4 de junho de 2026

Marina terá de conciliar seus interesses com os do PSB

Eduardo Campos e Marina Silva

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Enviado por IV Avatar

Da Carta Capital

Marina Silva será mesmo herdeira de Campos?

A ex-senadora precisará conciliar seus interesses pessoais com os da máquina do PSB, uma tarefa que não parece ser tão simples
 
por Redação 

Após a morte de Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência da República, a ex-senadora Marina Silva, vice em sua chapa, é apontada como sucessora natural do pernambucano. A entrada de Marina no cenário eleitoral, que causa apreensão nas campanhas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), é, no entanto, ainda incerta.

A chapa encabeçada pelo PSB tem dez dias para apresentar um novo nome para a disputa. Além de Marina, filiada há apenas dez meses, o PSB parece não ter um nome capaz de substituir Eduardo Campos. Desde outubro passado, quando o governador do Ceará, Cid Gomes, e seu irmão, o ex-ministro Ciro Gomes, deixaram o partido para se filiar ao PROS, Campos comandava o PSB sem sombra. Também não há, nos outros partidos integrantes da chapa (PPS, PHS, PRP e PPL), um nome minimamente relevante para substituir Campos de forma a realizar uma campanha com chances de vitória.

O vácuo criado pela morte do ex-governador de Pernambuco cria, inevitavelmente, uma tensão. Quem bancava a presença de Marina na chapa era o próprio Campos, em grande parte contra o desejo de inúmeros correligionários, como o primeiro vice-presidente do PSB, o ex-ministro Roberto Amaral [colunista do site de CartaCapital], e os governadores Camilo Capiberibe (Amapá) e Renato Casagrande (Espírito Santo). A resistência ao nome de Marina é explicada pelo fato de ela ser, na realidade, a líder da Rede Sustentabilidade, outro partido, ainda não fundado oficialmente, que está meramente alojado dentro do PSB. As duas siglas têm visões de mundo e projetos políticos diferentes, muitas vezes irreconciliáveis, que só se sustentavam juntos pela parceria entre Eduardo e Marina.

Para o PSB, a situação é delicada. É possível que parlamentares pessebistas tentem viabilizar seus nomes, mas a alternativa tem grandes obstáculos. Em primeiro lugar, o tempo é curto para um substituto surgir do nada enquanto o partido se recupera do baque. Em segundo lugar, o PSB será pressionado externamente para lançar o nome de Marina. Antonio Campos, irmão de Eduardo, afirmou ainda na quarta-feira 13 que o caminho do partido deveria ser fortalecer Marina. Nos próximos dias, enquanto a família e os eleitores pernambucanos se despedem de Campos, um momento de comoção já iniciado e que será exibido no País inteiro, todos os olhos estarão sobre Marina e ela será tratada como a sucessora. Por fim, o PSB sabe que Marina tem chances reais de ganhar a eleição. Segundo algumas pesquisas, a ex-senadora estaria atrás apenas de Dilma na disputa presidencial.

Diante desta situação, o PSB corre o “risco” de ganhar as eleições e chegar ao poder comandado por uma pessoa com identificação mínima com o partido.

Para Marina, o desafio também é grande. Sua sucessão será apresentada ao mundo externo da chapa como “natural” apenas se ela se mobilizar para tanto. Marina precisará exercer um papel de líder e conciliadora e costurar um acordo que inclua não apenas seu nome, mas apoio firme durante a campanha. Marina precisará, ainda, estar disposta a bancar os apoios construídos por Eduardo Campos. Um dos acertos mais problemáticos foi feito em São Paulo, onde o PSB apoia, e conta com o apoio, do PSDB de Geraldo Alckmin. Marina foi contra o acerto e, caso seja a candidata, terá de subir no palanque ao lado do tucano no maior colégio eleitoral do País. Na dupla com Campos, ela era a idealista e ele, o articulador. Agora, Marina precisará assumir os dois papeis, uma capacidade que não se sabe se ela possui.

A trágica morte de Eduardo Campos, de fato, muda as eleições. O tamanho do impacto só será medido, no entanto, quando o PSB e Marina Silva tomarem uma decisão a respeito de seu futuro. A depender da escolha, e do ímpeto colocado sobre ela, a decisão pode ajudar a romper a polarização entre PT e PSDB na política nacional. Se a nova candidatura fracassar, a polarização ficará reforçada.

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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37 Comentários
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  1. João Paulo Reis

    15 de agosto de 2014 10:39 am

    Sinuca de bico

    O PC do B existiu durante um longo tempo dentro do PMDB. Quando os comunistas criaram seu próprio partido debandaram. Enquanto estavam no PMDB, apenas concorriam a cargos, claro, sem ameaçar os interesses do PMDB.  No caso do PSB, se Marina substituir Campos e ganhar as eleições, mesmo que Marina não crie outro partido para bater asas,  o PSB passa a ser um outro partido, pois a visão, os interesses de Marina e da sua Rede são outros quinhentos, a própria Marina declarou isso e, desdizer o que disse atrás não pega bem.

  2. Jurgen2010

    15 de agosto de 2014 10:44 am

    Marina vai desistir da REDE?

    Esta é  questão proposta. O PSB vai fazer campanha para logo após as eleições jogar tudo fora? Ou a Marina vai desistir do partido que todo sabem que quer criar?

  3. alexis

    15 de agosto de 2014 10:47 am

    Só dois caminhos e duas escolhas

    Acredito que tenha sido um grosseiro erro de cálculo imaginar que Marina teve mesmo toda essa enorme votação nas ultimas eleições presidenciais, principalmente a expressiva votação em Minas Gerais (Belo Horizonte, em particular). De fato, Marina não conseguiu criar nem o seu próprio partido (coisa que o insignificante Paulinho da Força fez).

    Para quem lembra, na época suspeitava-se que Serra tinha algo a ver com as notícias em relação ao Aécio, embora verdadeiras (batendo em mulher numa Boate, além do famoso “pó para Governador!”). Isso, somado à péssima imagem do Serra em Minas Gerais, criou um clima desfavorável ao tucano entre os eleitores anti-PT de Minas, culminando, por tanto, numa expressiva votação em Marina. Nestas próximas eleições, se Aécio continuar como candidato (eu duvido), terá uma rejeição equivalente entre os eleitores paulistas, cujos votos irão derivar em brancos ou nulos.

    Assim, a expectativa de aumentar a votação do PSB, por causa do apoio de Marina, me parece que não tem surtido nem surtirá grande efeito. Acredito tenha dirigentes do PSB lamentando a escolha de Marina como vice.

    Marina traz na sua caminhada lembranças trágicas do Chico Mendes, como se viúva dele fosse, age também como uma viúva do Lula (ao ter sido preterida pela Dilma) e hoje, embora lamentável, os fatos reforçam ainda mais a sua imagem de eterna viúva. Marina é uma mulher amarga e rancorosa, que destila negativismo e azar, o que contrastava com o sorriso maroto que tinha Eduardo Campos e o seu desejo de acertar e costurar o passado glorioso do seu avô e o nome de “socialista” que a bandeira do seu partido ainda carrega.

    O jogo eleitoral mostra duas únicas principais vias que o Brasil enfrenta: Nação autônoma com viés social; ou a volta ao mundo neoliberal com subserviência aos EUA. O PSB tem mais uma chance de acertar o seu rumo.

    1. DanielQuireza

      15 de agosto de 2014 11:56 am

      A questão é que Marina é boa

      A questão é que Marina é boa de público, tem voto, mas é péssima de bastidores. Não teve capacidade operacional como Kassab ou Paulinho – que não é insignificante por controla  segunda maior central sindical do País, o que não é pouca coisa – para montar seu partido. Mas pode influir bastante nessas eleições, ainda mais neste caso aonde todos estão contra a Dilma.

      1. alexis

        15 de agosto de 2014 12:18 pm

        Talvez nem queria fundar um novo partido

        Dá muito trabalho. 

