Evangélicos querem Crivella presidente e bancada de um terço da Câmara em 2018

Jornal GGN – Depois de chegar ao poder numa cidade do porte do Rio de Janeiro com Marcelo Crivella, os evangélicos agora se unem para emplacar um candidato a presidente em 2018 e eleger, no mínimo, uma bancada do tamanho de um terço da Câmara, com 150 deputados federais.

Segundo informações do Painel da Folha desta terça (1/11), “Crivella pode ser a aposta de líderes evangélicos para a disputa presidencial de 2018, nem que seja para testar seu nome no eleitorado nacional.”

“Chegará o momento em que o Brasil terá um presidente evangélico. É natural”, diz o bispo Robson Rodovalho, presidente da Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil e coordenador de candidaturas pentecostais e neopentecostais de diferentes denominações para formar a base desse projeto político.

Rodovalho ganhou espaço na mídia, no mês passado, por ter pressionado pessoalmente o presidente Michel Temer e seus ministros para que financiamento de bancos públicos sejam liberados para as igrejas.

Segundo a Folha,  Rodovalho acompanhou, nessa eleição, 100 candidatos evangélicos, entre prefeitos e vereadores, e conseguiu eleger 62 deles. “Hoje Universal e Assembleia de Deus caminham juntas em nome de um projeto maior.”

“O projeto de poder é sermos representados e que vejam que a igreja evangélica tem como contribuir com grandeza e altruísmo”, disse, ao citar a intenção de aumentar a bancada evangélica na Câmara.

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25 comentários

  1. Em tudo na vida há de se ter

    Em tudo na vida há de se ter sorte,até para comentar.É o meu caso,daí os cadastrados daqui,em verdade um aglomeração de amigos a papoucar estrelas a torto e a direito,salvo honrosas execções,não vão nem um pouco com meus comentarios,detentores de dois males.Serem bem escritos e baseados na verdade factual.Voltemos a sorte.Uma cadastrada que atende pelo codinome de Emma,estaria mais adequada no Partido Verde por motivos obvios,que no incrivel exercito de Brancaleone de Dilma Roussef,apareceu para me agredir,ainda que levemente.Esculhambou gratuitamente meu comentario,e me transportou através do Tunel do Tempo,para o seculo XVII.Como de costume,dou uma espiadinha nos textos do blog do meu amigo Nassif,e para minha sorte e azar dela me deparo com essa perola”Evangelicos querem Crivella presidente e bancada de um terço da Camara em 2018″.E agora Da.Emma,o que fazer?Eu não teria maiores problemas,visto que,já habito o seculo XVII,segundo a senhora.Vou lhe presentear com um ditado popular,tão antigo quanto os oculos de Nassif.Reza a lenda,”sabedoria quando é demais,vira bicho e engole o dono”.Se duvidas tiver quanto a veracidade do ditado,procure a Rede Globo e o Juiz Sergio Moro,se a razão,mais uma vez não me acolhe.
     

    • A frase final do comentario

      A frase final do comentario acima deve ser lida desse forma:Procure a Rede Globo e o Juiz Sergio Moro,quando constatara,se a razao mais uma vez nao me acolhe.

  2. E LA NAVE VA

    Embora 50% dos brasileiros não tenham comparecido às urnas por lhes faltar um candidato empolgação (voto branco, voto nulo, abstenção, não registro como eleitor que é meu caso + de 70), colhi os seguintes depoimentos:

     

    Aécio Neves – o povo decretou o fim do PT

    Moreirinha Franco – o povo apoiou o governo Temer

    Temer, o Próprio – o povo disse que não houve golpe.

     

    Enquanto isso os Evangélicos se unem para tomar o poder: primeiro a Presidencia da República com esse manequim, ao mesmo tempo um terço do congresso, daí é nomear os novos Ministros do Supremo (que com a Lei da Bengala transferiram para depois do fim do governo atual).

