Por Valter Vilar
A folha publicou esta matéria em 02 de Abril de 2014: Brasil é o pior em retorno de imposto à populaçao, aponta estudo… onde questiono a maneira em que os dados foram mostrados.
Perceba que neste gráfico da Folha (quase) todos os países até o décimo lugar são de primeiro mundo, obviamente! Uma estratégia para colocar o Brasil lá embaixo! Questiono os Estados Unidos em primeiro lugar, já que eles gastam muito, mas muito dinheiro com militares e é sabido que os países nórdicos deveriam ser os melhores neste sentido. Mas olha só como um gráfico pode ser facilmente manipulado. Vá neste link do OECD: http://www.oecdbetterlifeindex.org/#/00000000500 para criar em tempo real o seu gráfico e altere o quesito Life Satisfaction (Satisfação com a vida) para o máximo, depois altere todos os outros quesitos para zero. Veja como o Brasil sobe… E desce a depender do que se muda no gráfico… Aí voce pode ver como a notícia, por exemplo: Bem estar no Brasil fica equiparado a países de primeiro mundo de acordo com gráfico da OECD pode ser criada e é ”verdadeira”… Mas está se desconsiderando todo o resto… Parecido com o que a Folha fez nesta ”reportagem”.
meiradarocha
4 de abril de 2014 8:21 amBRASIL É TERCEIRO EM EFICIÊNCIA TRIBUTÁRIA
Entre 30 países de média e alta carga tributária, o Brasil está em terceiro lugar em eficiência de aplicação do dinheiro dos tributos, se calculado o custo de cada mili-ponto do IDH. Melhor que o Brasil, só Uruguai e Argentina.
Este estudo desmonta outro “estudo” divulgado por um instituto tributarista (IBPT), que possui seríssimos problemas metodológicos, pois não leva em conta a arrecadação per capita dos países.
https://docs.google.com/spreadsheet/ccc?key=0AuERPic3WeZGdDR0X1AxeExmdXhxdXVfYXVwOTlMS2c&usp=sharing
ArthurTaguti
4 de abril de 2014 2:16 pmCurioso que o IBPT tenha
Curioso que o IBPT tenha colocado os EEUU em 1º. Das economias mais ricas, é a mais desigual, e com falta de serviços básicos já consolidados em outros países (como a universalização do sistema de saúde).
Muito já se discutiu, aliás, sobre a distorção de análise que a elevada renda per capita americana traz, já que não leva em conta a extrema re-concentração de renda das últimas décadas.
As posições da tabela, aliás, vem num padrão onde as economias mais eficientes são as com…carga tributária menor. Será que Alemanha, França e os escandinavos estão nas últimas colocações junto com o Brasil?
PS: quando se fala de crescimento do PIB, pululam análises como “ah, o Brasil cresceu mais que os EEUU e o Japão”, como se isso significasse grande coisa.
Luis S
4 de abril de 2014 2:18 pmNao precisa de numero
Este tipo de indicador realmente e’ sujeito a manipulacao, assim como o e’ a tentativa do autor de invalidar os numeros.
De toda forma, nao e’ necessario muito estudo para saber que o grau de retorno dos impostos a populacao e’ baixissimo no Brasil. Quem tem pouco, nao recebe servicos minimamente adequados; quem tem muito, paga os servicos duas vezes – atraves dos impostos e depois no particular.
E realmente dizer que ‘os 10 primeiros sao paises de primeiro mundo’ nao e’ uma boa resposta. Nem sequer e’ uma resposta, e’ apenas fatalismo, aceitacao da inferioridade… E’ como aquele aluno mediocre que quando o pai reclama que o vizinho sempre tira notas mais altas, responde: “mas ele e’ um dos melhores da classe”!!! Que pai vai responder: “ah, ta certo, agora eu entendi, tudo bem que voce continue sendo mediocre…”?
Ugo
4 de abril de 2014 3:22 pmcomparações
“Tentativa do autor de invalidar os números”: é o argumento que está tentando invalidar.
Comparar as bananas dos oito anos do fhc com as bananas dos oito do Lula seria bem melhor, de todo o resto é o resto.
dagoberto saraiva
4 de abril de 2014 5:04 pmImpostos no Brasil
Quando você precisar de remédios para AIDS ou um transplante de fígado, o que espero não aconteça, não vale, então, recorrer ao SUS …
Valter Vilar
4 de abril de 2014 5:06 pmPerfeito!