      2. alberto tiago

        15 de agosto de 2014 1:32 pm

        Impossivel nao lembrar

        Impossivel nao lembrar Paulinho lidera a Central do Banditismo Sindical a central que tem o maior quadro de

        “segranças“ do pais e falsificou filiaçoes

  4. Arthemísia

    15 de agosto de 2014 11:01 am

    Não sei como isso pode

    Não sei como isso pode funcionar, mas em política partidária tudo é possível. Marina queria um partido para chamar de seu, embora não tenha muita disposição em trabalhar por isso. O PSB não será de Marina, principalmente agora que tem a oportunidade de não ser de ninguém. Depois de Arraes e Eduardo, não creio que o PSB terá mais caciques. É uma real oportunidade de romper com personalismos e dar uma chance à dinâmica política. A decisão é difícil para os dois lados, porque Marina candidata vai ter que negociar muita coisa, o que não é muito o perfil dela. Na última eleição ela até que abriu para o PV, mas logo após o resultado, saiu fora.

  5. Tagutti

    15 de agosto de 2014 11:05 am

    Já começou a torcida p/ a direção do PSB barrar Marina.

    Isso seria um “harakiri” partidário, depois de tantas críticas de Campos a Dilma. Suicídio também lançar outro, a revelia dos outros partidos da chapa, da família de Campos e de toda a opinião pública (e publicada).

    Parafraseando o colega Gunter, muito cuidado com o que você deseja..

    Se com Marina a eleição seria duríssima (com risco mais claro de Dilma perder), um certame sem ela pode ser pior ainda, já que, sem 3ª via, o 2º turno seria antecipado, havendo-se risco de brancos, nulos e outros despejarem seu voto contra Dilma, ou seja, a favor de Aécio, logo no 1º turno.

    Eu prefiro a possibilidade de um 2º turno entre Dilma e Marina, com resultados imprevisíveis, do que uma eleição plebiscitária PT vs PSDB, com resultados igualmente incertos.

    1. DanielQuireza

      15 de agosto de 2014 11:51 am

      Não tem como o segundo turno

      Não tem como o segundo turno ser no primeiro turno simplesmente pelos tempos de Tv, que já estão todos definidos. Para Dilma seria o ideal um candidato fraco no lugar de Campos ou mesmo nenhum. Vitória praticamente garantida. Mas evidente que isso é impossível.

      Claro que Marina será a candidata, isso já está certo. O PT deveria é articular com os principais lideres do PSB para implacar um vice aliado ao PT tipo do Rands ou do Roberto Amaral, para em um segunto turno contra o Aécio, eles apoiarem a Dilma.

      Quem mais lucrou com a tragédia, evidentemente foi a Marina, que agora, exercerá o oportunismo em toda sua plenitude. Por incrível que pareça, o irmão do Campos é quem iniciou esse oportunismo se aproveitando da morte do próprio irmão e da visibilidade que isso lhe acarreta para tentar influir no processo eleitoral. E se caso ocorra o extremo de Marina ganhar a eleição em seguida ela migrará, se puder, para o tal partido Rede. Se esse é o novo na política brasileira, imagina o velho hein…

      1. Maria Luisa

        15 de agosto de 2014 12:17 pm

        Daniel

        Se a Marina for ungida candidata, e o irmão de Campos esta quase que impodo essa candidatura ao partido (sera que alguma vez Eduardo Campos disse a proximos, que caso ocorresse algo e ele não fosse o cabeça de chapa, queria que fosse  Marina ? Acho estranho Antonio Campos ter fechado em torno da Marina, de outro partido, tão rapido), quem não ira ao segundo turno sera Aécio Neves. Apesar da tragédia com Eduardo Campos ter abafado o incêndio criminoso nos papéis da prefeitrua de Claudio e dos aeroportos pra la de suspeitos da super gestão Aécio em Minas, o playboy não convence muito fora das fronteiras mineiras. 

        1. João Paulo Reis

          15 de agosto de 2014 1:00 pm

          Tucanos são especialistas em queima de arquivo

          Quer dizer que as provas to aecioporto viraram pó

      2. Tagutti

        15 de agosto de 2014 12:26 pm

        Sei não, Daniel.

        Rejeição é rejeição, e as pesquisas para o 2º turno, que “colavam” o PSDB no PT, apontavam um eleitor menos Aecista e mais anti-Dilmista.

        Se restar apenas PT e PSDB, existe a possibilidade da eleição se polarizar já no primeiro turno, com a pregação do voto útil antipetista depositado no tucano.

        Tem muita gente que fala que votará nulo, branco, não sabe, mas é antipetista ferrenho. Então, se não houver perspectiva de 2º turno, na hora H ele vota no único com chance de bater Dilma (Aécio). Essas reviravoltas de última hora em eleição sempre acontecem.

        1. Ricardo JC

          15 de agosto de 2014 12:43 pm

          Mas o voto útil antipetista

          Mas o voto útil antipetista já estava sendo contabilizado nas pesquisas!!! O cenário já estava consolidado. O único fato novo seria a propaganda na televisão, que claramente favorece Dilma devido ao maior tempo de exposição. Se não lançar ninguém ou lançar um candidato fraco, o PSB estará decretando o fim do pleito no 1o turno. Isto para mim é certo. Se lançar Marina, a probabilidade de 2o turno aumenta. Somente teremos que lembrar que ela vai ter pouquíssima estrutura para campanha, ou seja, pouco tempo na televisão e má vontade de grande parte do PSB para fazer a campanha no dia a dia (veja que eles irão à TV dizer que vão apoiar a candidata, mas na hora do vamos ver, não tem camapnha…essa é a nossa política). Vai ter que contar com os grupos de mídia. Estes sim estarão engajados em sua campanha, pois dependerão dela para levar a eleição para o 2o turno.

      3. CB

        15 de agosto de 2014 12:29 pm

        Não sou de apelar para o

        Não sou de apelar para o divino, mas que Deus proteja o Brasil de uma vitória de marina nesta eleição. Por mais que critiquemos, PT, psdb e PMDB são partidos maiores, com mais estrutura. Se marina vencer, teremos um partido nanico dentro de um outro partido assumindo o governo de um país do tamanho do Brasil e com todos os problemas e desafios que ele tem. Isto aqui vai regredir mais de vinte anos, aos tempos em que Collor foi eleito a bordo do tal de PRN.

  6. Avelino de Oliveira

    15 de agosto de 2014 11:23 am

    Caro Nassif e demais
    Não

    Caro Nassif e demais

    Não acredito que Campos acreditasse em sua vitória. Ele tenou projetar o seu nome e pegou Marina na rabeira de seus 20 milhões de votos, mas que não conseguiram reverter no número mínimo para registra o partido.

    A chance da direita em derrotar a Dilma é criar essa comoção nacional, tal qual um 11 de Setembro. Num primeiro momento pega no tranco, mas acredito que depois isso se acalme.Mas será terrivelmente explorado. Haja baixarias.

    Nada me tira da cabeça, a lesão do Neymar, e agora, esse acidente.

    Quem já jogou toneladas e toneladas de bombas sobre a Líbia, só para parar nesse exemplo, agora querem o Brasil.

    Marina é mais esse momento, sendo insuflado. O grande capital não dorme no ponto e está pouco se lixando para Eduardo, desde que ele não fez a obrigação, conseguir jogar  a Dilma no 2º turno.

    Saudações

  7. Celio Mendes

    15 de agosto de 2014 11:26 am

     
    Ao que parece a aventura

     

    Ao que parece a aventura mal calculada do Campos vai destruir dois partidos em uma só tacada, o PSB que vai enfrentar uma guerra interna causada pelo corpo estranho que seu falecido lider introduziu e a Natimorta Rede da Marina proposta como uma nova forma de se fazer politica vai acabar fazendo o velho jogo rasteiro que sua mentora tanto critica.

  8. CB

    15 de agosto de 2014 11:32 am

    http://www.istoe.com.br/colun
    http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/coluna/331822_GURU+DE+MARINA+DISSE+QUE+E+PRECISO+AUMENTAR+A+CARNE+E+O+LEITE

    Paulo Moreira Leite

    Guru de Marina disse que é preciso aumentar a carne e o leiteConvém prestar atenção no que dizem os pensadores que integram o círculo mais influente de Marina Silva, a não-candidata que modificou o quadro da disputa quando aderiu ao PSB de Eduardo Campos Num momento em que a oposição faz o possível para transformar a economia no ponto central da campanha presidencial, convém prestar atenção no que dizem os pensadores que integram o círculo mais influente de Marina Silva, a não-candidata que modificou o quadro da disputa quando aderiu ao PSB de Eduardo Campos. Há opiniões surpreendentes e até constrangedoras pelo conteúdo antipopular e pelo caráter elitista.