    E quando os que não votaram começarem a se manifestar?

     

  3. Meu Deus…
    Não assumiram nem

    Meu Deus…

    Não assumiram nem a Prefeitura do Rio e já sonham com o Palácio do Planalto!!!!!

    Calma.

    Vejamos como será uma administração com oposição total da Rede Globo (na verdade já presenciamos isso e sabemos o resultado).

     

  4. impressionante

     

    “Pé de pato mangalô treis veis”,

    A vitória não pode surpreender a ninguém, pois a turma do Crivella estava na fila há anos para vencer uma majoritária.

    O evangélico aproveitou a ausência de um adversário com um partido político que se mostrasse minimamente competente para a disputa, enquanto ele carregou os votos de toda a IURD e de mais alguns católicos, impressionante.

    Se querem o prefeito carioca como candidato a presidente em 2018, em primeiro lugar é preciso ter certeza de que haverá eleição direta em 2018, e quanto os 172 ocupando espaço na Câmara, sonhar não custa nada.

    Eu só estou por aqui por absoluta falta de condições para sair daqui, mas com um evangélico no trono me mando para o Haiti. ECunha já foi suficiente.

     

    • Respondo a

      Respondo a ricardoaraxa,01/11/2016-16:23.Taí meu caro,eu até embarcaria nessa canoa.Tem um porém.E o dizimo?Mas deixe estar.A calmaria desses dias,indica a frente,terremoto de 10* na escala Ritcher.Pode apostar,se perder me procure.

    • Mas o que vai adiantar.
      Sai a

      Mas o que vai adiantar.

      Sai a Globo e entra a Record, e aí ?

      Já imaginou Bispo Macedo ministro das comunicações.

      É trocar bosta sólida por bosta líquida, aquela da dor de barriga.

      Vou te contar ! Que ponto chegamos

  5. O blog bota panos quentes

    O post chega numa boa hora para acalmar alguns modernosos que apanharam muito com o post do Arkx mais cedo. Esta é a vez deles contestarem, e com toda razão.

    “Segundo informações do Painel da Folha desta terça (1/11), “Crivella pode ser……”

    Embora o fato é teórico, uma especulação da Folha.

    O Brasil é grande demais para que um pastor qualquer, apenas pelo fato de ser pastor, pretenda que as suas ovelhas o levem até Brasília. Isso não iria funcionar nem para o Presidente de Flamengo, mesmo com toda a sua torcida votando nele.

    Tanto uma igreja como um clube de futebol não são bandeiras suficientes nem adequadas para carregar numa eleição majoritária. O povo saberá separar esse absurdo. Mas, isso depende muito da esquerda, de ser capaz de chegar até o povo mais excluído e convencê-lo a carregar uma bandeira de esquerda mais compreensível e concreta: A soberania nacional e a justiça social, um socialismo moreno de América Latina. Todo o resto é acessório e tão somente divide o eleitorado do Brejo da Cruz, para o deleite da direita.

    Neste esquema, toda a esquerda devia estar junta, sem atropelar com bandeiras coloridas modernosas. Devem guardar essas bandeiras para 2040, por aí, depois de recuperada a pátria o povo poderá sentar a beber cerveja junto com os modernosos, olhando juntos para o mar, quem sabe até de mãos dadas, por que não? A sociedade, quando livre, satisfeita e esclarecida, saberá encontrar os seus próprios caminhos comportamentais.

  6. tenho fé

    Não me considero religioso ( quanto mais leio sobre religiões menos gosto delas) mas DEUS  NOS LIVRE de ter um pseudo pastor como presidente.

    Vou repetir o que já escrevi aqui:

    Ou o “Brasil laico” entrenta esta gente ou vamos ser governados por eles.

    Eles tem o dinheiro, o rebanho, digo os votos e a ambição.

    Logo, vão dominar tudas as instituições, legislativo, executivo e judiciario.

    A teocracia do Iran vai ser refresco comparada ao que essa gente é capaz.

