O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, não pretende aceitar o desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, assim como os de seus familiares. A informação foi confirmada nesta terça-feira (20) por integrantes da campanha do parlamentar ouvidos pelo SBT News.
Nos bastidores, aliados de Flávio consideram a proposta uma “armadilha” eleitoral, com o objetivo de desgastar o senador nos últimos dias da disputa. Segundo integrantes da campanha, a divulgação dos dados a cinco dias da votação poderia gerar novas acusações e pedidos de investigação, sem tempo suficiente para uma apuração aprofundada.
“Lula não vai ter esse gostinho”, afirmou um integrante da campanha de Flávio ao justificar a decisão de não aderir à iniciativa. Para os aliados do senador, o desafio serviria principalmente para produzir manchetes e alimentar acusações na reta final do segundo turno.
Lula formalizou nesta terça-feira, junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um pedido para tornar públicos seus próprios dados bancários, fiscais e telefônicos, além dos registros de integrantes de sua família. A iniciativa, no entanto, está condicionada à adoção da mesma medida por Flávio Bolsonaro e seus familiares.
A proposta prevê a divulgação de informações referentes aos últimos oito anos, incluindo declarações de Imposto de Renda, movimentações bancárias, patrimônio, rendimentos, dívidas e registros telefônicos. A abertura dos dados de familiares depende de autorização dos respectivos titulares ou de determinação judicial.
Familiares e empresas também são incluídos
O pedido apresentado por Lula abrange a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e os cinco filhos do presidente: Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha; Lurian Cordeiro Lula da Silva; Marcos Cláudio Lula da Silva; Sandro Luís Lula da Silva; e Luís Cláudio Lula da Silva.
No caso de Flávio, a proposta envolve sua mulher, Fernanda Bolsonaro, os pais, Jair Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro, e os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro. O documento também menciona empresas ligadas ao senador e a Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, é sócio.
A iniciativa busca ampliar o debate sobre a transparência patrimonial dos dois candidatos e de pessoas próximas a eles, em meio às acusações trocadas durante a campanha eleitoral.
Desafio foi lançado durante debate presidencial
Lula apresentou a proposta durante o debate presidencial promovido pela Band no domingo (18), quando questionou Flávio sobre suas relações com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O senador, por sua vez, mencionou suspeitas envolvendo Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger.
Durante o confronto, o presidente desafiou o adversário a autorizar a divulgação de seus dados e dos registros de seus familiares antes da votação. Flávio afirmou que não tinha nada a esconder, mas não se comprometeu a apresentar os documentos solicitados pelo petista.
Na segunda-feira (19), durante um ato de campanha em Porto Alegre, Lula voltou a cobrar uma resposta do senador e anunciou que levaria a proposta à Justiça Eleitoral.
A campanha petista aposta na discussão sobre a transparência dos candidatos como uma das frentes de confronto nos últimos dias da disputa. Aliados do presidente avaliam que uma eventual recusa de Flávio pode provocar desgaste eleitoral para o adversário.
Já integrantes da campanha do senador argumentam que aceitar a proposta significaria entrar em uma discussão pautada pelo rival, desviando a atenção de outros temas que pretendem explorar até o dia da votação.
O assunto deve voltar ao centro do embate no próximo debate presidencial, previsto para sexta-feira (23), na TV Globo, dois dias antes do segundo turno.
*Com informações do SBT News.
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