    Apontado como o mais influente conselheiro econômico de Marina Silva, autorizado inclusive a dar entrevistas nessa condição, Eduardo Gianetti da Fonseca elaborou uma formula muito peculiar para executar o programa de desenvolvimento com sustentabilidade, talvez a meta mais associada a líder da Rede. Lembrando que o gado brasileiro responde por emissão de gases que geram grande quantidade de C02, Gianetti afirma que, para evitar novos desastres ambientais, preocupação central de Marina Silva, “o preço da carne vai ter de ser muito caro, o leite terá de ficar mais caro.”
    Essas e outras ideias de Gianetti se encontram no livro “O que os economistas pensam sobre sustentabilidade,” do jornalista Ricardo Arnt. Um dos mais preparados jornalistas brasileiros que se dedicam ao assunto, diretor da revista Planeta, Ricardo Arnt procura nesta obra descobrir como quinze economistas tentam combinar a necessidade de manter e até ampliar o crescimento da economia com a preservação ambiental. O livro foi publicado em 2010 e não pode ser visto, obviamente, como a divulgação de receitas de governo para 2014. Não são palavras de assessores de campanha. Se o assunto é explosivamente político, o teor é acadêmico.

    Mas é claro que as entrevistas contêm valores, princípios e referências de longa duração, de grande utilidade no momento atual. Entre os entrevistados, há economistas do PT, como Aloizio Mercadante, e também identificados com o governo Lula-Dilma, como Luciano Coutinho. Delfim Netto também foi ouvido. Arnt ouviu vários gurus de Marina Silva e eles chamam muita atenção, por motivos compreensíveis, em função da agenda ambiental em sua identidade. Pela função que lhe foi atribuída na campanha, o lugar de Gianetti é especial.

    Falando de um país no qual a maioria da população começou, apenas nos últimos anos, a experimentar uma melhoria em no padrão de consumo, o que inclui uma melhoria na qualidade da alimentação, Gianetti fala sem rodeios. “Comer um bife é uma extravagância do ponto de vista ambiental.” (página 72).

    Outra “extravagância” que o incomoda envolve as viagens de avião. Referindo-se a um benefício que só muito recentemente perdeu caráter luxuoso, para se transformar num progresso acessível a muitos brasileiros, provocando uma irritação nem sempre justificada em cidadãos que passaram a enfrentar filas nos aeroportos, Gianetti fala: “Pegar um avião para atravessar o Atlântico é uma extravagância sem tamanho, do ponto de vista ambiental. Você emite mais dióxido de carbono do que um indiano durante uma vida.”(página 71). É curioso ouvir de um dos profetas da globalização a todo preço uma queixa contra as “extravagâncias” das viagens aéreas.

    Na prática, podemos até discutir o conteúdo “ambiental” do bife e de uma viagem paga em muitas prestações por nossa classe média. Podemos ainda tentar encontrar soluções que preservem a vida no planeta de riscos desnecessários e mesmo evitar medidas suicidas a longo prazo. O surpreendente é que, convidado a encontrar uma solução para evitar tal “extravagância” Gianetti traga de volta medidas clássicas da história brasileira, aquelas que preservam o consumo dos cidadãos do alto da pirâmide e penalizam o pessoal da parte debaixo. Diz que a “mudança decisiva” consiste em elevar o preço de “tudo que tem impacto ambiental.”

    Mostrando uma visão de cima para baixo da economia, longe de qualquer interferência dos interesses do povo, ele deixa claro que os preços podem impor uma realidade que a maioria das pessoas não aceitaria de livre e espontânea vontade. “ Eu não acredito que essa mudança virá porque as pessoas se tornaram conscientes e querem ajudar as gerações futuras. (…) Virá por uma mudança de preços relativos: terá de ficar muito caro fazer certas coisas.”

    Ameaçando até ecologistas com menos dinheiro no banco, ele afirma: “essas pessoas que viajam alegremente, cruzando o Atlântico, e que se consideram ambientalistas, quando chegar a hora de pagar a conta da extravagância que estão fazendo, vão chiar. “ Numa postura de quem acha que o arrocho no consumo virá de qualquer maneira, como uma fatalidade a que estamos todos condenados, ele faz uma ressalva. “O caminho que estou propondo é sofrido mas preserva a liberdade.” Em seguida, como se merecesse apoio por ser favorável à solução menos ruim, o economista afirma: “Se vier de outra maneira, vai ser impositivo. Será como foi nos países socialistas durante décadas. Fecha-se a possibilidade.” A formula, então, é conhecida. Ou se faz sacrifício. Ou é ditadura. Dentro do raciocínio, faz lógica.

    Por trás dessa visão de desenvolvimento e sustentabilidade, encontra-se um ponto de vista externo ao Brasil e aos brasileiros. É uma noção que vem de fora e envolve nosso lugar na história da humanidade. É fácil entender qual é: os países pobres, com seus bilhões de habitantes, consumistas insaciáveis (Gianetti chega a falar em “corrida armamentista do consumo”) se tornaram uma ameaça a estabilidade e ao futuro do planeta. Diz Gianetti: “Criamos no mundo moderno um sistema que é quase uma regra de convivência: você busca situações e posses que deem a você algum tipo de admiração, de respeito, daqueles que estão a seu redor. Contrapartida disso, quando se espalha e se massifica em escala planetária, na China, na Índia, no Brasil, é a destruição irreparável da natureza.” Você reparou: quando chineses, indianos e brasileiros entram no mercado de consumo, ocorre o apocalipse: “a destruição irreparável da natureza.” Será mesmo da natureza que o assessor de Marina Silva está falando? É claro que não. Estamos falando da vida daqueles milhões de cidadãos do mundo, inclusive brasileiros, que só agora conquistaram algum direito a melhoria, a um certo bem-estar. Nada revolucionário. Mas um progresso que não cabia no horizonte de seus pais nem de seus avós.

  9. juarez.j.j.

    15 de agosto de 2014 11:34 am

    Uma interrupção na caminhada,

    Uma interrupção na caminhada, por morte trágica principalmente, de um integrante de uma dupla, é uma perda que abala profundamente o que continua. É comparável a morte de um dos integrantes de uma dupla de cantores, onde é difícil imaginar e até de se ver o outro cumprir a agenda e continuar cantando na sequencia. A situação da candidata é muito difícil e parece que os que a cercam não tem noção, a começar pelo irmão do falecido.

  10. Vladimir

    15 de agosto de 2014 11:39 am

    A pesquisa  do Datafolha que

    A pesquisa  do Datafolha que deve será apresentada em breve deverá mostrar todo um “crescimento” de Marina Silva que poderá não mostra-se verdadeiro no decorrer da campanha.Os motivos serão a lembrança por parte dos eleitores do nome,a comoção causada pela morte de Eduardo Campos e,sobretudo,a maciça exposição na mídia de seu nome,além,é claro,da famos margem de erro.

    Contudo,Marina,se realmente vier a ser a candidata a presidência,será confrontada durante toda a campanha pela inconsistência de suas ações,pelos próprios pessebistas pela sua completa ausência no cenário político nestes 4 anos do governo da presidenta Dilma ,vivendo,portanto,de uma imagem caricata de seu passado ambientalista e político.

    A medida que a campanha for transcorrendo,assim como ocorreu com Campos,a desidratação do apoio midiático se fará prsente e,marina,mais uma vez,servirá de instrumento da direita.

    É espera para ver se os eleitores e os pessebistas deixarão enganar-se novamente.

