4 de junho de 2026

Arábia Saudita bloqueou plano militar de Trump no estreito de Ormuz

Riad recusou uso de bases e espaço aéreo para escolta militar de petroleiros dos EUA e expôs desconfortos com condução da guerra
Donald Trump, presidente dos EUA, e o príncipe saudita Mohammed Bin Salman Al Saud. Foto: Official White House Photo by Daniel Torok

Donald Trump suspendeu a “Project Freedom” após Arábia Saudita negar uso de bases no estreito de Ormuz.
Plano dos EUA previa escolta a navios petroleiros a partir da base Prince Sultan, substituindo a “Operation Epic Fury”.
Negativa saudita reflete medo de escalada militar e conflito direto entre EUA e Irã na região do Golfo Pérsico.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspender a chamada “Project Freedom” foi motivada pela recusa da Arábia Saudita em permitir o uso de suas bases militares e espaço aéreo para operações americanas no estreito de Ormuz.

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De acordo com o jornal britânico The Guardian, o plano norte-americano previa escoltar navios petroleiros que atravessam o estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o comércio global de petróleo.

A operação seria lançada a partir da base aérea Prince Sultan, em território saudita, como sucessora da campanha de bombardeios chamada “Operation Epic Fury”.

A negativa saudita foi mantida mesmo após uma ligação direta entre Trump e o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman. A postura saudita expõe o desconforto crescente do reino com a condução da guerra entre EUA, Israel e Irã, além do temor de uma escalada militar de grandes proporções no Golfo Pérsico.

A preocupação central da monarquia saudita era que a “Project Freedom” não possuísse regras claras de engajamento e acabasse desencadeando um confronto naval direto entre os Estados Unidos e o Irã. Teerã já havia sinalizado que trataria qualquer escolta militar americana a petroleiros como violação do cessar-fogo parcial em vigor desde 7 de abril.

Na prática, o receio saudita era de que uma retomada das hostilidades provocasse novos ataques iranianos contra bases militares americanas e instalações energéticas no Golfo, ampliando os danos econômicos e estratégicos na região. Autoridades sauditas consideram que Washington entrou em um conflito “sem estratégia clara de escalada ou saída”.

O recuo de Trump também surpreendeu integrantes do próprio governo americano. Dias antes da suspensão da operação, o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior conjunto, general Dan Caine, haviam defendido publicamente a iniciativa como essencial para garantir a liberdade de navegação no estreito de Ormuz.

Ao anunciar a suspensão da operação, Trump alegou que havia “progresso significativo” nas negociações com o Irã, com participação da China na mediação diplomática. O presidente, porém, não mencionou a resistência saudita nem o bloqueio ao uso do espaço aéreo do reino.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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