Entao meu caro Luis S. voce entendeu a mensagem da Folha muito bem, e pode sair por aí desmentindo a tentativa deles de colocar o Brasil em 30 lugar. Ora, qualquer coisa que eu fizer por automática anulaçao, o Brasil nao vai estar entre os (aproximadamente) 10 primeiros países: Saúde, Segurança, Salários, Educaçao, etc. entao porque vir com esta notícia ”bombástica”: Brasil é 30o. colocado… O leitor da Folha por acaso é estúpido? Nao seria mais justo um outro tipo de chamada na matériadeles? O Brasil ainda nao está em condiçoes de ”competir” com outros países na maioria destes quesitos. A sua comparaçao entao do aluno foi perfeita!… para a Folha.
Jorge Luis
4 de abril de 2014 2:38 pmEu comentei isso no post de
Eu comentei isso no post de um amigo que colocou essa pesquisa no Facebook.
Como os EUA estão em primeiro lugar no benefício a população gerado pelos seus impostos se eles nem tinham um sistema de saúde gratuíto e universal (que o Obama está implantando, embora apanhe todo dia por causa disso), tem o maior orçamento militar do mundo e vão gastar, por exemplo, 1.45 trilhões de dólares só com o projeto do caça F-35?
Como os gastos gigantescos com as invasões do Iraque e Afeganistão podem gerar benefícios diretos para a população? Como o caça F-35 vai beneficiar o povo mais do que os sistemas de saúde e educação gratuítos existentes na maioria dos países nórdicos?
Não faz nenhum sentido.
Valter Vilar
4 de abril de 2014 5:20 pmObama care é uma falácia, infelizmente!
Infelizmente, o Obama care é uma falácia! Nao é digno de um país de primeiro mundo. Infelizmente também, o Obama, chamado de presidente dos drones (Os robos voadores armados), foi pra mim uma decepçao. O Bush, eu já sabia o que esperar mas o Obama… Justiça seja feita, o Obama herdou o país com um dos maiores déficits da história dos Estados Unidos, se nao for o maior.
O que entendo dos Estados Unidos é que nao importa o Presidente, Republicano ou Democrata, os planos já foram traçados pela administraçao e nao fogem muito ao que está no mapa do Império americano.
Valter Vilar
6 de abril de 2014 5:00 amMais coisas que deixei de fora no assunto principal
Nao quis comentar do Sistema de Saúde americano porque moro no Canadá, e embora o sistema do Canadá nao seja maravilhoso, funciona bem melhor que nos Estados Unidos (Google: Michael Moore Sicko). Temos relatos de amigos de amigos que perderam a casa, nos Estados Unidos, porque tiveram que fazer uma operaçao coronária ou outra cirugia qualquer, e era morrer ou vender a casa, por causa dos custos pra quem nao tem Seguro Saúde. Outro caso, acho que famoso, foi do homem que foi dado a escolha de qual dos dedos da mao salvar.(http://articles.mercola.com/sites/articles/archive/2013/03/16/high-health-care-costs.aspx). Isto nao acontece, de forma alguma, no Canadá, a nao ser por erro médico, outra longa história.
Também nao concordo com a pesquisa da Folha, pelo fato dos Estados Unidos terem inúmeras cidades fantasmas, uma grande cidade que fica aqui na borda do Canadá, é Detroit, onde pode-se comprar uma casa por 1 dólar (Google: US Ghost Towns). As pessoas perderam muito dinheiro. Imagine que tinha-se que pagar ao banco 350.000 dólares pela casa e agora ela vale 1 dólar. A obrigaçao de pagar o banco continua (Se continuar morando na casa).. Lembrando que as pessoas perderam os empregos e tiveram que se mudar pra outras cidades pra achar novos empregos e recomeçar a vida.
A guerra faz dinheiro, muito dinheiro porém, quem vai ver este dinheiro sao as Corporaçoes. A Haliburton por exemplo detem quase todos os contratos militares. E o que aconteceu com os militares foi, que aumentou o número de contractors (terceirizados). Entao no passado, existiam um terceirizado pra cada 10 soldados, hoje está o inverso. No Governo dos Estados Unidos, Bush, Obama (Que decepçao) eles demitiram os funcionários públicos, cheios de direitos, e recontrataram como terceirizados, sem direitos e por menor salário. Eh uma companhia hoje que mantém boa parte dos serviços que antes eram providos pelo governo americano com seus funcionários públicos. Acredito que o sistema nos Estados Unidos hoje é o Corporatismo. Mesma coisa nas escolas. Depois do Katrina, muitas escolas públicas nos Estados Unidos, naquela regiao, passaram a ser gerenciadas por Corporaçoes.