  11. João Paulo Reis

    15 de agosto de 2014 11:41 am

    Aécio já era

    E trocar Dilma por Marina so se o povo brasileiro for louco

    http://www.viomundo.com.br/politica/emilio-rodriguez-pesquisometro-estadual-da-dilma-524-e-aecio-297-dos-votos-validos.html

  12. KURK

    15 de agosto de 2014 11:46 am

    Na boa, comoção por morte o

    Na boa, comoção por morte o Brasil teve quando morreu o Ayrton Senna, o resto para mim é papo furado, forçar a barra, ainda mais de político.

  13. Luiz Gonzaga da Silva

    15 de agosto de 2014 11:49 am

    “Diante desta situação, o PSB

    “Diante desta situação, o PSB corre o “risco” de ganhar as eleições e chegar ao poder comandado por uma pessoa com identificação mínima com o partido.”

    Creio que o PSB e o Brasil não correm esse “risco”.

    Virou moda duvidar da inteligência do cidadão brasileiro. Não é o caso desse artigo da Carta Capital, bem analítico e isento. Bem diferente dos publicados pela velha mídia que resolveu jogar todas as fichas na “sonhática”.

    Creio que estão superestimando Marina Silva e  seus badalados 20 milhões de votos. Todos nós sabemos que a grandissíssima maioria desses votos foram para a candidata como pderiam ir para qualquer um, tanto que migraram para Dilma no segundo turno.

    O Brasil mudou e muito nos últimos anos. A velha mídia tem feito uma avassaladora campanha para a oposição, e esta não decola. A resposta é simples para essa estagnação, a grande maioria não aceita perder o que conquistou, até mesmo os oposicionista.

    A entrada de Marina como cabeça de chapa na disputa ( a ecologista já estava na parada, só muda o status), aumenta realmente a possibilidade de segundo turno,pelo menos nessa fase de comoção.  Estamos assistindo  uma overdose de Marina Silva em todos os noticiários. O Datafolha já está com uma pesquisa na rua para pegar esse clima e criar a sensação de virada nas intenções de votos.

    Mas chegará a hora em que o eleitor questionará o que Marina tem a oferecer e comparar com as propostas de Dilma e Aécio. Aí o bicho vai pegar para a candidata da Rede Sustentabilidade. De Dilma leva uma surra. Em relação a Aécio há quase um empate. Aliás, a grande mídia ao insuflar Marina para derrotar o governo poderá colher o pior dos mundos: Dilma eleita no primeiro turno( vamos lá, até no segundo) e Aécio em terceiro.

    Nesse cenário, em 2018, simplesmente, não teremos oposição, vai dar Lula na cabeça.

    1. DanielQuireza

      15 de agosto de 2014 12:03 pm

      A maior parte da votação de

      A maior parte da votação de Marina migrou para Serra e não para Dilma.

      A aposta da mídia esse ano é Marina servir para levar a eleição  ao segundo turno mas ela não ir, do mesmo jeito que em 2010.

  14. Nilva de Souza

    15 de agosto de 2014 11:51 am

    A torcida dos campistas pela

    A torcida dos campistas pela Marina é visível, contra a Dilma e o PT vale tudo, até oportunistas vendidas ao capital.

    1. João Paulo Reis

      15 de agosto de 2014 12:29 pm

      Pq a bolsa caiu quando saiu a notícia da queda do avião

      Foi por isso que a Bolsa caiu quando o avião caiu. E que os rentistas pensaram que Marina estava junto. Eles só pensam em grana e sabem que podem dominar Marina através do Congresso e dos governadores em sua maioria do bloco conservador. Tudo contra o PT,  essa a palavra de ordem dos rentistas

  15. Vitor Carvalho

    15 de agosto de 2014 12:23 pm

    A vez de Marina!

    Sem ter culpa do que ocorrera ou sem poder ser chamada de oportunista, esta é a vez de Marina falar ao Brasil como pensa o futuro do país. A chance de ela chegar ao segundo turno ao lado de Dilma são grandiosas demais para serem deixadas de lado. No entanto, ele precisa se decidir em como liderar e compor com o PSB e esquecer por agora o seu plano pessoal da Rede.

    Marina terá nos próximos dias maior exibição para falar o que pensa sobre o país do que o horario eleitoral poderá dar a ela. Ainda mais, terá uma massa disposta a ouvi-lá através de outras plataformas, como a internet. Ela não pode ser acusada de oportunista, pois ela não demonstrou em nenhum momento em virar carniceira num momento de dor. Quem assistiu a entrevista dela após o acidente fatal que levou Campos, pode perceber o quanto transbordava os sentimentos de perda genuinos. Por este motivo, toda a exposição que a mídia colocará sobre ela será de ordem natural, seja pela nacessidade de vender notícia, seja pelo lado humano de se voltar os olhos com compaixão para as pessoas envolvidas num processo de perda. Somada ao seu discurso de necesidade de renovação do debate político no Brasil, tera um espaço grandioso a sua disposição. Torço por ela porque necessitamos adensar sim o debate no Brasil, e espero que ela o consiga fazer. Ela trará a disputa mais dura que o PT já enfrentara, e poderá colocar a campanha hipócrita baseado no espírito anti-petista do PSDB em crise. O PSDB corre sérios risco de ver o Aécio desmanchar, pois até agora ele chegou apenas onde Serra chegara no momento de sua maior queda em 2010. Por ser um candidato vazio ser preenchido por ideologia do mercado, Aécio até agora apenas surfou no espírito anti-petismo como candidato. Campos servira apenas de barreira para o PT não levar no primeiro turno, vide o desmonte de um palanque que Campos tentou e Marina forçou tanto em Minas quanto em São Paulo. Com Marina isso muda, mas também levanda novas questões: Marina aceitará servir de barreira? ou se colocara acima disso quando estiver próxima do Aécio? Como os palanques serão divididos quando eles estiverem lutando por votos?

    Entretanto há problemas no qual Marina terá de enfrentar. O primeiro está vinculado a sua falta da capacidade necessaria de execultar grandes projetos conciliando lados distintos do jogo. Ela não conseguiu fazê-lo quando ministra do meio ambiente e nem quando se propôs a organizar o seu partido. Isso é um fato e aqui recai o meu receio por acreditar no seu potencial. Porém, Marina terá de aproveitar o fato de ser ‘cadidata natural’ do PSB para agregar energia e liderar o partido, que possui vozes distintas. A agregação desta energia só tera sucesso se Marina deixar os planos de ter um partido voltado a sua personalidade para depois, e este depois dependerá da eleição. Ela terá de sinalizar claramente que estará fechada com o PSB se ganhar as eleições, e que suas idéias terão de ser adaptadas a esta nova realidade. ELA TEM DE SE ADAPTAR A NOVA REALIDADE E LIDERAR. Isso se dá por estar dentro do PSB pensando na estrutura da Rede. Se for diferente, ela será alavancada pela mídia e apoiadores interessados em sua cadidatura, mas terá de conviver com uma crise política que poderá ser transferida a nível nacional por não se saber como e com quem governará. Se Marina não LIDERAR o PSB, e pautar em como se fara o debate em estados que terá que dividir palaques com Aécio, será apenas um instrumento para levar as eleições para o segundo turno. Daí pelo menos terá tido a oportunidade de ter deixado a sua mensagem e podera abrir a Rede.

    E aqui reside a maior questão para o PSB. Se não aceitar a liderança de Marina, e tomar o lado dela na entrada de vez por uma disputa no segundo turno, o que farão sem o Campos como agregador, orfãos de Marina e da Rede, e fatiados entre apoios ao PT e PSDB. Neste caso, a força política do PSB adquirida nos últimos anos se desmontará. O seu destino estará ligado tanto ao PT quanto ao PSDB. Poderá sofrer derrotas irreversíveis nas próximas eleições, e sem um agregador e líder do tamanho de Campos, poderá jogar a idéia de ser uma terceira via trabalhada nos últimos anos na lata do lixo, pois o espaço do discurso irá para Marina. O que ocorrerá será o mesmo que ocorrera com o PV, só que o PV não tinha tanto a perder como o PSB hoje tem. Por isso, o PSB tem de SE ADAPTAR a nova realidade também: precisando de um líder, poderá oferecer este espaço a Marina? Estará ao lado dela, ou continuará sendo um embuste do PSDB nos dois colégios eleitorais do país? com o Campos podia se dar o luxo de compor o poder com partidos antagonicos nestes estados para amealhar poder e disputar em 2018. O tempo mudou e se adiantu com a tragia morte de Campos. Marina e PSB se adaptarão se serão grandes o bastante para serem Marina-PSB, ou não?

