4 de junho de 2026

A corrupção na Fifa

Por sandro

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Do Opera Mundi

Corrupção na Fifa ameaça votação sobre sedes das Copas de 2018 e 2022

A votação mais badalada da história da Fifa está marcada para 2 de dezembro. De uma só tacada, a entidade que comanda o futebol mundial decidirá as sedes das Copas do Mundo de 2018 e de 2022. Mas a recente denúncia de que dois membros do comitê-executivo aceitaram se reunir com falsos lobistas norte-americanos pode levar ao adiamento da decisão, criando mais um grande constrangimento ao presidente Joseph Blatter.

A Justiça da Suíça já investiga o caso, que envolve reuniões do presidente da Confederação de Futebol do Oeste Africano, o nigeriano Amos Adamu, e seu colega da Oceania, o taitiano Reynald Temarii, com um falso grupo de representantes empresas dos Estados Unidos, feito, na verdade, de repórteres do Sunday Times. O Mundial de 2022 é o objetivo dos ianques, que no início de outubro retiraram sua candidatura para o evento em 2018.

OsdoOs dois membros do comitê-executivo da Fifa se reuniram com jornalistas que fingiram ser lobistas. Nos encontros, em Londres e no Cairo, Adamu afirmou que queria cerca de 700 mil dólares para construir quatro campos artificiais de futebol na Nigéria. Ele aparece em um vídeo pedindo apoio para um projeto pessoal, mas depois diz que está discutindo propostas do pós-Mundial em seu país e que seu voto não estaria à venda.

O taitiano pediu um pagamento de quase dois milhões de dólares para bancar uma academia, durante um encontro em Auckland, na Nova Zelândia. Os jornalistas falaram com seis autoridades da Fifa que sugeriram o pagamento de suborno aos membros do comitê-executivo. Histórias parecidas já surgiram na votação que deu à Alemanha o direito de receber a Copa de 2006, vencendo a África do Sul por magra diferença.

Depois que o caso se tornou público, Temarii e Adamu evitaram fazer comentários. A princípio, ambos seguem no comitê-executivo que definirá as sedes dos Mundiais pós-Brasil 2014, em um dos processos mais turbulentos e potencialmente corruptos da história do esporte na modernidade. O incidente pode afetar também a candidatura da Inglaterra à Copa de 2018, já que os votos africanos se inclinavam para os britânicos.

Adiamento ou não

Membros da Fifa defendem que a votação só ocorra depois do fim do inquérito. Representantes de governos interessados na Copa, como o chanceler britânico William Hague, já demonstraram publicamente preocupação com as denúncias, que mancham todo o processo e colocam as outras candidaturas também em dúvida. Membros do governo russo pediram investigações urgentes, antes da votação.

Blatter preferiu, de acordo com o jornal Sunday Times, escrever uma carta aos 24 membros do comitê para prometer investigação e pedir silêncio sobre o assunto. Um dos membros do comitê, o norte-americano Chuck Blazer, correu para dizer que a votação seguirá adiante, mas ninguém nos corredores da Fifa tem a mesma certeza. “O comitê de ética não deve demorar muito para saber o que realmente aconteceu”, disse.

EUA, Austrália, Japão, Catar e Coréia do Sul tentam receber a Copa de 2022. Inglaterra, Rússia, Espanha/Portugal e Bélgica/Holanda querem a sede em 2018. Muitos chegaram a participar dos dois processos de escolha, mas informações de bastidores, dando conta de que membros da Fifa estavam cobrando taxa de retorno para cada um dos Mundiais em disputa, desanimaram algumas das candidaturas a receber a Copa.

Desde 2009, o processo de escolha dos Mundiais de 2018 e 2022 é visto como fonte de corrupção. Ingleses, que querem receber sua segunda Copa, e russos, que visam sua primeira, investem pesado em encontros de membros da Fifa com autoridades e empresas estatais que financiariam o evento. Muitos dos dirigentes já viajaram em férias às custas das candidaturas dos países europeus. Ainda não há favoritos para vencerem as disputas. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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