Justa, plataforma que monitora o funcionamento do Judiciário, será lançada hoje

Idealizada pela pesquisadora Luciana Zaffalon e sediada pelo IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais), a ferramenta conta com um comitê formado por integrantes de diversas instituições de pesquisa no Brasil e no mundo.

Jornal GGN – Com o objetivo de monitorar permanentemente o funcionamento do Judiciário, sobretudo na relação com os demais poderes, será lançado hoje o Projeto Justa. De saída, o projeto revela resultados inéditos sobre o Sistema de Justiça brasileiro.

A intenção é responder questões básicas, que permeiam tal universo. Se os juízes estão entre os mais ricos do país, é certo que para isso ganham acima do teto. Além do mais, para se chegar ao cargo é necessária uma formação que os levam para os estratos ricos do país antes e depois do ingresso na magistratura. Junte-se a isso o fato de que o Judiciário recebe do Executivo sucessivos créditos adicionais. E é preciso entender ainda a composição da carreira quanto a raça e gênero.

Para responder a tantos questionamentos e entender como se dá a gestão do sistema de Justiça na prática, que o projeto de dados Justa acontece. Baseado na ciência de dados e aliado à tecnologia de ponta, a plataforma se torna uma ferramenta de análise que dá corpo aos questionamentos e mostra os impactos que a proximidade dos Três Poderes pode ter na vida democrática.

A plataforma traz informações nos âmbitos da justiça criminal e da segurança pública dos estados de Ceará, Paraná e São Paulo com foco em quatro eixos: Orçamento, Legislativo, Suspensão de Segurança e Raça e Gênero. A ferramenta automatiza a coleta de dados públicos diretamente dos sites das instituições pesquisadas (ministérios públicos, defensorias públicas, tribunais de justiça, governos e assembleias estaduais).

Idealizada pela pesquisadora Luciana Zaffalon e sediada pelo IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais), a ferramenta conta com um comitê formado por integrantes de diversas instituições de pesquisa no Brasil e no mundo. No comitê, entidades como o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, o Centro de Estudos em Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas, o Centro de Estudos em Desigualdade e Discriminação da Universidade Nacional de Brasília, Iniciativa Negra por Uma Nova Política Sobre Drogas, Instituo Brasileiro de Ciência Criminais, Pastoral Carcerária Nacional, Transparência Internacional e o King’s Collegge London da Universidade de Cambridge. O levantamento de dados e a tecnologia da plataforma foram desenvolvidos pela Open Knowledge Brasil, o braço da Open Knowledge Internacional.

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Segundo Luciana, o Justa se propõe a identificar, a descrever e a publicar informações que evidenciem as relações de interdependência existentes entre os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – no âmbito estadual em que se concentram as questões de segurança pública e sistema prisional e surge da vontade de transformar os dados da tese de doutorado, concluída em 2017 pela Fundação Getúlio Vargas, em um observatório permanente que permita monitorar o funcionamento do sistema de Justiça, sobretudo na sua relação com os outros poderes.

Além disso, a plataforma trabalha somente com dados oficiais e, para obtenção dos números, valem-se da Lei de Acesso, tanto na transparência ativa como a passiva.

O Justa é financiado pelo Instituto Betty e Jacob Lafer e conta também com o apoio da Fundação Friedrich Ebert. A plataforma estará disponível a partir de hoje, dia 11 de junho. Conheça, leia as análises e faça suas próprias descobertas: http://www.justa.org.br

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5 comentários

  1. O nosso país ainda não saiu do século XIX!
    No século XIX foi por pressão dos ingleses é que foi feita a libertação dos escravos!!!
    Escravos que libertos não tiveram acesso a ganhos econômicos, pois poderiam ser dado a eles terras para cultivarem numa época sem tecnologia teriam igualdade de condições, poderiam prosperar como fez Abrahão Lincoln após a Guerra de Secessão e não foi chamado de comunista!
    Estamos vendo a classe dominante vampirizar toda economia com aval das mesmas forças lá do passado!
    Há povo sem país e não há pais sem povo!
    É o povo é a mais importante parcela de um país, é ele que dá dimensão as riquezas naturais e intelectuais!
    Não é bolsa de valores o termômetro da economia, é o desembolso dos trabalhadores aqueles que fazem a força da economia!
    O STF não entende que asfixiando economicamente o povo, o salário deles fica em risco!
    Aqui só ganha os muito ricos!

  2. “…Com o objetivo de monitorar permanentemente o funcionamento do Judiciário, sobretudo na relação com os demais poderes, será lançado hoje o Projeto Justa. De saída, o projeto revela resultados inéditos sobre o Sistema de Justiça brasileiro…” Do Povo, pelo Povo, para o Povo. Só existe uma saída. A fiscalização e transparência obtidos pela Sociedade Civil. O preço da Liberdade é a eterna vigilância. E na vanguarda desta vigilância deveria estar a Entidade Civil que representa o tripe mais forte da Estrutura da Justiça. A OAB. Transparente, Civil, Autônoma, Independente,…Esperar isto de uma Entidade que surge na ascensão de Governo Ditatorial Fascista? O Poder Judiciário, suas decisões, suas aberrações e deturpações em quase 9 décadas é de muito fácil explicação.

  3. a justiça é das entidades mais injustas de um estado. Geralmente, conivente com mazelas e irregularidades, protetora dos mais ricos, acobertadora da pior causa da corrupção que é a sonegação e ocultação da “verdade”.
    E o grave é onde estão os funcionários que mais retiram dos fundos públicos com seus altos salários e privilégios de marajás.

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