    Esta é a hora de Marina. O PSDB está em apuros. O PT preocupado. Será ela uma líder maior do que fora até agora? Conseguirá estar acima da vaidade de sua personalidade e corrigir os erros que impediram ela de ser uma verdadeira execultiva pública? The clock is ticking. Esta é a hora de Marina.

     

    1. CB

      15 de agosto de 2014 2:18 pm

      Será que ela vai falar sobre

      Será que ela vai falar sobre o aumento dos preços da carne e do leite para conter o esfeito estufa provocado pelo pum dos bois?

  16. DanielQuireza

    15 de agosto de 2014 12:44 pm

    No 247 surge a notícia de que

    No 247 surge a notícia de que o irmão de Campos quer ser vice de Marina. É impressionante o oportunismo desse camarada, um zé ninguem até ontem já quer ser candidato a vice presidente. Nâo é a toa que já no mesmo dia começou a explorar a tragédia no JN.

    1. jura

      15 de agosto de 2014 2:40 pm

      Como é o sobrenome dele?

      O sobrenome dele é Arraes, não é?

  17. Edivaldo Dias Oliveira

    15 de agosto de 2014 12:59 pm

    O avatar Marina. Que está por tras deste enigma

    Para entender a nova concorrente.

    O texto é super longo, mas bem informativo. As informações me parecem bastante verossímeis e não “muito” tendenciosas. Leia com atenção, dê o devido desconto de quem escreve tomando posição, que há muita coisa para se aproveitar.

    Destaco o último e mais engajado parágrafo.

    “A rede de Marina é mais complexa do que pode parecer à primeira vista. É menos sustentável do que quer fazer crer o “ambientalismo de mercado” promovido por seus integrantes. Está mais envolvida com as transações políticas tradicionais do que quer deixar transparecer a ex-senadora acriana, com seu discurso em defesa da ética e da novidade. A criação de seu partido, apresentada como a busca pela realização de novos sonhos, não pode apagar o fato de que a ascensão política de Marina e a projeção internacional de seu nome ocorreram à custa de sonhos e projetos de outras pessoas, os quais foram sendo destruídos nesse caminho. Essa profunda transfiguração faz com que Chico Mendes, aquele que apareceu no início dessa história, não tenha mais lugar na rede de Marina, a despeito das tentativas cínicas de associação de seu nome às “soluções” do capital para a crise ecológica, já que o líder seringueiro lutou contra esse sistema até o fim de sua vida. Marina encontrou outro rumo, outra “turma”, só não percebe quem não quer enxergar.”

     

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    A rede de Marina

    22.10.2013 | Fonte de informações: 

    Pravda.ru

     A rede de Marina. 19034.jpeg

    No último dia 16 de fevereiro, Marina Silva anunciou o lançamento da Rede Sustentabilidade, seu partido em construção. Muitos questionamentos já têm sido feitos às propostas apresentadas nessa ocasião pela ex-senadora acriana, que vem defendendo uma “nova forma de fazer política”, um “novo tipo de partido”, assim como um “novo tipo de militância”. As críticas têm conseguido demonstrar que Marina abusa de conceitos vazios para elaborar um discurso que tenta agradar ao maior número de eleitores. Também já se destacou a presença, nessa rede, de empresários como Guilherme Leal e Maria Alice Setúbal, apoiadores da campanha eleitoral de Marina à presidência da república em 2010, e a integração de outros políticos, como Heloísa Helena, a esse movimento de “renovação ética”.

    Mas a verdadeira rede de Marina é muito mais ampla e foi sendo construída ao longo de sua trajetória política. Alguns dos elementos centrais dessa trama não farão parte do seu novo partido, mas foram fundamentais para a construção do projeto político que dá sustentação à atuação pública de Marina Silva e à criação da Rede Sustentabilidade.

    Nesse mapa de relações pessoais de Marina, Chico Mendes é a primeira pessoa que deve ser destacada. Afinal, foi a luta dos seringueiros, da qual Chico era uma das principais lideranças, que deu maior projeção à então professora de história e sindicalista, que havia feito parte do movimento estudantil na Universidade Federal do Acre. Ligada às Comunidades Eclesiais de Base que, assim como os movimentos sociais urbanos de Rio Branco, foram importantes para fortalecer a organização e a resistência dos seringueiros na floresta, Marina também participou da criação da CUT e do PT no Acre, ao lado de Chico Mendes e tantos outros.

    A partir dessa relação com Chico, outras duas figuras centrais entraram na rede de Marina: a antropóloga Mary Allegretti, que colaborou com a criação do Conselho Nacional dos Seringueiros, e Steve Schwartzman, antropólogo norte-americano, ligado à ONG Environmental Defense Fund (EDF).

    Eles foram os principais responsáveis pela projeção internacional da imagem de Chico Mendes (a partir de sua famosa viagem a Washington para denunciar os impactos das obras da BR 364 ao Banco Mundial) e pela tentativa de transformação de seu legado político radicalmente anticapitalista – com fundamentação teórica marxista – apenas em uma luta pela preservação da floresta. Em um extremo quase caricato, chegou-se a apresentá-lo como uma versão amazônica do “pacifismo” de Mahatma Gandhi.

    A promoção desta “metamorfose” ocorreu logo após o assassinato de Chico, momento em que esses atores que haviam se aproximado do movimento dos seringueiros, especialmente Mary Allegretti, intencionalmente buscaram dissociá-lo das lutas sindical e pela reforma agrária. A partir das relações que estabeleceu enquanto atuava como “apoiadora” dos povos da floresta nos anos 1980, a antropóloga construiu na década seguinte uma carreira como consultora de projetos para a Amazônia financiados por instituições e agências internacionais. Figura dos bastidores do movimento ambientalista, Allegretti foi elemento importante nas negociações para implantação do PPG7 (Programa Piloto do G7 para proteção das florestas tropicais do Brasil, gerido pelo Banco Mundial, que orientou várias políticas do Ministério do Meio Ambiente). Entre outras coisas, contribuiu para a articulação do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), um grupo de ONGs e movimentos da Amazônia que deveria acompanhar as discussões e negociações dos projetos do PPG7 (essa articulação de ONGs, criada em 1993, teve Fábio Vaz de Lima, marido de Marina Silva, como seu secretário-executivo entre 1996 e 1999).

    Essa imagem de um Chico Mendes “ambientalista” também foi habilmente apropriada ao longo dos anos 1990 pela Frente Popular no Acre (PT e partidos aliados), assim como por Marina Silva. (Especialmente quando foi eleita para o Senado, ela assumiu nacionalmente a identidade de ecologista e “seringueira”, embora já vivesse há vinte anos na cidade de Rio Branco). Depois do assassinato de Chico, além de adotar o discurso da sustentabilidade, os grupos que então eram considerados as organizações de esquerda do Acre fizeram uma aliança fundamental para suas conquistas políticas posteriores: tornaram Jorge Viana, jovem herdeiro de uma tradição política familiar associada à ditadura militar, a principal liderança do PT no estado. Candidato a governador em 1990, quando levou a disputa ao segundo turno, foi eleito prefeito de Rio Branco em 1992. Nessa época era ainda comumente reconhecido como “filho do Wildy” (Wildy Vianna das Neves foi deputado estadual pela ARENA entre 1967 e 1979, e deputado federal entre 1979 e 1987. Seu cunhado, Joaquim Falcão Macedo, tio de Jorge, foi governador do estado entre 1979 e 1983, indicado pelo general Ernesto Geisel).

    O desempenho eleitoral de Jorge Viana conseguiu ajudar a eleger Marina ao Senado em 1994, o que o faz figurar como um elemento de destaque em sua rede de relações políticas. Em pronunciamento de 1998, quando comemorava a chegada da Frente Popular ao governo do Acre (uma aliança entre 12 partidos, entre eles o PSDB), assim como a eleição de Tião Viana, irmão de Jorge, para o Senado, Marina demonstrou sua admiração pela capacidade de articulação do novo governador: “Carismático, convincente e seguro, ele foi capaz de buscar aliados e apoiadores até mesmo em setores historicamente hostis à esquerda e ao Partido dos Trabalhadores” [1].

