Por Rui Daher
Do Terra Magazine
Economia e política, troca-troca de difícil penetração
Que não se espere, neste ano, isenção das folhas e telas cotidianas sobre os rumos e estado da economia brasileira. Virão sempre depois de penetrados por duro viés político.
Não me refiro às negociações pontuais da Petrobras ou às licitações fraudulentas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, cenas explícitas desse troca-troca.
Afinal, escândalos financeiros, corrupção, apropriação de favores nada republicanos, fisiologismo político, tudo sempre teve alta arrecadação nas bilheterias dos poeiras pornôs da Federação de Corporações. Um ferro a que já nos acostumamos sem saber aonde iremos dar.
Trata-se de massa de bolo feita com farinha do mesmo saco bancário e empreiteiro, ovos postos em tribunais que julgam a peso de ouro, e fermentada em paraísos fiscais.
O teratológico se passa mesmo é sob os lençóis da luta pelo Planalto. Parceiros, que se dizem concorrentes, suam num ménage à muito mais do que trois. Descobertos, mais do que emoção erótica, mostrarão aos desavisados voyeurs cenas de um circo de horrores.
Os gemidos vindos de lá propõem introduzir no orifício Brasil um aríete de conceitos que visa adiar o pouco feito para a formação de uma sociedade menos desigual.
Nas vísceras desse robalo a nos ser enfurnado, estão alertas de explosão inflacionária, desnivelamento entre emprego, renda e produtividade do trabalho, enfim, certa austeridade que arromba gregos e troianos da gastança pública, quando direcionada à inserção social.
Em março passado, escrevia-se ser injustificado o assombro nos olhares de William e Patrícia, no JN da TV Globo, com a “inflação dos alimentos”, pois sazonais.
Agora, diante da queda na inflação, se constata: “Foi um choque agrícola, com altas nos preços do setor causadas por redução de oferta, devido a problemas climáticos”.
Ora, pois. Não pensem ver isso reconhecido com foco não adversativo. Manchete do caderno Economia, da Folha de São Paulo, em 10 de maio:
“Inflação cai em abril, mas fica mais perto do teto da meta em 12 meses”.
Gancho dado, os paladinos da ‘austeridade’ pedirão elevação dos juros, enquanto outros, diante da evidente desaceleração que um dia chegaria ao setor automotivo, ameaçarão com demissões.
No assunto, vale a pena refletir sobre o que escreveu a excelente colunista doValor, Cláudia Safatle, em 08/05: “O que não se vê nas negociações entre governo e Anfavea é alguma contrapartida da indústria. A cada vez que o Ministério da Fazenda reduz ou isenta as montadoras do pagamento do IPI, deveria haver algum compromisso formal, por escrito, da indústria de exportar mais, reduzir margem de lucro, seja lá o que for. Trata-se da mais velha indústria sendo tratada como se fosse empresa nascente”.
Insisto aqui em dois pontos:
1) Os aumentos de preços, quando não os sazonais ou aqueles administrados e ainda equivocadamente represados, são provenientes de expectativas causadas por um pessimismo exagerado com o Brasil, de fundo puramente político e restrito ao plano nacional, que faz indústria, comércio e serviços anteciparem o ganho marginal na precificação dos produtos;
2) Fazer política econômica ‘austera’, às custas de desemprego, queda na renda do trabalho e redução de gastos sociais, na espera de um futuro que, em décadas, apenas assegurou o bem-estar das classes privilegiadas, não é fruto de bons princípios da economia, mas crime eivado de pretensão política.
Quem assim escreve ou discursa, mente, e sabe disso.
Votação realizada em evento publicitário do jornal Valor Econômico – não discuto, é publicitário sim! – para premiar CEOs dos principais setores da economia da Federação de Corporações, em 07/05, mostrou:
“De 249 convidados presentes, entre os quais os CEOs premiados de 23 setores econômicos e gestores influentes de grandes empresas brasileiras, votaram 103. Aécio Neves ficou com 72 votos, 70% do total. O candidato do PSB, Eduardo Campos, teve 17 votos, 16,5% das preferências. A presidente Dilma Rousseff teve apenas 3 votos”.
Como será que pensa essa pesada maioria?
Assis Ribeiro
13 de maio de 2014 11:48 amAgora se inventou o “copo
Agora se inventou o “copo meio cheio”, “copo meio vazio”, reverberado pelos próprios alternativos, como eufemismo para a irresponsabilidade e crimes da nossa grande mídia.
luka
13 de maio de 2014 2:13 pmÉ de suma importância que o
É de suma importância que o governo crie programa de fato inovador para pequenas e micro empresas. É estratégico nao só por fomentar a economia, mas para trazer uma nova geração de empreendedores mais voltados para o nosso mercado e menos acostumados aos vicios da velha guarda financista.
Não vejo como algo complicado de implementar, mas até o momento apenas mmedidas timidas sem perspectiva foram apresentadas.
Acorda Dilma!