Com o maior poder dado às Corporaçoes, os Sindicatos foram acabando. Por exemplo, o que a GM, Ford, Chevrolet, fizeram com demissoes em massa dos empregados das linhas de montagem Nos Estados Unidos e Canadá). Aqui no Canadá, onde Sindicatos eram fortíssimos, a coisa também já está mudando. Na verdade o Canadá com o governo corrente segue os Estados Unidos, em quase tudo. Nao temos partidos de esquerda aqui, so Centro e Direita.
Aplaudo este governo por estar tentando tirar o máximo de pobres da miséria absoluta porém, nao sei se sacrificando a classe média. Classe alta, vai ser classe alta nao importa que holocausto venha. A impressao que tenho é que brasileiros nunca viajaram pro exterior e compraram tanto quanto nos últimos anos.
Minhas fontes sao: (Autora canadense que adoro) Naomi Klein, No Logo, The Shocking Doctrine.
Death of the Liberal Class: Chris Hedges
Noam Chomski: Todos os seus livros mas Hegemony or Survival and Failed States sao perfeitos
Documentários mil, sou um ávido consumidor de documentários.
Mário Mendonça
4 de abril de 2014 3:08 pmNassif
Nem 5% da população
Nassif
Nem 5% da população lê este pasquim
Klaus BF
4 de abril de 2014 3:29 pmMas não adianta.
Colega meu que senta ao meu lado no trabalho comentou justamente o resultado da “reporcagem” da FSP. Tentei contestar, mas não adianta! Triste isso.
Edsonmarcon
4 de abril de 2014 3:57 pmO fluxo da notícia
salete
4 de abril de 2014 4:48 pmQuando a gente vê a classe
Quando a gente vê a classe média, a que tem vários modos, maneiras de se informar e não usa nada senão a informação da máfia midiática, dá vontade de sair e protestar contra esses pulhas idiotizados eternos. E, pior, eles sabem que a mídia é apenas um balcão de negócios, mas não cnseguem se libertar dela. Acho que é a síndrome do vira-lata que não permite que eles evoluam junto com o seu país. Tudo que é para matar, discriminar, eliminar, exterminar(ouço essa palavra frequentemente na boca desses imbecilizados) pobre, para eles, parece ser muito bom. Já, ladrão rico, aquele que liquida com os impostos pagos por essa classe média débil, parece, para eles, ser normal e, portanto, permissível!!!!!!!!!!!!!1 Haja mediocridade!
Demarchi
4 de abril de 2014 5:00 pmArrecadação per capita, esse dado é que é importante.
Como camparar países em que :
– as alíquotas de impostos são mais elevadas que as do Brasil
– a grande maioria da população paga impostos de % semelhantes
– os impostos dessas sociedades mais igualitárias são aplicados há muitas décadas e o retorno à população idem.
No Brasil uma minoria recolhe impostos que são destinados à melhoria das condições de vida da grande maioria da população, que está carente de tudo há séculos.
Só não vê quem não quer que essa matéria da folha é como sempre tendenciosa, manipulada, contando com a “ingenuidade” de seus leitores.
Ari
4 de abril de 2014 9:42 pmExatamente isso!
Muitos
Exatamente isso!
Muitos críticos da carga tributária no Brasil usam artimanhas para justificar seus pontos de vista. Fazem isso para consquistar e manter seguidores incautos. A idéia geral é pegar o cidadão leigo que acredita que o governo arrecada suficientemente para oferecer serviços públicos de qualidade como são oferecidos em outros paises. Relacionar IDH com Carga Tributária é mais uma destas artimanhas. IDH é um índice que se conquista ao longo de décadas e tem muito pouca relação com carga tributária. Em relação aos impostos, IDH tem mais relação com receita-per-capita. O correto seria comparar a receita-per-capita destes paises com os seus IDH. Mesmo assim não seria suficiente, pois outras variáveis irão interferir no IDH, como distribuição de renda, por exemplo. Nao seria correto, para justificar retorno de impostos, comparar IDH de paises com receitas-per-capita iguais, mas com uma distribuição de renda completamente diferentes. Paises com perfil de distribuição de renda injusta demandam muito mais por políticas públicas básicas(que demandam mais receita), pois têm um grande contingente de marginalizados. Olha que não estou querendo aqui defender a idéia de que não dá para oferecer melhores serviços com o orçamento que existe. Meu questionamento é se, com os recursos atuais, seria possível oferecer serviços públicos com um mínimo de qualidade, dada as característcias sócio-econômicas atuais do Brasil. Para melhoria das condicôes do IDH teríamos que promover profundas reformas no sistema de distribuição de renda, a começar pela carga tributária injusta. Num país onde 50% tem uma renda familiar per capita inferior a R$ 440,00 (apesar de uma carga tributária incompatível), não há como não aumentar proporcionalmente a carga tributária, por exemplo, de famílias com renda familiar per capita de R$ 2.500 (5% da população), R$ 5.500 (1% da população) e R$ 10.000 ou mais (0,2% da população). Tratar o assunto de impostos como foi tratado pelo Folha e pelo IBPT é sofisma. Acredito que no caso dos papagaios de pirata da mídia é paralogismo.