    Em 2001, o material de divulgação elaborado pelo gabinete da senadora comemorava as realizações dos primeiros anos de governo de Jorge Viana (no qual seu marido, Fábio Vaz, possuía cargo estratégico), destacando que: “Foi-se o tempo em que a ‘turma do Chico Mendes’ e empresários – principalmente madeireiros – eram como água e óleo. As coisas amadureceram nos últimos 15 anos, o mundo girou, o Acre está mudando, a ‘turma do Chico’ chegou ao poder e pôde concretizar suas ideias. Aplacaram-se radicalismos. Viu-se que é possível negociar diferentes interesses com ética e conhecimento técnico. (…) Por incrível que pareça, há madeireiros, pecuaristas e petistas sentados à mesma mesa.” [2]. Com esse tipo de declaração, Marina Silva ajudou a legitimar – utilizando levianamente o nome de Chico Mendes – um governo que conseguiu agradar tanto parte da antiga esquerda quanto a direita acriana, não tendo representado nenhuma ruptura significativa com a ordem política anterior.

    Defendendo essa atuação da Frente Popular, Marina foi reeleita senadora em 2002 (quando Jorge Viana foi reeleito governador) e, em 2003, assumiu o Ministério do Meio Ambiente do governo Lula. Nesse período passam a se destacar em sua rede outros atores, que já vinham atuando no Acre e se relacionavam com Marina em seu mandato anterior no Senado. Assim, esse momento não marca o início, mas a consolidação de um projeto, o fortalecimento de uma proposta específica de desenvolvimento para a Amazônia, defendido por esses indivíduos e organizações desde o início da década de 1990.

    O principal pressuposto dessa abordagem é o de que a floresta precisa ter um valor econômico para ser preservada e incentivos financeiros devem ser criados para que os indivíduos se abstenham de destrui-la. Propõe-se uma “economia verde”, em que as forças de mercado (com suas “falhas” devidamente corrigidas) proporcionem um uso sustentável dos recursos naturais. Trata-se de uma clara ofensiva do capitalismo neoliberal sobre a Amazônia. E essa é a lógica de fundo dos projetos do PPG7 (mencionado anteriormente), que definiram as principais políticas para a região nos últimos vinte anos, numa atuação integrada entre financiadores internacionais (Banco Mundial, USAID e agências europeias de “auxílio ao desenvolvimento”) e ONGs. Estes agentes trabalharam em “parceria” com o governo da Frente Popular no Acre (mas também em outros estados da Amazônia Legal) e com o Ministério do Meio Ambiente, antes mesmo da gestão de Marina Silva. Afinal, Mary Allegretti já era Secretária de Coordenação da Amazônia no MMA no governo FHC, durante a gestão de Sarney Filho.

    Marina deu continuidade a esse trabalho, em conjunto com sua equipe. Nela destacam-se ao menos três pessoas, que ainda hoje possuem função estratégica na rede de Marina: os engenheiros florestais Carlos Antônio Vicente e Tasso Azevedo e o biólogo João Paulo Capobianco. O primeiro foi Secretário de Florestas e Extrativismo do estado do Acre, no governo de Jorge Viana, cargo que tinha importância central na proposta de desenvolvimento sustentável da Frente Popular: a promoção do manejo madeireiro nas florestas acrianas. No MMA foi, primeiramente, diretor do Programa Nacional de Florestas (cargo que depois veio a ser assumido por Tasso Azevedo) e passou a ser assessor direto da ministra. Quando Marina voltou ao Senado, Carlos Vicente a acompanhou como assessor parlamentar. Foi exonerado do cargo em 2010 para se dedicar à campanha eleitoral de Marina, pelo PV. Ao fim do mandato da senadora, foi destacado para trabalhar na criação do Instituto Marina Silva.

    Tasso Azevedo, antes de entrar no MMA, era diretor executivo do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (IMAFLORA), trabalhando com a atribuição de um “selo verde” (o FSC) aos produtos provenientes do manejo florestal. Como Diretor do Programa Nacional de Florestas, fez parte da equipe que conseguiu fazer com que o Congresso aprovasse, em poucos meses, a polêmica Lei de Gestão de Florestas Públicas, que autoriza a sua concessão para exploração pelo setor privado e cria o Serviço Florestal Brasileiro, do qual Tasso Azevedo foi o primeiro Diretor Geral[3]. Tanto Carlos Vicente quanto Tasso Azevedo possuem relação com a ONG IMAZON (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia), uma das principais promotoras do manejo madeireiro na Amazônia (incluindo o Acre), que defendeu a aprovação da referida lei.

    O terceiro elemento importante na equipe de Marina no Ministério do Meio Ambiente é João Paulo Capobianco, que foi Secretário de Biodiversidade e Florestas e, ao final, Secretário Executivo do MMA. Capobianco é tido como um dos “mentores” da divisão do IBAMA, que levou à criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), órgão do qual ele foi o primeiro presidente. Servidores do IBAMA chegaram a acusar Marina e Capobianco de promoverem o sucateamento da fiscalização ambiental no Brasil. Quem acompanha a atuação do ICMBIO na Amazônia pode dar razão a essas denúncias.
    Atualmente, Capobianco preside a ONG Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), da qual também fazem parte Marina, Maria Alice Setúbal, Guilherme Leal e Ricardo Young. Foi o coordenador da campanha de Marina à presidência em 2010. Faz parte do conselho consultivo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e é membro do conselho de administração da Bolsa de Valores Sociais (Bovespa Social). É também pesquisador associado do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), uma das principais ONGs responsáveis pela defesa da criação de sistemas de venda de serviços ambientais na Amazônia (como exemplo, o mercado de créditos de carbono por desmatamento evitado, conhecido pela sigla REDD).

    O vice-presidente do conselho deliberativo do IPAM é Steve Schwartzman, aquele que, junto com Mary Allegretti, levou Chico Mendes aos Estados Unidos. Schwartzman segue atuando no Environmental Defense Fund (EDF), onde trabalha com o tema das florestas tropicais “e incentivos econômicos para proteção florestal em larga escala”. E também Marina Silva, desde 2011, faz parte do Conselho Consultivo do IPAM. Essa ONG, contudo, já estava integrada à sua rede enquanto era ministra de Meio Ambiente, tendo ela participado de debates organizados pelo IPAM nas reuniões da ONU sobre o clima. A parceria com a organização é fundamental também para o estado do Acre, que aprovou em 2010 uma legislação pioneira para promover a venda de serviços ambientais, quando Binho Marques, amigo de Marina desde os tempos da faculdade de História, era governador. Ainda mais interessante é observar que, enquanto Marina participava dessas conferências da ONU como ministra, Binho participava como representante do Acre e era acompanhado por Fábio Vaz de Lima, coordenador da área de desenvolvimento sustentável do governo estadual depois de ter deixado o cargo de assessor parlamentar do senador Sibá Machado.

    Nesse período o governo do Acre não só criou uma legislação extremamente avançada para a comercialização de “serviços ambientais”, como ainda estabeleceu um importante acordo para a venda de créditos de carbono com o governo da Califórnia, nos EUA. Neste processo, Fábio Vaz também é uma figura fundamental, do mesmo modo que Steve Schwartzman, já que sua ONG americana, o EDF, aparece nas negociações como “representante da sociedade civil”. Tendo permanecido no governo de Tião Viana como secretário adjunto da SEDENS (Secretaria de Estado, de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis), atualmente o marido de Marina é o principal responsável pela estruturação da agência criada para promover a venda de créditos de carbono no Acre. Observando a trajetória política de Fábio Vaz é possível perceber que sua atuação, realizada nos bastidores, sempre foi estratégica para o governo da Frente Popular do Acre, mesmo depois do afastamento de Marina Silva do PT.