    A proposito, quem puder leia o livro de Voltaire “tratado sobre a tolerancia”.

    Infelizmente os “pastores” não o leram!

     

  7. Muito se tem especulado sobre

    Muito se tem especulado sobre a futura gestão de Marcelo Crivella na prefeitura do Rio. O fato de uma pessoa ser religiosa não a inviabiliza para exercer cargos políticos. Crivella é um engenheiro inteligente perspicaz e creio eu não vai manchar seu mandato com picuinhas religiosas dignas de fanáticos de templos de terceira categoria.

     

    É claro que é preocupante ter um religioso, dito evangélico numa alta esfera da administração municipal, e logo da segunda maior cidade do país em importância.

    Se Crivella for arguto e perspicaz perceberá que se colocar questões (religiosa) de somenos importância na esfera da administração municipal, colocará sua credibilidade e capacidade de gestão em questão, e inviabilizará seu nome numa disputa eleitoral mais adiante. Ficará marcado como um ayatolá, um mulá, intransigente, fanático, e que precisa de tratamento, internação e quiçá isolamento público, um Simão Bacamarte é perigoso em qualquer cargo público.

     

    Acredito que Crivela almeje vôos mais altos que a prefeitura do Rio, portanto o cargo de prefeito será apenas um teste para credenciá-lo a cargos mais altos num futuro próximo.

    Quanto a retrocessos nas conquistas dos direitos civis até então alcançadas, acredito que a população em geral e o judiciário impedirão quaisquer retrocessos. Não consigo ver a sociedade brasileira se sujeitando as “verdades” de nenhum santarrão que se diga enviado do senhor para curar os infiéis de suas infâmias e depravações. Fazer isso, é querer dividir o país.

     

    É evidente que a ascensão de um político com cunho dito “religioso” causa preocupação, pois o Estado brasileiro é laico em sua natureza. Já tivemos uma candidata a presidente do país que dizia que quando fosse tratar de temas espinhosos como o aborto por exemplo, ela iria conversar com deus. E não houve nenhum alvoroço a nível nacional quanto a fé da pretensa candidata. Posso estar enganada, mas não vejo em Crivela um fanático fundamentalista, até porque se assim o for, ele jogará por terra quaiquer pretensões políticas a nível nacional. Enxergo-o uma pessoa bastante equilibrada e de bom senso, não notei em suas falas nenhuma preocupação em exorcizar, demonizar, catequizar ou doutrinar a população.

    É claro que temos que ter total atenção nas ações de um candidato que se elege levantando bandeira religiosa, pois ele pode estar pensando em um futuro espaço aberto para ocupar a presidência da República.

    Não acredito que ele, Crivella, quererá ficar marcado como candidato extremista e ou radical, ademais acredito que a parte mais rica e desenvolvida do país não aceitará ter um beato na presidência da República. Nos EUA volta e meia surge um pretenso religioso candidato ao cargo de maioral da nação é este é sempre rechaçado por parte do eleitorado mais esclarecido. E olha que eu sou uma pessoa que tenho verdadeiro asco a essas religiões ditas cristãs que pregam o velho testamento.

     

    Estamos em pleno século 21, século de conquistas, reformas e de informação que vem na velocidade da luz. Não há espaço para retrocessos, se assim o desejarem esses tipos ditos “religiosos”. Se vierem com propostas radicais de dominação e doutrinação serão rechaçados, afinal querer que mais de duzentos milhões de almas aceitem sem pestanejar idéias fajutas e preconceituosas de moral e de costumes que foram abolidas há tempos das sociedades modernas é querer abrir uma guerra fatricida com os demais setores da população que não comungam de suas idéias e crenças.

    Que exerçam sua fé e sua religião dentro de seus templos. O homem público deve ser figura laica ou secular como queiram alguns.

