Fracasso de reunião entre presidenciáveis evidencia rompimento da direita

Autor do impeachment contra Dilma falha na tentativa de articular candidatura única para evitar Haddad no segundo turno 
 

Foto: Agência Brasil
 
Jornal GGN – Uma tentativa liderada pelo advogado, ligado ao PSDB, Miguel Reale Júnior, de reunir esforços em uma candidatura única para chegar ao segundo turno fracassou nesta terça-feira (25). Segundo informações da Folha de S.Paulo, estava prevista para às 9h de hoje um encontro no Instituto dos Advogados de São Paulo com os candidatos Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Álvaro Dias (Podemos). João Amoêdo (Novo) também foi chamado para a conversa com os quatro presidenciáveis, mas não aceitou desde o princípio das tratativas iniciadas com assessores em uma reunião virtual, ainda na semana passada. 
 
Segundo Reale, na noite desta segunda, Marina e Meirelles mandaram avisar que não participariam mais do encontro. A divulgação da pesquisa Ibope, também na noite de ontem, pode ter influenciado na decisão. O levantamento mostra Alckmin estagnado com 8% das intenções de voto, Marina com 5%. Meirelles e Dias, levam 2% cada. 
 
O segundo turno provável será entre Bolsonaro (28%) e Fernando Haddad (22%), mostrado que o petista evoluiu 3% e o candidato do PSL se manteve igual, desde a última pesquisa Ibope divulgada dia 18. 
 
O fracasso do encontro também comprova a grande dificuldade de acordos entre os partidos de direita e centro-direita, o oposto do que vem sendo observado entre os partidos de esquerda e centro-esquerda que, desde o ano passado, vêm se fortalecendo em acordos nas eleições estaduais, inicialmente em favor da candidatura Lula, agora apoiando a chapa encabeçada por Fernando Haddad.
 
Publicamente, Alckmin disse que desconhecia a reunião, o mesmo afirmou a candidata da Rede. “Marina dizer que não foi convidada e que não iria participar é uma mentira deslavada”, contra-rebateu Reale sem fazer nenhuma reflexão quanto a mesma manifestação de Alckmin. 
 
Meirelles foi além, demonstrando incômodo de o acordo ter sido pensado, provavelmente, para favorecer Alckmin. “Eu digo, não precisa de reunião, a solução é muito simples: basta o candidato do PSDB e de vários partidos do centrão, Geraldo Alckmin, que está estagnado ou caindo nas pesquisas, renuncie à sua candidatura e me apoie porque eu sou o candidato do centro democrático que está crescendo”.
 
O único que manteve a confirmação do encontro foi Alvaro Dias, que desistiu hoje pela manhã ao saber que só ele estaria presente. 
 
Reale disse à Folha que não foi influenciado pelo artigo publicado na semana passada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, onde pediu aos eleitores união para não se alinharem “a visões radicais”, sem citar diretamente as candidaturas de Bolsonaro e Haddad. Na verdade, o advogado acredita que ao dizer no Twitter que Alckmin deveria ser o candidato de centro, FHC contribuiu para atrapalhar o encontro.
 
“Hoje poderia ter sido um grande dia. A ideia era discutir uma candidatura única de centro e um governo único”, lamentou o ex-ministro da Justiça e um dos autores do processo que resultou no golpe que destituiu Dilma Rousseff do poder. 
 

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