josé adailton
4 de abril de 2014 5:39 pmPolítica
O auto-engano é comovente quando é político partidário, ninguém pode duvidar.
Pereira Pereira
4 de abril de 2014 5:56 pmvc tb n está imune a isso,
vc tb n está imune a isso, Pato Donald.
André Nacur
5 de abril de 2014 1:13 amMantra dessa Nação
Desconstrução,Desconstrução,Desconstrução,Desconstrução,Desconstrução…
meiradarocha
5 de abril de 2014 5:34 amBrasil é 3º em ranking de eficiência em aplicação de impostos
Entre 30 países de média e alta carga tributária, o Brasil está em terceiro lugar em eficiência de aplicação do dinheiro dos tributos, se calculada a arrecadação em relação à pontuação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Melhor que o Brasil, só Uruguai e Argentina.
Este estudo desmonta outro “estudo” divulgado por um instituto tributarista (IBPT), que possui seríssimos problemas metodológicos, pois não leva em conta a arrecadação nominal per capita dos países, mas o percentual de carga tributária.
Na tabela abaixo, calculei o custo de cada milésimo de ponto IDH. Ela mostra a arrecadação — e, portanto o quanto cada país gastou — para atingir um mesmo resultado. Quanto menor o custo da pontuação IDH, mais eficiente será o país, pois consegue o mesmo resultado com menos gastos.
http://homemquecalculava.blogspot.com.br/2014/04/brasil-e-3-em-ranking-internacional-de.html
gentilhomme
5 de abril de 2014 1:54 pmparabéns pelo blog!
Cara, é fantástico teu blog. Te garanto que dentro do governo, no qual há Ministérios com departamentos inteiros para avaliar políticas públicas, não há hoje quem seja capaz de informar resutados aos dirigentes com simplicidade e precisão comparáveis.
Por outro lado, não pude deixar de observar o especimen típico de nossa classe média lobotomizada comentando teu ranking. Não sei se é mais digna de nota a burrice ou a falta de vergonha de dar publicidade a uma opinião que o porteiro do meu prédio guardaria pra si.
gentilhomme
5 de abril de 2014 1:33 pme o uol deixou essa pérola de imbecilidade por 5h como manchete
É difícil saber onde a estupidez é maior.
O autor é o IBPT – máfia de assessores para sonegação. Não se encontrará nehum trabalho acadêmico aprovado por banca que use dados deles. Qualquer especialista em finanças públicas que não “de mercado” vai dizer a mesma coisa.
Segundo, é a escolha da amostra. O mesmo “equívoco” que aconteceu quando saíram novos resultados do “Pisa Exam” da OCDE. Isso mesmo: é a OCDE. Quando dizem que o Brasil fiou em 38o. em 44 países siginifca que se todos 220 países atualmente existentes tivessem sdio considerados, provavelmente ele estaria em 40o., um pouco mais ou menos. Porque a comparação é com o “clube dos ricos”. Na verdade, nessa comparação – que é de uma fonte de pirmeira linha – o resultado foi ótimo. Mas seria lídimo comparar o PISA do Brasil com o de, digamos, o Equador, e concluir que quem se sair melhor é porque tem uma pol´pitica educaional melhor? Evidente que não.