    Estou pouco preocupada com a religião e as crenças de Crivella, estou mais preocupada é em se ele vai fazer um bom governo, e se vai ou não roubar os cofres públicos. Crivella sabe que não poderá errar, se assim o fizer inviabilizará seu nome para quaisquer candidatura no futuro.

     

     

    De todos os homens maus, os homens maus religiosos são os piores.

    C.S. Lewis (teólogo)

     

    • livre pensar é só pensar

      O post está mais para poço dos desejos que espelho da realidade passada, presente e futura.

      Aquela candidata afirmando que conversaria com Deus quando de decisões importantes foi motivo de enormes polemicas.

      Claro que ele não vai fazer proselitismo, mas a chave do cofre vai abrir os corações dos seus fieis, vai sonegar apoio aos que são diferentes, vai perseguir veladamente toda minoria religiosa e de pensamento contrários do seu conservadorismo.

      Crivella é devedor e escravo da iurd e demais denominações evangélicas, vai ter apoio e visibilidade da Record, vai ser setorial.

      Crivella acredita que a eleição para presidente depende apenas do numero dos evangélicos e cooptados e programa de governo na prefeitura, estado ou País é a partilha do butim do cofre, claro em nome de….

    • Perfeito comentário. A única

      Perfeito comentário. A única coisa que poderá acontecer são os conchavos que já existem, sendo crente ou não. Marcos Feliciano ficou a frente da Comissão dos Direitos Huanos e isso, de certa forma, é retrocesso!

  8. IR e dizimo, novos tempos

    As Escrituras de referencia destes vigaristas de Bíblia de sovaco são bem mais simples e praticas das ensinadas por Jesus Cristo; certa feita falou Ele, o meu reino não é deste mundo e portanto etc. etc.

    Na revisão teológica os crivellas, felicianos, malafaias, macedos e outros tão votados quanto, o melhor é tudo aqui e agora. Não é incoerente o plano do divino das sua cabeças.

  9. O FATOR RELIGIÃO NO PROCESSO ELEITORAL

     O FATOR RELIGIÃO NAS ESCOLHAS DA POLÍTICA

    Por MIGUEL DOS SANTOS CERQUEIRA

    A interferência de crenças, da fé e da religião nas escolhas políticas e nos destinos dos Estados é um fato inquestionável por qualquer pessoa atenta à realidade, sem a necessidade de ser filósofo ou cientista político.

    Uma coisa é ser ateu ou não religioso, outra coisa é pretender impor o ateísmo e não religiosidade como política de Estado, trata-se de uma temeridade.

    Antonio Gramsci, acerca da pretensão do pensamento marxista de combate das religiões como sendo ópio do povo, possuía a correta compreensão da questão, sobre elas, notadamente o catolicismo, não sua concepção, tratava-se de uma das ideologias mais poderosas da história do mundo ocidental. Portanto, arraigada na vida dos povos. Assim, “na medida em que são historicamente necessárias, as ideologias têm uma validade psicológica, posto que elas “organizam” as massas humanas”, razão, porque, a atitude correta frente a elas, as religiões, seria a adesão crítica, livre e consciente a essas, até para efeitos de se alcançar a pretendida hegemonia.

    Os conquistadores argutos, dotados de sapiência, sem necessariamente serem crentes, mas grandíssimos hipócritas, espertalhões e manipuladores sempre souberam disfarçar a sua falta de fé ou a sua má-fé se fazendo passar por crentes fervorosos.

    No que diz respeito a crença dos cristãos. Quando o Cristianismo não era tido como uma verdadeira religião, após as terríveis perseguições sofridas, sob os imperadores Nero, Domiciano, Trajano, Setímio Severo, Valeriano e Diocleciano, eis que, milagrosamente, o imperador Constantino, que antes se tinha por protegido Hércules, porquanto crente do “paganismo”, após supostamente ter sonhado com um estandarte,  o qual ostentava com símbolo uma cruz e frase, “sob em signo vencerás”, em seguida a esse sonho, na famosa Batalha da Ponte Mílvia, em 28 de outubro de 312, venceu seu adversário pelo domínio do trono,o também Imperador Magêncio. Tendo atribuído essa vitória que o tornou o único dominante do trono imperial, à influência dos “Deus dos Cristãos”. Com retribuição ao “milagre”, sob a influência da sua mãe, Flávia Júlia Helena, conhecida por Santa Helena, que já era uma cristã fanática, “se converteu” ao Cristianismo.