    Assim, embora a ex-senadora acriana possa buscar dissociar sua imagem da herança deixada ao Acre pelos governos de Jorge e Tião Viana e Binho Marques – especialmente em um momento no qual a Frente Popular e sua proposta de desenvolvimento sustentável passam por um grande desgaste -, a rede de relações que os aproxima demonstra a artificialidade dessa tentativa. É bastante estranho que Marina venha anunciar que seu partido em construção optará por um novo tipo de política quando laços tão fortes a unem à velha forma oligárquica de governar.

    As críticas que Marina tem feito a Jorge Viana, pelo fato de este ter sido relator no Senado da proposta de alteração do Código Florestal e não ter atendido as solicitações dos ambientalistas, não parecem tão duras. E, se olharmos com calma, a “turma de Marina” acabou sendo beneficiada por alguns dos dispositivos da nova lei. Pouca gente percebeu a aprovação do que Gerson Teixeira, presidente da ABRA (Associação Brasileira de Reforma Agrária), chama de “armadilha fundiária e territorial contida no Novo Código Florestal”, resultado da articulação entre setores ambientalistas – esses da rede de Marina – e o capital financeiro, “com reverência da bancada ruralista” [4].

    Teixeira se refere ao regramento constituído pela lei para amparar e promover o mercado de pagamento por serviços ambientais (PSA), utilizando como principal moeda a chamada “Cota de Reserva Ambiental” (CRA), destinada a “compensar passivos” (áreas desmatadas irregularmente) até julho de 2008. Dito de outra forma, os proprietários de terras com “excedentes” de Reserva Legal estão autorizados a comercializá-los em Bolsa. E os que não possuem área de Reserva Legal suficiente podem recuperá-la através de plantio e regeneração ou adquirir as CRAs no mercado. Além desse esquema, o Código Florestal também prevê a possibilidade de remuneração dos proprietários pela manutenção das APPs (Áreas de Preservação Permanente), das áreas de Reserva Legal e as de uso restrito, que poderá ser feita pelo mercado nacional e internacional de redução de emissões de carbono. Como afirma Teixeira, essa nova legislação, além de ser “mais um golpe contra a reforma agrária no Brasil”, pode transformar o “patrimônio natural do país em alternativa especulativa para o capital financeiro”.

    Pensando de forma distinta, os representantes do IPAM (ONG que tem Marina Silva como associada honorária), no documento que elaboraram com “contribuições para o debate” no Senado, intitulado “Reforma do Código Florestal: qual o caminho para o consenso?”, defendem a adoção desses mecanismos de incentivos econômicos como forma de “recompensar aqueles que buscam a conservação florestal”. E outros parceiros de Marina devem também ter ficado satisfeitos com a criação desses instrumentos de “incentivo positivo”. É o caso, por exemplo, do empresário Guilherme Leal (da Natura Cosméticos, seu vice na chapa da candidatura à presidência em 2010), que é membro do Conselho da Biofílica Investimentos Ambientais, a “primeira empresa brasileira focada na gestão e conservação de florestas na Amazônia a partir da comercialização dos serviços ambientais”. No mesmo Conselho encontram-se figuras como Haakon Lorentzen (presidente do Grupo Lorentzen, fundador da Aracruz Celulose, acionista controlador da Cia de Navegação Norsul, a maior empresa privada brasileira de transporte marítimo) e José Roberto Marinho (vice-presidente das Organizações Globo e presidente da Fundação Roberto Marinho). A Biofílica já trabalha (segundo seu site na internet) na área de compensação de reserva legal criada pelo Novo Código Florestal, realizando a “formatação e transação de instrumentos de compensação de modo a solucionar o passivo de proprietários rurais”.

    Para fomentar o mercado de Cotas de Reserva Ambiental (CRAs), o país já conta com uma “bolsa de valores ambientais”. Criada em dezembro de 2012 para a negociação de contratos ligados ao meio ambiente, a BVRio é uma ONG que tem em seu Conselho Consultivo a participação dos governos estadual e municipal do Rio de Janeiro. Em sua plataforma de negociação de ativos ambientais, a BVTrade, já estão sendo negociadas as “moedas verdes” do Código Florestal (as CRAs), através de contratos de desenvolvimento e entrega futura, tendo em vista o fato de que a lei ainda necessita de algumas regulamentações. Os criadores da BVRio, os irmão Maurício e Pedro Moura Costa, sócios da empresa E2 Sócio Ambiental, estimam que o “mercado de devedores ambientais pode gerar negócios de R$ 100 bilhões e R$ 500 bilhões, dependendo do custo médio das transações”[5].

    Pedro Moura Costa, presidente executivo da BVRio, tem em seu currículo o desenvolvimento do primeiro projeto de certificação de crédito de carbono do mundo, na Ásia. Em 1997 fundou sua antiga empresa, a EcoSecurities, que se tornou líder mundial na venda desses créditos e foi comprada pelo banco de investimentos JP Morgan em 2009. Além da BVRIO, a E2, nova empresa de Pedro Costa, está desenvolvendo um programa de pagamentos por serviços ambientais no município de Paragominas, no Pará, em parceria com o IMAZON (aquela ONG da qual fazem parte Carlos Vicente e Tasso Azevedo, como relatado anteriormente, e também o próprio Pedro Moura Costa).

    A E2 ainda integra uma “plataforma de investimentos para a região amazônica” denominada Guardiãm, “fundada por um grupo de profissionais que incluem investidores, empresários, executivos e líderes na causa amazônica”, entre os quais se pode destacar Caio Túlio Costa (co-fundador do UOL, secretário de redação e ombudsman da Folha de São Paulo), Henri Philippe Reichstul (que foi presidente da Petrobrás) e dois dos principais integrantes da rede de Marina Silva: Tasso Azevedo e João Paulo Capobianco. Ao que tudo indica, as pessoas desse grupo não apenas conhecem como poucos o caminho para um lobby eficiente no Congresso Nacional e nas Assembléias Estaduais, conseguindo fazer aprovar legislações favoráveis a seus interesses. Eles parecem possuir também a capacidade “admirável” de aproveitar ao máximo as possibilidades criadas por essa estrutura jurídico-institucional que ajudaram a construir.

    As possibilidades de negócios criadas pelos novos mercados de ativos ambientais também têm chamado a atenção do agronegócio, que identifica as vantagens financeiras de adotar essa “fachada verde” proporcionada por iniciativas como a da BVRio. É o que vem deixando claro a própria porta-voz dos ruralistas, a senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura. Outro “prócer” do agronegócio, o senador Blairo Maggi, já tinha aderido à defesa do mercado de carbono em 2009, quando ONGs que trabalham em conjunto com o IPAM na divulgação desse mecanismo na Amazônia lhe apresentaram as vantagens econômicas que ele poderia trazer aos latifundiários do Mato Grosso. Talvez um dos maiores expoentes do “agronegócio verde” no Brasil, em 2011 o Grupo Maggi fez sua primeira venda de “soja responsável” (um lote de 85 mil toneladas), com o “selo verde” atribuído pela WWF (num programa de “certificação ambiental” realizado em parceria com Bunge, Cargill, Monsanto, Nestlé, Shell, Syngenta, Unilever, etc) [6].

    É possível que Marina Silva ainda não tenha integrado Kátia Abreu e Blairo Maggi diretamente a sua rede, mas a WWF, ONG certificadora de soja e cana-de-açúcar, está nela há bastante tempo. Em 2008, Marina recebeu do Príncipe Philip da Inglaterra (o marido da Rainha), a Medalha Duque de Edimburgo de Conservação, o prêmio mais importante concedido por essa organização internacional. Em 2012, foi a vez da ONG receber um certificado de reconhecimento do governo da Frente Popular do Acre, “entregue a personalidades e instituições que auxiliaram na construção da história local”, na data em que se celebrou o aniversário de 50 anos do estado[7].