Se o objetivo é medir a eficiência de um Estado contra outro é claro que o correto é comparar o que se tinha com o que se tem. Não é simples, porque as políticas públicas não costumam ter efeito rápido, tirando infra-estrutura e macroeconomia. Em geral, o efeito leva mis que um governo para aparecer. Fora que em geral políticas públicas boas não são “pacotes”. Muitas vezes uma ótima idéia é implementada mal (até porque é inovadora, é impossível saber de antemão que resistências, justas ou não, encontrará). Ela só fica efetiva cinco, seis anos depois, e os resultados aparecem em oito, dez anos. Ora, o IDH brasileiro vem avançando notavelmente, sobretudo na parte social, desde há muito. Nossa expectativa de vida, que era subsaariana no início dos anos 80 já se encontra na faixa de 75 anos, e na próxima década vai emparelhar com a OCDE (a expectativa vem crescendo em 4,5 meses a cada ano que passa!). Na verdade, só não é maior desde já porque é muito afetada por um problema em que, aí sim, há uma tremenda inefetividade: segurança pública e política para os jovens. Homens brasileiros pobres em grandes periferias morrem como mosca há anos. Mas isso é outra estória.
O terceiro ponto é simples: para julgar se o dinheiro que se paga está sendo bem empregado, há que se comparar a evolução de indicadores entre países e não a foto do indicador. Uma comparação governo a governo é difícil, mas como política de Estado – como é o caso do SUS e, em menor medida, de nosso sistema educacional – pode ser feita.
Em quarto lugar, mas mais importante é o seguinte: carga tributária como porcentagem do PIB é simplesmente uma aferição grosseiramente errada de “custo”. Equivaleria a eu ganahar dois salários mínimos e meu vizinho dez. Vou a uma concessionária e saio com um fusca usado. Range, faz 6 km/litro só gasolina, não tem estabildiade, acelera de 0 a 100 em meio minuto etc. Gasto 25% de minha renda mensal líquida para sustentar prestação e manutenção do bem. Meu vizinho sai com um polo zero, que é melhor em tudo e só gasta 10% de sua renda com tudo. Imaginem se eu sabando disso fosse ao Procon porcessar a concessionária…
Embora a carga tributária brasileira seja evidentemente alta no bolso da classe média, per capita a carga brasileira é muito baixa: um brasileiro paga em média apenas um quarto do que paga um canadense. A expectativa de vida do Canadá é de 81 anos, vinda de 77 há 10 anos (é um chute calculado). A do Brasil era 68 e passou para 73,5. Quem é mais eficiente?
É realmente de ficar triste toda essa canalhice e, mais ainda, a falta de formação história e política que permite que ecoe desse jeito. Porque pensando bem o fato de que estamos progredindo tanto em indicadores sociais – o Marcelo Neri já transformou em mantra que o Brasil é a China social, que é uma ótima imagem aproximativa – é apenas resultado de uma escolha feita na geração dos nossos pais, que levou o MDB ao poder e lhe pediu que redigisse uma Constituição que reparasse as faltas da dos anos de chumbo. O país foi descentralizado, criaram-se checks and balances para (quase) todo lado, e, sobretudo, transformou-se a disitrubuição de renda e a liquidação da chamada “dívida social” em objetivos centrais do país. Isso foi tão amarrado que mesmo que a Arena voltasse ao poder constitucionalmente esses processos aconteceriam.
Ora, que sejamos a China social é a prova cabal de, com todas dificuldades, o Estado cujos dirigentes renovamos a cada 4 anos é muito eficiente, ou seja, dados os fins equaciona os meios com notável velocidade (sobretudo se considerarmos a vastidão e complexidade do país).
Sou da opinião que está na hora de repensatr essas escolhas: gastamos quase 20% do PIB com política social e transferência de renda, enquanto o investimento total do setor público não alcança 5% do PIB. Se somos a China social, somos o Bangladesh da infra-estrutura (quem foi à Angola ou à Namíbia recentemente vrá do que estou falando). O preço de menor dinamismo econômico já está sendo pago, e só aumentará. Mas isso é apenas resultado das opções que fizemos há 25 anos. Estávamos certos lá. Agora, é preciso repensar as escolhas.
Lamentavelmente, nossa mídia ao invés de liderar ou de ajudar a esclarecer as regras do jogo prefere, por um inacreditável déficit de compreensão combinado com persistente colonização mental, jogar contra nosso projeto civilizatório, admirável e único entre os trópicos.
Freud mapeara a presença de misteriosas e recônditas forças destrutivas vivas nas camadas mais profundas da psiquê. Mas elas resultariam em grande medida do sucesso civilizatório extraordinpario daquele núcleo – a elite vienese da belle epoque – que serviu de base a sua formulação. A “elite” brasileira quer destruir a si e ao país ainda semi-selvagem em que vive a céu aberto. Talvez se gastasse mais em divã e menos em botox, a coisa fosse diferente.