    Em seguida a sua “conversão” Constantino fez publicar o famoso “Édito de Milão”, a carta de alforria da fé cristã, a qual fazia cessar todas as perseguições oficiais ao Cristianismo. Também, posteriormente, ao Édito convocou o Primeiro Concílio de Nicéia que, sob o comando de bispos e Padres da Igreja, instituiu as bases da chamada fé cristã, da cristandade como conhecemos nos dias atuais.

    Embora Constantino tenha liberado o Cristianismo e o introduzido como a principal religião do império, na forma aceita e acreditada pela maioria da Cristandade, como se lê no Credo Niceno-Constantinopolitano, ele mesmo não se batizou e se fez católico, só vindo a fazê-lo no leito de morte e não na crença dos chamados ortodoxos, que tornara oficial, mas pelo arianismo, “uma das heresias cristãs”, a qual professava ser Jesus não um ser divino, mas apenas o filho de Deus Altíssimo, a maior e primeira de todas as criaturas. Jesus não era coautor da criação, mas apenas uma das criaturas.  Saliente-se que o Arianismo foi majoritário nas hostes da cristandade por mais de quase um século após Constantino, até finalmente ser extirpado, por força das armas e das fogueiras.

    A “conversão” de Constantino, a sua adesão e adoção da fé dos cristãos, que se tratava de uma crença na existência de um “Deus” único e universal, foi um golpe de estrategista, um temendo golpe de “marketing”, talvez o maior e mais eficiente de toda a história.  Tudo para obter a cooptação dos cristãos e da sua “Igreja”, que estavam em ascensão. No sentido da unificação do Império em torno de uma idéia de totalidade e dele próprio. Constantino foi um daqueles homens hábeis que enxergava longe e assim postergou o fim do Império Romano. Nunca foi um verdadeiro crente, jamais foi cristão. Contudo sabia que a religião, a manipulação eficiente da fé, das crenças e dos medos subjetivos quanto ao futuro e o além-túmulo são dos instrumentos mais eficientes para manutenção do domínio sobre um povo.

    Também na mesma linha de Constantino de entender a fé e as religiões como sendo um fator de extremada importância trilhou o Imperador Juliano, considerado apóstata. Divergindo, contudo, daqueloutro quanto a unificação do povo em torno de uma religião única, ainda mais em torno de uma fé que concebia a existência de um “Deus” único e universal e anatematizava as demais religiões e os demais deuses, e, que portanto, punha em risco a existência da pluralidade, estabelecendo espécie de nefasto totalitarismo ou fundamentalismo. O Grande Juliano restabeleceu o paganismo, a antiga religião dos gregos e dos romanos, a total liberdade religiosa para conter a intolerância e o fanatismo religioso.

    O Imperador Juliano, que reinou entre 361 e 363 da Era Cristã, percebendo os perigos da exclusividade e fundamentalismo religioso cristão, que fora consentido e, inclusive, tornado política de Estado por Constantino I, buscou assegurar os meios que permitissem o convívio de todas as religiões até então conhecidas, fossem elas pagãs, fossem o cristianismo ortodoxo, o cristianismo do arianismo e suas demais e inúmeras variantes. Embora batizado e educado desde a infância nas crenças do cristianismo.  Não descuidou, contudo, de estudar filosofia platônica e as antigas crenças pagãs greco-romanas, a exemplo do Mitraísmo, religião que adotou como sendo a sua fé.

