No quinto aniversário do ataque ao Congresso dos Estados Unidos, o governo de Donald Trump oficializou uma plataforma digital destinada a reescrever a história do 6 de Janeiro de 2021. Hospedado no domínio oficial da Casa Branca, o site descreve a invasão como um “protesto pacífico” e apresenta os participantes como “patriotas americanos”, vítimas de um sistema de Justiça que teria sido “instrumentalizado”.
A iniciativa integra um esforço deliberado da atual gestão para desmontar as conclusões de investigações parlamentares, processos judiciais e auditorias eleitorais que atestaram a legitimidade da vitória de Joe Biden em 2020. O conteúdo da plataforma afirma que sua missão é “corrigir um erro histórico”, retomando a tese, já rejeitada por tribunais e órgãos eleitorais, de que houve fraude na eleição presidencial.
Revisão de fatos e celebração da anistia
A nova página dedica espaço central à exaltação das anistias concedidas por Trump logo após sua posse. Em 20 de janeiro de 2025, o republicano já havia anunciado a medida: “Vou assinar perdões para muita gente”, declarou.
Os perdões foram direcionados principalmente a condenados por crimes não violentos, enquanto, nos casos mais graves, o governo defendeu a substituição de penas.
O site também constrói uma linha do tempo seletiva da invasão. Segundo a narrativa oficial, Trump teria incentivado seus apoiadores a agir de forma ordeira. O portal afirma:
“O presidente Trump discursou para centenas de milhares de apoiadores, apresentando o que chamou de evidências de fraude eleitoral e incentivando a multidão a marchar até o Capitólio para ‘fazer suas vozes serem ouvidas de forma pacífica e patriótica’. Ele enfatizou a necessidade de lutar pelo país com força e determinação, fazendo um apelo explícito por um protesto pacífico”.
Transferência de responsabilidade
Além de relativizar os fatos, a plataforma desloca a responsabilidade pelo colapso da segurança para adversários políticos e antigos aliados. Nancy Pelosi, então presidente da Câmara, é apontada como principal culpada. O site sustenta, sem apresentar documentos, que ela teria ignorado ofertas de tropas feitas por Trump e gasto cerca de US$ 20 milhões para construir uma narrativa de “insurreição” com fins políticos.
Nem mesmo Mike Pence, vice-presidente durante o primeiro mandato de Trump, escapa. Segundo o portal, Pence teria desperdiçado a “oportunidade” de contestar as listas eleitorais, permitindo a certificação da vitória de Biden.
Em contraste, a página exibe fotos de apoiadores de Trump mortos nos eventos e de outros cinco que, segundo o governo, teriam cometido suicídio após o que chama de “perseguição impiedosa”.
O contraste com os registros oficiais
A versão agora promovida pela Casa Branca ignora o cenário documentado em 2021, quando parlamentares e jornalistas precisaram ser evacuados sob tiros, uso de gás lacrimogêneo e confrontos diretos com a multidão.
Naquela manhã, antes da invasão, Trump declarou: “Eu estarei com vocês. Vamos andar até o Capitólio e felicitar nossos bravos senadores e congressistas”.
Somente após a ocupação do prédio, o então presidente fez um apelo pela retirada: “Vocês têm que ir para casa. Precisamos ter paz, precisamos ter lei e ordem e precisamos respeitar nosso grande pessoal de lei e ordem. Não queremos ninguém ferido”.
Apesar da tentativa atual de rebatizar o episódio como o “dia do amor”, os dados oficiais permanecem inalterados:
| Impactos do 6 de Janeiro (2021) | Dados Oficiais |
|---|---|
| Vítimas fatais diretas | 5 mortes no local ou logo após |
| Policiais feridos | Cerca de 140 agentes |
| Danos materiais | US$ 2,8 milhões |
| Indiciados | Mais de 1.500 pessoas |
Cinco anos depois, os registros da Justiça americana e da Polícia do Capitólio seguem classificando o episódio como uma das maiores crises institucionais da história moderna dos Estados Unidos, marcada pela invasão da sede do Legislativo, pela violência generalizada e pela morte de cidadãos e agentes públicos.
Carlos
8 de janeiro de 2026 3:30 amA sucia de extrema direita é composta por perigosos débeis metais que não descansam na tentativa insana de deformar a história.
Isso em qualquer parte do mundo.