3 de junho de 2026

Por que não votarei em Bolsonaro, por Sergio Saraiva

Eu e Bolsonaro somos da mesma geração. Ele de 55 e eu de 59. Vivemos o mesmo tempo. 

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Por que não votarei em Bolsonaro, por Sergio Saraiva

Qual era o ano? 1986 ou 1987? Que importa? Foi a primeira vez que ouvi falar de Bolsonaro. Um oficial bravateiro e indisciplinado – um mau militar afrontando a hierarquia ao falar a uma jornalista de um plano para um atentado terrorista mirabolante rascunhado em uma folha de papel. Iria explodir bombas, estava insatisfeito com o salário que recebia.

Foi preso, depois se desculpou com o comandante e disse que tudo não passava de mentiras da jornalista. Bolsonaro já era assim; quando a coisa fede, ele cai fora e culpa os outros.

Acredito que Bolsonaro falou o que falou – gosta de chamar a atenção sobre si e é oportunista. Mas não acredito que Bolsonaro fosse de fato explodir qualquer bomba. Bolsonaro gosta de fazer crer que pertencia à “tigrada”, mas sempre me pareceu um bunda mole. “Tigrada” era como eram chamados aqueles que na época realmente explodiram bombas – às vezes mataram pessoas, como na OAB em 1980 – às vezes morriam tentando explodi-las, como no Riocentro em 1981. Bolsonaro nunca foi um deles. Sobra-lhe saliva, faltam-lhe culhões.

Não creio mesmo que Bolsonaro já tenha disparado um tiro contra alguém. Delira que combateu o Capitão Carlos Lamarca, no Vale do Ribeira – mas isso foi em 1970 e Bolsonaro, então com 15 anos, ainda não tinha terminado sequer o 2º grau. O pessoal não confere datas e Bolsonaro segue com as suas mentiras sobre si mesmo. Porém, na única vez em que poderia ter entrado em enfrentamento real – durante um assalto – medrou. “Mesmo armado, se sentiu indefeso” – palavras dele. Os assaltantes levaram a sua moto e a sua arma. Bolsonaro não morreu em nome da Pátria.

Em mulher ele bate. Há casos de agressões relatados por várias mulheres – inclusive ex-esposa. 

Mas Bolsonaro sempre soube se dar bem. Trabalhou apenas por 11 anos no Exército e se aposentou como capitão. E ainda chama os outros de vagabundos.

Depois disso, nunca mais ouvi falar de Bolsonaro. Até creio que 2013, quando então soube novamente dele; agora acusado de ter agredido um senador do PSOL. Já fazia 22 anos que ele era deputado federal. Passou desapercebido por tanto tempo por quê?

Porque – fora desses momentos de violência, onde conseguia alguma repercussão midiática – Bolsonaro jamais teve qualquer influência no Congresso.

Agora, se apresenta como candidato à presidência da República. Passaram-se mais de 30 anos. Esse senhor parece nada ter aprendido com a vida. A mesma alusão à violência, o mesmo fanfarrão e o mesmo bunda mole fugindo de qualquer confronto – até mesmo de um simples debate. Esse é o candidato a presidente para tirar o Brasil da crise?

Bolsonaro não é a solução – mas é o problema.

Bolsonaro é um incompetente. E esse é um motivo para dizer: ele não. Quando a coisa ficasse difícil, como sempre, ele iria colocar a culpa em alguém, para fugir a assumir suas responsabilidades. Diz e desdiz o que disse, com a facilidade dos que mentem até para si mesmos. Presidente, iria delegar o governo. Bolsonaro nunca demonstrou gostar de trabalhar. Em pouquíssimo tempo, Bolsonaro seria uma desilusão para todo esse povo que sinceramente espera uma mudança para melhor. Já vi outros “salvadores da Pátria” como Bolsonaro. Collor de Mello. Bolsonaro não seria diferente.

bolsonaro agressão

Mas há outro motivo. Bolsonaro é um mal maior do que ele próprio – Bolsonaro autoriza gente do mal. Gente ressentida. Gente frustrada que – como Bolsonaro – culpa os outros pelos seus próprios fracassos. Que quer vingança pelas suas próprias derrotas. E Bolsonaro assumiu compromissos com esse povo do mal. E aí não tem solução que não seja dizer: eles não.

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PS: Oficina de concertos Gerais e Poesia – mantendo a vela acesa que é para a bruxa não voltar.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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  1. JB Costa

    27 de outubro de 2018 2:48 pm

    Excelente. Tenho mais medo

    Excelente. Tenho mais medo dos seguidores do Bolsonaro que do mesmo. O capitão nunca passou de um fanfarrão(rima intencional). Compará-lo a personagens históricos como Hitler ou Mussolini é um despautério. Aliás, não merece comparação com ninguém. Medíocres, como sabemos, existiram e existem aos milhões.

    Bom, isso enquanto não empalmar o Poder. Um inepto circundado por uma trupe que vai de reacionários revanchistas, conservadores empedernidos a liberalóides desvairados poderá fazer um estrago dos diabos num país prenhe de problemas e atravessando uma encruzilhada na sua história. 

    O que temos pela frente é o desconhecido. Ou seja: o pior dos cenários. 

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