    Durante o curto período em que esteve à frente do Império, tomou medidas para impedir a supremacia de toda espécie de fundamentalismo religioso. Permitiu a abertura de templos de todas as crenças e, inclusive, o culto às relíquias dos mártires pelos cristãos, mas proibiu aos cristãos o ensino que exercessem atividades de ensino nas academias e escolas do Império. Tal proibição tinha o intuito de precaver e refrear o ímpeto da disseminação da intolerância e violência dos cristãos de então, que não admitiam a presença das outras religiões, que considerava demoníacas. O proselitismo dos cristãos de então, não era apenas retórico, incluía a destruição de Templos pagãos e perseguição aos Judeus.

     

    A política da tolerância implementada por Juliano, chegou ao ponto de contrariamente aos seus antecessores, os quais foram causadores da diáspora dos judeus, bem como a destruição do seu Templo e da cidade de Jerusalém, respectivamente, nos anos 70 e 135 da EC, de determinar que fosse reconstruído o Templo de Jerusalém, na antiga colina do Templo de Herodes, onde existia anteriormente.

    O objetivo da reconstrução do Templo era para que os Judeus, retomando a sua religião organizada, fizessem face aos cristãos, impondo a esses a supremacia da sua religião nacional, da qual os cristãos era apenas uma seita desviante. O Seu intento que, contudo, não logrou êxito, tendo em visto a ocorrência de um “terremoto” que devastou o andamento da construção. O episódio é conhecido pelos cristãos como o “milagre das pedras de fogo”, que o atribuem o ser o cristianismo a verdade fé.

    O Imperador Juliano embora inteligente, ao contrário do seu antecessor e primo Constantino, não percebeu que a “seita das galileus” como ele chamava os cristãos, conquanto tenha surgido como uma das divisões e seita apocalíptica do Judaísmo, após o contato com filósofos do helenismo e o amálgama da fé original com postulados e idéias platônicas, somado ao sincretismo com as diversas crenças e práticas das chamadas religiões pagãs, se tornou uma religião palatável e independente, desgarrada do localismo e do nacionalismo judaico, com pretensões de unicidade e universalismo, tendo ganhado grande números de adeptos e sequazes, inclusive, entre as elites do Império Romano.

    Assim, foi que o Imperador Juliano se deu conta de que já era demasiado tarde para consertar os estragos que o seu primo Constantino I, ou o Grande, havia feito, quando instituiu uma religião exclusivista, monoteísta, que acreditava em um Deus único, em religião do Estado. Depois o que se seguiu foi a emergência da teocracia, sob Gregório de Nazianzeno e Atanásio de Alexandria.

    Sem sombras de dúvidas as religiões interferem nas opções de governos, dos homens dos governos e nos destinos dos Estados e Nações. Os governantes não precisam ser crentes, mas apenas fingirem e se passarem por fiéis ardorosos, para então dominarem os seus governados que efetivamente são crentes.

    Para ser um bom governante num país de crentes, basta ser um grandessíssimo hipócrita fingindo ser um deles. E por isso que quando das procissões, com os rostos compungidos, sempre à frente dos andores, se perfilham séquitos de políticos a carregarem as charolas dos “Santos”. Por ocasião de eleições, aqueles mesmos que roubam, corrompem, mandam espancar, matar e exterminar, uma vez candidatos a cargos eletivos, sem qualquer pudor, como se perdoados e alcançados pela “Graça”, se põem de pé nos púlpitos de igrejas evangélicas, que são os melhores locais para arrebanharem milhares de votos dos cordeirinhos. Também, não são poucos os que vão aos terreiros de candomblé e macumba, onde dançam e pulam como se fossem cavalos possuídos por alguma “Pomba Gira” ou talvez por espíritos de porcos.

     

    Nessa questão de religião, na condução e nas escolhas das políticas de Estado não vale a afirmação nietzschiana de que “Deus está Morto” a afirmaçãomarxista de que: “A religião é o ópio do povo”.  Porque nem “Deus está morto” nem qualquer povo, pelo menos enquanto maioria, prescindiu da fé religiosa.

