Líder, Russomanno deixa Marta e Dória duelarem com Haddad

Fora do debate, Erundina criticou “duelo de egos”. Major Olímpio foi em seu lugar atacar Haddad com Lava Jato e servir de linha auxiliar para os adversários do petista

Jornal GGN – O primeiro debate televisivo entre os candidatos a prefeito de São Paulo foi marcado pela discrição de Celso Russomanno (PRB), líder nas pesquisas de opinião, que evitou entrar no duelo entre Marta Suplicy (PMDB) e João Dória (PSDB), que estão no segundo e quinta lugar, respectivamente.

Fernando Haddad (PT), que tenta a reeleição e está em quarto lugar nas pesquisas, aproveitou o encontro para fazer um balanço das ações de seu governo, ao mesmo tempo em tentou que expor o despreparo dos candidatos em relação a alguns temas.

Terceira nas pesquisas, Luiza Erundina (PSOL) ficou de fora do debate por conta de uma minirreforma eleitoral aprovada pela Câmara sob Eduardo Cunha (PMDB), que impede que candidatos com menos de 9 deputados federais eleitos pelo próprio partido participem de debates nos meios eletrônicos. Mesmo recorrendo à Justiça, Erundina não conseguiu fazer a Band permitir sua entrada, na noite de segunda (22).

O beneficiado pela ausência de Erundina foi o candidato Major Olímpio, do Solidariedade. O deputado federal e ex-policial militar sequer está entre os cinco mais bem avaliados nas pesquisas de intenção de voto, mas foi ao debate usar a crise do PT na Lava Jato para atacar Haddad, defender projetos que agradam à parcela conservadora da população e servir de linha auxiliar dos adversários de Haddad.

Logo no segundo bloco do debate, quando os candidatos partem para o confronto direto, Dória foi descredenciado por Marta e Haddad, que apontaram que o candidato tucano desconhece e desvaloriza as secretarias que cuidam de políticas públicas para mulheres, negros, pobres e portadores de deficiência. Na semana passada, Dória disse que cortaria esses “penduricalhos” da administração.

Em revide, Dória se esforçou para colar Marta à imagem do PT, sempre trazendo à tona o argumento que o antigo partido da senadora quebrou o país, inflou a máquina pública e mergulhou na lama da corrupção. Marta, por sua vez, tentou demonstrar tranquilidade com sua trajetória polícia e arrependimento com decisões que tomou no passado. Caso da taxas que adotou quando prefeita de São Paulo.

No terceiro bloco, Haddad defendeu sua política de redução de velocidade nas vias de São Paulo, uma recomendação da ONU para evitar acidentes, enquanto Russomano criticou a “indústria da multa”. O deputado federal e jornalista também disparou contra os impostos aplicados para o setor de construção, defendendo uma redução como política de criação de empregos.

Para a juventude, Marta defendeu a criação de mais espaços de cultura, para contornar o “problema” dos pancadões em bairros de classe média. Já Major Olímpio defendeu que esse tipo de evento deve ser coibido por ser imoral, um “antro de perdição”.

Usando o tema de segurança como zona de conforto, o ex-policial militar saiu em defesa da corporação diversas vezes, inclusive ao duelar com Haddad sobre a política de combate ao tráfico e de assistência social a dependentes na área da cracolândia. “São Paulo merece choque de gestão. Terra sem lei precisa de alguém com coragem para impor o cumprimento da lei. Tolerância zero com bandido”, disse o deputado.

Haddad defendeu seu programa de combate à corrupção – com foco na criação de uma controladoria para a administração municipal – ante os ataques de Dória e Major Olímpio, que tentaram o associar à corrupção revelada pela Lava Jato.

Os dois adversários se uniram na citação de João Santana e Lula, que atuaram na campanha de Haddad. Major Olímpio chegou a usar a cadeia nacional de televisão para dizer que o ex-presidente da República será preso em breve. Haddad defendeu sua biografia e que as investigações sejam feitas com o devido respeito ao processo legal.

Erundina foi ao local do debate para protestar do lado de fora. Depois, usou as redes sociais para comentar a transmissão. Ela criticou que Haddad e Russomanno, os únicos que estavam de acordo com sua presença, tenham ido sem ela. E também disparou contra a escassez de propostas.

“Esses debates não servem para nada”, disse. “Foi um duelo de egos num tempo precioso para dialogar com a cidade”, completou.

O PSOL aguarda o julgamento, nesta quarta (24), de uma ação no Supremo Tribunal Federal que questiona a restrição de candidatos do partidos nos debates. 

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