    A rede de Marina é mais complexa do que pode parecer à primeira vista. É menos sustentável do que quer fazer crer o “ambientalismo de mercado” promovido por seus integrantes. Está mais envolvida com as transações políticas tradicionais do que quer deixar transparecer a ex-senadora acriana, com seu discurso em defesa da ética e da novidade. A criação de seu partido, apresentada como a busca pela realização de novos sonhos, não pode apagar o fato de que a ascensão política de Marina e a projeção internacional de seu nome ocorreram à custa de sonhos e projetos de outras pessoas, os quais foram sendo destruídos nesse caminho. Essa profunda transfiguração faz com que Chico Mendes, aquele que apareceu no início dessa história, não tenha mais lugar na rede de Marina, a despeito das tentativas cínicas de associação de seu nome às “soluções” do capital para a crise ecológica, já que o líder seringueiro lutou contra esse sistema até o fim de sua vida. Marina encontrou outro rumo, outra “turma”, só não percebe quem não quer enxergar.
     
    ________________________________________

    [1] Pronunciamento no Senado Federal, em 15/10/1998. Disponível em:
    http://www.senado.gov.br/atividade/pronunciamento/detTexto.asp?t=232864
    [2] Revista da Marina. Publicação do Gabinete da Senadora Marina Silva, 2001.
    [3] No período em que o tema foi debatido no Congresso, Fábio Vaz de Lima, marido de Marina, era assessor parlamentar de Sibá Machado, suplente de Marina no Senado.
    [4] “Novo código florestal na estrutura agrária brasileira”. Análise de Gerson Teixeira, jornal Brasil de Fato, edição de 28/09/2012. Disponível em:http://www.brasildefato.com.br/node/10733.
    [5] “Eles negociam florestas”, reportagem da Revista Época, edição de 10 de dezembro de 2012, p. 102.
    [6] “Grupo Maggi inicia venda de soja com selo verde”. Jornal Valor Econômico, 16/06/2011. Disponível em:
    http://www.grupoandremaggi.com.br/wp-content/uploads/2012/06/rtrs1.pdf
    [7] Fábio Vaz Lima, marido de Marina, esclarece a importância da WWF para o Acre nesse vídeo, em que apresenta um projeto feito pela ONG em parceria com a SKY Reino Unido: http://www.youtube.com/watch?v=6qQZ0pdZHaQ

     

     

  18. jura

    15 de agosto de 2014 2:39 pm

    Abraçado ao Chuchu

    “Um dos acertos mais problemáticos foi feito em São Paulo, onde o PSB apoia, e conta com o apoio, do PSDB de Geraldo Alckmin.

    A tragédia acabou no caminho de um abraço do herói num Chuchu seco.

  19. airam

    15 de agosto de 2014 3:08 pm

    Uma grande oportunidade e um grande desafio

    Marina tem diante de si uma grande oportunidade: trazer o debate político para um outro patamar, discutindo o “novo” e olhando mais para o futuro do país.

    Por outro lado tem um grande desafio: falta de “estofo” político para encarar o desafio. Marina não é um “Lula de saias”, ela tem somente as saias…

  20. Roberto São Paulo-SP 2014

    15 de agosto de 2014 3:32 pm

    A nova perspectiva do PSB

    Creio que precisamos lembrar que agora o PSB passa a ter uma perspectiva totalmente diferente, que vai altera a forma de atuação nas próximas eleições.

    A aliança com a Rede e Marina Silva se deu muito em função de fatores circunstanciais, do que função de proximidades políticas e ideológicas.

    Sem uma liderança nacional do peso de Eduardo Campos, o mais provável é que o PSB volte a fazer alianças com o PT, nos municípios, nos estados e principalmente a nível nacional, o que pode ser determinante na decisão sobre o substituto de Eduardo Campos.

    Creio que a maioria da atual direção do PSB vai optar por um nome do PSB para disputar o cargo de presidente e manter Marina Siva para a vice presidência, já visando o rompimento com a rede e uma reaproximação com o PT, após as eleições.

  21. W K

    15 de agosto de 2014 3:33 pm

    Marina pensa que

    o Acre é Brasil, quando, na verdade o Brasil é muito maior do que um Acre. E esse Brasil tem problemas imensos completamente diferentes para resolver do que se basear em uma certa “ideologia seringueira”. 

    Tentar obter votos no Nordeste com uma conversa mole de “preservação da natureza” é mais ou menos como proibir paulista de andar de carro. Impedir a construção de usinas hidroelétricas por causa de uma teoria exótica que apenas suspeita que elas poderiam em tese perturbar o equilibrio ecológico, enquanto o Nordeste clama por regularidade de abastecimento de água, o que pode ser obtido justamente como subproduto dessas usinas é, no mínimo, tolice. 

    O Collor com o seu partidinho PRN, sua arrogância desmedida e uma ajuda da Grobo também achava que o Brasil era só uma Alagoas, bastando falar grosso; mas quando a coisa apertou um pouco para o lado dele, ele tratou de se evadir, como todo arrogante flagrado em irregularidades. 

    Marina, que não consegue emplacar um partido, que cria atritos por onde passa, que pensa acreanamente, me parece que não completaria nenhum mandato.

  22. Fulvia

    15 de agosto de 2014 6:03 pm

    A visão de Brasil da

    A visão de Brasil da justiceira da floresta é tacanha, não vai além do Acre.  Ela vai servir apenas aos abutres do atraso. Esse é o papel dela, atrapalhar e confundir.  Se o Brasil eleger essa mulher, o país mergulhará na mais completa, sombria e abjeta gestão de governo.  Querem coisa mais contraditória, ser ecológica, religiosa e ter a campanha bancada por banqueiros e outros magnatas do mesmo naipe. 

    Essa criatura é despreparada, ungida pelo atraso fundamentalista e totalmente intransigente quanto a questões ecológicas, haja vista, o papel negativo que ela desempenhou negando licença ambiental com a finalidade de inviabilizar  a construção das hidrelétricas que eram vitais para o crescimento do país.  Gostaria de saber o que ela propõe e qual a visão dela para assuntos hidrelétricos.  Seria a madame, a favor de não investir em matrizes limpas de energia, ou será que ela é a favor de investirmos em centrais atômicas com fins de suprir a demanda de energia que é crescente e urgente?  Ou será que ela é a favor de simplesmente voltarmos a época das cavernas e vivermos nas trevas da escuridão moral, espiritual e cultural, cujos fundamentalistas “religiosos” são os maiores representantes. 

    Outra visão tacanha dessa senhora, é a implicância com o agronegócio, sem o qual, a nossa balança comercial despencaria brutalmente, e passaríamos a conviver com déficits mensais em nossa balança de pagamentos. Ainda outra questão, a implicância dela seria somente com Alckmin, e com o restante da bancada do psdb, ela é simpática? E sobre o avanço dos direitos das minorias homoafetivas, o que ela tem a dizer? Será que ela contrariará a visão divina de sua religião que afirma que homossexualidade é pecado e homosexuais são doentes, permissivos e pederastas? Ela fará ressurgir a cura gay?

    Ela não engana nem seus co-cidadãos acreanos, vale lembrar que ela não ganha eleição por lá, e por isso veio para o centro-sul do país, tentar nos enganar com bandeiras arcaicas e pensamentos pra lá de atrasados e ultrapassados.

  23. Alexandre Weber - Santos -SP

    15 de agosto de 2014 8:11 pm

    A Marina é uma ecologista mediocre

    Sob o ponto de vista da ecologia profunda e holistica, a Marina é uma oportunista desclassificada.

    Não joga na liga profissional, nem amadora.

    Lhe falta tudo para ser uma presidenta da república do Brasil.

    Num mundo complexo, superpovoado e globalmente interligado.

    Nada disto está presente no discurso simplório e simplista da defensora das matas e tomadora de Daime.

    Não soma um centavo ao PSB, valia pelo recall de votos que trazia, só isto.

    1. Alexandre Weber - Santos -SP

      16 de agosto de 2014 7:09 pm

      Por outro lado é inteligente e pode se atualizar

      A Marina entretanto não é um caso perdido, ainda. Dá para ela se atualizar com a agenda ecológica profunda e com isto se habilitar a ser a estadista que irá conduzir o Brasil para o Sec. XXI, um mundo superpovoado e interligado, mas que não tendo ainda atingido o ponto de não retorno, poderá e deverá ser manobrado para a sustentabilidade e bem estar geral.

      Ou seja, o amadurecimento político ecológico da candidata, com o peso do cargo em disputa definirá os rumos do Brasil.

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