo Preto, um tal Coronel amigo dos Donos do Porto de Santos, Temer/OAB e Covas Capitania Hereditária e toda poeira que vai junto para a Europa. Isto quando o FBI não avisa que já está sabendo sobre a “mercadoria”.  40 anos de Redemocracia. Falar o que? Obrigado pelo “Espetáculo” que vocês nos proporcionaram.  

  6. O Novo Partido dos Banqueiros

    Rui, o “candidato” João Dionísio, o Amoedo no lugar do Dionísio é coisa nova de marketeiros, era do segundo escalão dos executivos e assessores de confiança dos banqueiros e foi designado para ser o CEO do partido que gestaram nas entranhas da Casa Das Garças, em 2011, prevendo a fadiga de material do PSDB, de forma que no momento certo substituiria-o.

    Registraram o partido em 2015 e quem participou da estruturação ideológica do NOVO Partido dos Banqueiros, não foi Dionísio, mas sim garças mais carimbadas e versadas nesse negício bancário da política, Arminio Fraga, Edmar Bacha, Gustavo Franco, etc.

    Escondem hoje essa origem, pois sabem e fogem, como o diabo da cruz e banqueiros de impostos e responsabilidades sociais, que o partido seja identificado como sendo o NOVO PARTIDO DOS BANQUEIROS, o que devemos a partir de agora divulgar para que o Brasil não seja governado diretamente por esses predadores. 

  7. bom post.

    Como eu já suspeitava. Um defensor da meritocracia com uma longa tradição dinástica de previlégios.

    Todos nós sabemos como se criaram e se mantiveram essas fortunas…

    Alguem tem que eXplicar ao candidato que PREVILEGIOS não é sinonimo de MÉRITO!

    E  pensar que vários conhecidos meus estão “entusiasmados” com o candidato!

  8. Perguntei pra minha esposa

    Perguntei pra minha esposa aqui que de vez em quando dá uma olhada no fasciburro do Novo, se ela já tinha lido alguma crítica aos cartòrios no Brasil lá e ela disse que nunca.

  9. Amoedo: um drenador de votos de Alckimin e outros neoliberais

    Eleitoramente dizendo, não faz o menor sentido a esquerda querer pegar no pé do “bancário” Amoedo, na medida em que é inócuo a ameaça que esse candidato poderá ter sobre os progressistas ou esquerdistas (Haddad, Ciro, Boulos ou Vera Lúcia do PSTU).

    Fato é que o “bancário”-postulante a presidente da República, um ex-empregado celetista do Banco Itau-BBA, compete por votos da elite liberal-burguesa brasileira e dos seus sempre subordinados imediatos médiclassistas (alto e baixo) urbanos – a “massa popular” dos camisas verdemarela das jornadas de 2013-2016. O fato concreto é que o “bancário” é um potencial drenador de votos do PSDB Alckmin e,  ou do Podemos-PSC, da dobradinha Álvaro Dias-Rabelo de Castro e do candidato do governo, Henrique Meirelles.

    É sabido que parte dos correligionários e apoiadores do candidato-bancário andam rancorosos, nas redes sociais, com potenciais eleitores deste, pois, se de um lado, declaram simpatia à ideologia gestão-meritocrática-privatista, por outro lado, dizem que votarão no tucano por puro “pragmatismo”, afinal, o “bancário” tem Ibope baixo. Não à toa que os apoiadores do Sr. Amoedo exigem a participação dele nos debates televisimos, a despeito do baixíssimo potenciacl de votos. Afinal, para eles, este canditato “é diferenciado”. 

     

  10. “Saida do armario”

    Tenho a impressão que estamos num momento “saida do armario” dos picaretas/canalhas no nosso pais…..

    é um tal de herdeiro “inchar o peito” pra falar de “meritocracia”…….

    de grileiro, cheio de moral, reinvidicar o “sagrado” direito à propriedade….

    juiz do supremo “defendendo com unhas e dentes” as vantagens e beneficios da tercerização total(para nos, os mortais), tendo se “auto concedido” um aumento dias antes e tendo como o pior pesadelo da profissão, ser aposentado compulsoriamente com vencimentos integrais………para nos, pobres mortais, ser aposentado compulsoriamente com salario de juiz é tipo ferias pagas pro resto da vida…….algo como ganhar na loteria…..

    Tenho uma proposta para o proximo governo progressista…..criar um imposto(pesado) sobre a “cara de pau”…..vai arrecadar uma fortuna……

     

    • Jackson,

      está doendo muito o que está acontecendo. A cara de uma nação, hoje em dia, de pau, diferente do pau de quando foi descoberta pelos portugueses e habitado por valorosos indígenas.

      Brinco nos textos, mas a alma chora.

      Abraços

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