4 de novembro de 2026

Onda democrata conquista Congresso dos EUA e impõe revés histórico a Trump

Rejeição a Trump garante maioria na Câmara e no Senado; Lula vê chance de frear sanções e investigar ida de Flávio Bolsonaro aos EUA
Donald Trump - The Official White House Flickr - Reprodução

▸ Partido Democrata conquista maioria nas duas casas do Congresso dos EUA nas eleições de meio de mandato.

▸ Democratas ampliam força no Senado e retomam a Câmara, superando apoio republicano em redutos conservadores.

▸ Vitórias históricas incluem diversidade no poder e impacto na política externa dos EUA com reflexos no Brasil.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

O Partido Democrata assegurou, na madrugada desta quarta-feira (4), a maioria nas duas casas do Congresso dos Estados Unidos. O resultado das eleições de meio de mandato, realizadas na terça (3), consolida um revés histórico para o presidente republicano Donald Trump. A oposição não apenas retomou a Câmara dos Representantes, como ampliou sua força no Senado com vitórias inéditas em redutos conservadores.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Até a manhã de quarta, os democratas contabilizavam 54 das 100 cadeiras no Senado. Na Câmara, a sigla virou 25 assentos antes ocupados por republicanos, atingindo 228 parlamentares eleitos, 10 a mais que os 218 necessários para garantir a maioria absoluta.

Economia e imigração pesam nas urnas

A derrota republicana reflete a insatisfação do eleitorado com o atual cenário econômico e diplomático americano. Embora o PIB mantenha um ritmo de crescimento próximo a 3%, a alta inflação e o aumento no custo de vida pesam sobre a população. A situação foi agravada por juros elevados, guerras comerciais e o fechamento do Estreito de Ormuz após o início do conflito com o Irã.

Esses fatores somaram-se à rejeição da comunidade latina à política migratória da Casa Branca. As operações agressivas de deportação conduzidas peloServiço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) causaram retração no apoio hispânico. Em estados como Kansas e Texas, condados com maioria latina registraram deslocamentos drásticos de votos em direção à esquerda.

Reação da Casa Branca e embate com bilionários

Diante da perda da maioria legislativa, Trump indicou um recuo em sua retórica de confronto. Em entrevista ao jornal The New York Times, o presidente declarou: “Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados“. Ele indicou a necessidade de alianças para governar: “Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento“.

A moderação contrasta com declarações feitas dias antes do pleito. Em um podcast, Trump havia prometido bloquear a agenda opositora. “Acho que vou me tornar o Sr. Veto“, afirmou na ocasião. “Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo“.

A vitória democrata também superou o volume de doações de bilionários aliados a Trump, como Elon Musk, que investiu milhões em campanhas republicanas. O democrata James Talarico, que quebrou um jejum histórico ao ser eleito senador pelo Texas, celebrou o resultado: “Acabamos de provar que todo o dinheiro do mundo não é páreo para o povo do Texas”.

Em Iowa, o senador eleito Josh Turek reforçou a mensagem após sua vitória: “Provamos que o impossível era possível. Superamos os bilionários na votação”.

O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, traduziu o otimismo do partido. “Uau! Uau! Agora, contra todas as expectativas, nós, democratas, conquistamos o Senado”, disse em Washington. “Temos cinco palavras para o povo americano: o alívio está a caminho.”

Renovação demográfica no poder

As eleições de 2026 também marcaram uma diversificação no perfil político do país, com vitórias pioneiras. Abdul El-Sayed (Michigan) e Chris Pappas (New Hampshire) assumem cadeiras no Senado, tornando-se, respectivamente, os primeiros senadores declaradamente muçulmano e homossexual.

Nos governos estaduais, Deb Haaland (Novo México) será a primeira mulher indígena no cargo; Gina Hinojosa (Texas), a primeira hispânica; e David Crowly (Wisconsin), o primeiro negro a governar o estado. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms fará história como a primeira governadora negra dos EUA.

Reflexos no Brasil e pauta diplomática

A nova correlação de forças no Capitólio altera as perspectivas para o governo brasileiro. A gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) projeta que o Congresso sob controle democrata atuará como um freio à política externa de Trump, dificultando o avanço de tarifas punitivas sobre bens brasileiros e reduzindo atritos diplomáticos na América Latina.

A mudança também fortalece as cobranças sobre a atuação do governo americano em relação à permanência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos. Dias antes das eleições, um grupo de quase 30 deputados democratas enviou um ofício ao secretário de Estado, Marco Rubio, exigindo esclarecimentos sobre uma suposta facilitação na entrada do parlamentar brasileiro no país. Com poderes de maioria, a bancada democrata avalia a possibilidade de abrir uma comissão de inquérito sobre o caso.

LEIA TAMBÉM:

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Recomendados para você

Recomendados