     Assim, no caso do Brasil, especificamente, onde o fundamentalismo pentecostal tem avançado de modo perigoso, até mesmo sob a forma de partido político multi-ideologico, onde espertalhões tem se valido da fé de muitos para abocanhar e se manterem no poder, pondo em risco a convivência harmoniosa entre crentes de fé diversa, crentes pentecostais e não crentes e, inclusive, ameaçando os pilares do Estado Laico, é bom ficar de olho nesses nossos políticos que, embora hipócritas e falsos crentes, caminham de mãos dadas como esse segmento dos fundamentalistas.

    A exemplo do Rei Bom, Henrique IV de França, que renunciou a sua então fé protestante, se fazendo batizar Católico Romano, também acreditamos que quando se trata da conquista do poder:”Paris vale bem uma missa”. Porém, na mesma linha do sábio soberano francês, somos daqueles que não admitimos que o fundamentalismo e as loucuras do fanatismo religioso, as concessões aos espertalhões dos milhares de Seitas possam ser admitidas em trocar do poder e de suposta governabilidade e em sacrifício do pluralismo e da cidadania. Não merecemos mergulhar nas trevas da Idade Média ou revivermos “Noites de São Bartolomeu”.

    De sorte que sendo as religiões e os crentes, sequazes de todas elas, importantes nas decisões e escolhas dos políticos e das políticas, será sempre bom que quando das escolhas prevaleçam as lições do Imperador Juliano, no sentido da garantia do pluralismo, a fim de que não descubramos tardiamente que a nossa leniência e falsa esperteza nos fez submergir na teocracia pentecostal, que, infelizmente, temos visto avançar audaciosamente.

     

    MIGUEL DOS SANTOS CERQUEIRA, Defensor Público, estudioso de filosofia, história e política e militante de Direitos Humanos, titular da Primeira Defensoria Pública Especial Cível do Estado de Sergipe. E-MAIL: migueladvocate@folha.com.br

    • fator religião no processo eleitoral

      Muito bom! Valeu pelo texto e resgate histórico. Vou urtilizá-lo em minhas aulas!

  10. taí o pesadelo…

    porque sem suprema corte não há limitações

    quando tudo começa com visões pessoais de moralidade, entre juízes e ministros, visões e convicções futuras serão religiosas

     

     

  11. se esse Crivella chegar na

    se esse Crivella chegar na presidência da república eu vou para o Paraguai. primeiro, os golpistas, depois crentes? não dá.

    quem paga a conta é quem não elege ninguém…  pago dobrado e perco calado!

    por outro lado, a rede golpe apoiou Freixo no RJ e perdeu… e de forma cínica, é bem verdade… o que ela fará nas eleições gerais??? eu vou gostar de ver…

    é isso o que dá quando a educação naufraga…

    esses evangélicos fazem melhor do que toda a esquerda junta. qual é o segredo??

  12. Pago o dízimo para o Pastor

    Fuder a Globo. Me perdoem, mas o ódio que tenho dessa “organização marinhal” é muito maior. Quem destruí-la tem meu voto. Olha, já tô piscando pro Bolsonaro … Percebam meu desespero! Não me censurem, por favor….

  13. Falta liderança de segunda a sábado

    O povo mais humilde precisa de lideranças. O problema é a falta de lideranças cívicas de segunda a sábado, pois hoje é a liderança do dia domingo quem está tomando conta do voto de milhões de brasileiros. Lideranças religiosas e da TV do dia domingo.

