Engenheiros debatem vantagens de reservatórios em hidrelétricas

Jornal GGN – Em um fórum de debates realizado no Rio de Janeiro, especialistas abordaram os motivos que levaram o Brasil a não investir mais na construção de hidrelétricas com grandes reservatórios, privilegiando, ao invés disso, usinas a fio d’água.

Reservatórios menores representam impactos ambientais menores. No entanto, contando praticamente apenas com a vazão dos rios para gerar energia, as usinas a fio d’água não garantem a mesma segurança energética. De acordo com o engenheiro Flávio Miguez os reservatórios ainda têm a vantagem de conter enchentes e resolver problemas de falta d’água em épocas de seca.

Do Clube de Engenharia

Painel amplia o debate sobre hidrelétricas e eficiência energética

Na última quinta-feira (05), o Clube de Engenharia sediou o evento “Hidrelétricas com grandes reservatórios de acumulação”, com a apresentação de três palestras sob a responsabilidade de representantes do Comitê Brasileiro de Barragens. O evento foi promovido pela Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) e a Divisão Técnica de Energia (DEN) do Clube, além do Comitê Brasileiro de Barragens. Em um cenário em que o país não investe mais na construção de novas hidrelétricas com grandes reservatórios e os órgãos responsáveis só têm autorizado a construção de hidrelétricas a fio d’água, o debate se faz absolutamente necessário.

Os palestrantes entendem que não é eficiente descartar os muitos benefícios das hidrelétricas com grandes reservatórios e privilegiar as usinas a fio d’água. Estas representam, ao mesmo tempo, menor impacto ambiental e menos eficiência na geração de energia elétrica, utilizando um volume de água constituído, basicamente, do próprio leito do rio e de mais uma pequena área inundada. As hidrelétricas com grandes reservatórios inundam uma área maior e regulam a vazão da água, para que se gere mais energia. Esses reservatórios ainda apresentam diversas outras vantagens, como a possibilidade de armazenar mais ou menos água para períodos mais secos ou chuvosos.

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O engenheiro Luciano Nobre Varella, diretor secretário do Comitê Brasileiro de Barragens, apresentou algumas dessas vantagens com a palestra “Geração hidroelétrica e o SIN – Sistema Interligado Nacional”. Lembrando que os anos secos desde 2012 evidenciaram a falta de mais reservatórios de armazenamento de energia, citou como obstáculo o longo tempo que levam os estudos, aprovações, licenciamentos e outras fases de implantação de usinas hidrelétricas, de modo que a reintrodução de reservatórios no Sistema Integrado Nacional se torna um esforço de longo prazo. O acordo da 21ª Conferência do Clima (COP21) privilegia as fontes de energia limpa e as usinas hidrelétricas reversíveis se apresentam como alternativa para a expansão da matriz de geração de energia elétrica, portando muitas vantagens.

Ainda segundo Varella, os reservatórios em diferentes bacias hidrográficas, interligados, produzem efeitos sinérgicos positivos para o sistema. Complementando, o engenheiro Flávio Miguez relatou que os reservatórios são capazes de conter enchentes e resolver problemas de épocas de seca.

Necessidades energéticas

Ao tratar de “Hidroelétricas planejadas com operação a fio d’água – defesa ou ataque ao meio ambiente?”, Miguez afirmou que a necessidade energética brasileira só vem crescendo: nos últimos 36 anos a população brasileira cresceu 81% enquanto o consumo de energia cresceu 646%. Nos próximos 10 anos, a capacidade hidrelétrica deve crescer 61%. Para mostrar a necessidade dos reservatórios, comentou que, desde o início da prática da agricultura acumula-se água, que é a commodity mais preciosa do século XXI. A eficiência energética é urgente: segundo dados apresentados por Miguez, o Brasil hoje tem a tarifa de energia elétrica mais cara do mundo. Os reservatórios, que chegaram a volumes baixíssimos nos anos anteriores, agora começam a se recuperar. Mesmo assim, os custos para consumidores serão altos, apagões poderão ocorrer e, em geral, há uma carência muito grande de regularização hidráulica. Mas os reservatórios, interligados, são capazes de produzir benefícios além da geração de energia. Eles armazenam água, vento, biomassa e insolação, contribuindo para o bom ciclo de chuvas. “Podemos usar melhor nossos reservatórios e mudar a mentalidade de que todos os reservatórios em todas as regiões do Brasil devem ser operados a fio d’agua”, concluiu.

Os números em escala nacional e global também preocupam Erton Carvalho, presidente honorário do Comitê Brasileiro de Barragens. Segundo ele, é preciso olhar para a realidade atual: existem dois bilhões de pessoa sem acesso à água. Com a palestra “Reservatórios de regulação de vazões – benefícios – experiência brasileira”, ele mostrou que o país tem condições de suprir melhor suas necessidades com as hidrelétricas e os reservatórios. A água no solo brasileiro corresponde a 12% da água superficial mundial. No nosso país, 70% dela está na região norte.  A Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas tem mais de seis milhões de km², com uma vazão de 200m³ por segundo.  A bacia do Rio Paraná, no sul do país, gera quase 45% da energia no país. Esta reúne mais de 40 reservatórios, e os maiores fazem controle de cheias. Neles, reduz-se o volume antes do período chuvoso, e quando as chuvas chegam, o sistema interligado cuida que os vários reservatórios encham. “Este é um grande benefício, uma contribuição que o setor elétrico dá para a sociedade”, comentou Carvalho. A bacia do Rio São Francisco faz o controle de cheias em 12 reservatórios.

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Vantagens diversas

No Brasil são projetadas barragens relativamente pequenas para evitar complicações no processo, principalmente legais, mas no total há mais barragens gerando pouca energia do que menos barragens mais eficientes. Na opinião de Carvalho, é preciso uma união de esforços de técnicos, ambientalistas e outros envolvidos no processo, para se entrar num acordo para o futuro do país. Os reservatórios também podem servir para a navegação: temos cerca de 20 mil quilômetros de trechos de rios navegáveis, e algumas barragens brasileiras possuem eclusas para viabilizar a navegação. O engenheiro ainda afirmou que, fora do Brasil, fala-se que nossos reservatórios são grandes emissores de gases de efeito estufa. No entanto, um grupo de trabalho criado pela Eletrobrás monitorou oito reservatórios e algumas usinas termelétricas e identificou que, nos reservatórios, além de a emissão de gás carbônico ser, relativamente, muito pequena, alguns chegam a absorver esse gás. Já as termelétricas emitem uma quantidade muito maior de CO2.

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3 comentários

  1. Por pressão de ONGs externas

    Por pressão de ONGs externas com interesses escusos estão acabando com que se tem de melhor no Brasil: a geração de energia limpa. E ainda tem nacionais que apoiam essa sandice.

     

  2. MAIS DADOS

    Está faltando mais análises: as nascentes dos rio é que deveriam ser preservadas..Sebastião Salgado, Ernst Gotsch.. Sem presrvação das nascentes e dos inumeros mananciais os rios estão morrendo lentamente..Não serão baragens que irão grantir água….

     

    Veja o caso do Rio São Francisco…Tem  30% a menos de volume de água….Sus nascentes estão mortas , sem vida….Falar em barragens sem pensra nisso é desconhecer os ecossitemas e a sustentabilidade desse processo

  3. Mas quem é do ramo sabe  que

    Mas quem é do ramo sabe  que usinas a fio dagua são uma droga em eficiencia. Dinheiro jogado fora.

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