    A política suja fez perder muita credibilidade à classe política. O sector mais pobre da população não recebe informação correta, mas apenas assiste em forma bovina, no domingo (depois, ou antes, do culto) a rixa entre a Globo e a Record. Bandeiras inoportunas de esquerda tentaram entrar nas favelas, assustando pessoas simples e pacatas, que possuem – ainda – uma concepção mais conservadora da família e do sexo. Pior ainda, dando munição a estes pastores aproveitadores. A votação é no dia domingo, mas para discutir assuntos de segunda a sábado (pelo menos nesta fase do Brasil).

    O Pastor Crivella, no RJ, foi escolhido com mentalidade de dia domingo, foi eleito como pastor e não como engenheiro, por causa do medo do povo expor os seus costumes e crenças para uma turma modernosa da elite, que se achou de esquerda apenas porque é mais “idealista” e com ideias mais arrojadas e modernosas. Aí está o perigo, não apenas com o Crivella, mas o que os seus eleitores esperam dele e a mentalidade domingueira da sua opção cívica. O que aqui se discute é o perigo de estes pastores irem mais longe.

    O pobre acuado pelo PSol se deve sentir como senhor de idade que entra a um consultório de psicóloga modernosa, com roupa colorida, seminua, com um copo de plástico com cerveja quente onde flutua um resto de cigarro, e marca de batom na beira do copo e, enquanto fuma um baseado, diz para ele: tire a roupa e fique à vontade! É claro que ele não fica à vontade!

    A solução está em mostrar à população, de segunda a sábado, que existe um Brasil possível, que prioriza a nação, o emprego e as três refeições por dia; de que existe gente séria e confiável e que o que se discute na urna é a autodeterminação da nação brasileira e a justiça social para o seu povo. É necessário mostrar que não queremos colocar em votação as suas crenças de domingo ou do que ele acredita – pelo menos por agora – ser melhor para as famílias e para a sua compreensão de sexo. Precisamos trazer o eleitor para as verdadeiras disputas cívicas, hoje confusas por tantos partidos e bandeiras. A direita adora ver como atropelamos bandeiras na ânsia de levar ao povo a nossa ideia de esquerda e não a solução para o seu problema real.

    Queremos dialogar sim com o eleitor evangélico, de segunda a sábado. O que ele faz o domingo é tema para evolução cívica do país e da nossa capacidade de evoluir, de aprender a respeitarmos e divertirmos juntos, de acreditarmos em coisas parecidas. Mas isso apenas irá acontecer quando as pessoas tenham oportunidades, quando o Brasil seja mais distribuído e democrático, quando o povão esteja no mesmo boteco que a modernosa, falando de Jean Paul Sartre. Enquanto isso não acontecer, devemos respeitar o dia domingo das pessoas, das igrejas e das famílias, pois isso não é para discutir na urna, mas dentro de uma sociedade que ainda deve ser libertada e, em seguida, evoluída socialmente.

  14. as religiões e a politica….

    Para min no Brasil, nunca se pensou o estado como um verdadeiro estado laico, todos os governos deram um liberdade total as igrejas, sem nunca colocar limites no que as igrejas podem ou não dizer ou fazer……todos sabem que igreja e religião se voce não controla, da no que deu……ja no fim dos anos 80, eu observava a potencia economica dessa igrejas, em SP compraram quase todos os velhos cinemas e teatros do centro e bairros, depois compraram radios e tvs.O poder publico num pais laico de verdade não fica “sentado e olhando” sem fazer nada durante decadas, se não acontece o que esta acontecendo…….ja se viu(e ainda se ve)este mesmo tipo de situação dezenas de vezes na historia da humanidade………uma coisa é liberdade de culto outra coisa é liberdade total para que as igrejas se “empoderem” a seu bel- prazer….Igrejas não devem se meter em politica, e em caso contrario o estado deve coloca-las no seu devido lugar ou seja, devem cudiar do lado espiritual do seus fieis…..e nada mais….é assim que funciona num pais laico.A religiosidade é assunto da esfera privada, não deve ser protagonista politico…….se não entendermos essa simples noção de estado laico, estamos vivendo em tempos anteriores a revolução francesa……………..simples assim.

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