13 de junho de 2026

Brasil e EUA reaproximam laços sob cautela: os novos rumos da política externa

Observatório de Geopolítica destaca a importância do Brasil no tabuleiro internacional e os riscos de uma aproximação com Washington
Crédito: Inteligência Artificial

O programa Observatório de Geopolítica da TVGGN reuniu, na última quarta-feira (15), um time de especialistas para discutir as novas movimentações nas relações entre Brasil e Estados Unidos, após recentes encontros entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio. A conversa ganhou novos contornos após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que “não houve química” com o presidente norte-americano Donald Trump, mas sim “uma petroquímica” — comentário que se tornou símbolo das ambiguidades dessa reaproximação.

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Os convidados da noite — os professores Márcio Sampaio, James Onnig e Natan Caixeta — analisaram os desdobramentos econômicos e geopolíticos desse movimento, destacando a importância do Brasil no atual tabuleiro internacional e os riscos de uma aproximação excessivamente pragmática com Washington.

Protagonismo diplomático

Para o professor Márcio Sampaio, a retomada do diálogo com os Estados Unidos deve ser vista sob dois ângulos. “Um lado extremamente positivo, que tem a ver com a importância do presidente Lula como uma liderança global, e a importância do Brasil como um player entre os países do sul global”.

Sampaio lembrou que a recente imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros — algo até então aplicado apenas à Índia — indicava uma tendência de degradação nas relações bilaterais. No entanto, o Brasil, segundo ele, “não abraçou uma confrontação aberta, sempre se colocando disposto ao debate, sempre se colocando disposto ao diálogo, não entrando numa rota de colisão, (8:06) numa rota de choque com os Estados Unidos”, o que considera “um acerto da diplomacia brasileira”.

O turning point, aponta o professor, ocorreu na Assembleia Geral da ONU, quando Lula proferiu um discurso “histórico”, atraindo a atenção do próprio Trump e abrindo espaço para uma reaproximação. Ainda assim, ele alerta. “É importante a gente ter clareza de que a administração Trump é uma administração errática, certo? Então, o que a gente está vendo nesse momento da reaproximação, do contato, da conversa, é importante que o presidente Lula não seja atraído a uma situação de constrangimento como aconteceu com outros líderes no passado recente, no Salão Oval da Casa Branca.”

Rubio

O professor James Onnig avalia que a nova postura de Washington em relação ao Brasil revela uma “mudança de humor” na assessoria de Trump. Segundo ele, pressões de grupos econômicos norte-americanos teriam levado o governo republicano a suavizar o tom e buscar diálogo.

“Entendo que o Marco Rubio está fazendo isso para se manter no cargo, porque é nítido e notório, dependendo da análise que você vê nos Estados Unidos, que o cargo dele está passando por um questionamento”, explica Onnig.

Conhecido por sua ligação com a ala ultraconservadora do Partido Republicano e por declarações agressivas contra governos latino-americanos, Rubio chega ao comando do Departamento de Estado com a missão de “reconquistar o quintal”, nas palavras de Pedro Breier, mediador do debate. Ainda assim, Onnig pondera. “A posição do Marco Rubio me parece que está medida por uma grande antipatia na América Latina. Então, não adianta querer colocá-lo como um grande negociador.”

Economia

O economista Nathan Caixeta destacou que o tema central das conversas entre Vieira e Rubio deve ser o tarifaço imposto aos produtos brasileiros. “Na verdade, as tarifas foram jogadas para cima para você negociar. Eles já lançaram 50%, que é impraticável”, disse.

Caixeta lembrou que a elite econômica norte-americana, historicamente dependente da importação de commodities, pressiona o governo Trump a aliviar barreiras comerciais para conter impactos internos.

O professor também aponta que a taxação das Big Techs e a situação da Venezuela devem entrar na pauta. “O Brasil, uma hora, vai ter que se posicionar firmemente em relação à Venezuela, porque o que o Trump está fazendo, não vou dizer que é ensaiar uma coisa tipo Operação Condor, mas é trazer aquilo que foi nos anos 1960 e 1970 do século passado para o século 21. Tipo, ou você tira o cara aí ou a gente vai entrar desmontando tudo.”

Apesar dos sinais positivos, o debate no Observatório de Geopolítica foi unânime em ressaltar que o Brasil deve agir com prudência. “Trump sobrevive politicamente criando crises”, afirmou Caixeta. Consequentemente, o governo brasileiro precisa manter uma postura soberanista, evitando cair em armadilhas ideológicas.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    17 de outubro de 2025 8:49 am

    “Não se pode confiar no imperialismo — nem por um segundo, jamais”. – Che Guevara

    Vamos comprar terbufós para alimentar os ratos imperialistas. Esses insaciáveis estão muito famintos.

  2. emerson57

    17 de outubro de 2025 10:13 am

    Se os EUA fosse uma ação na bolsa e os BRICS fosse outra, em qual delas você apostaria o seu rico dinheirinho?

    1. Rui Ribeiro

      17 de outubro de 2025 12:29 pm

      Estados Unidos está ladeira abaixo, ao contrário do Brics. Eu investiria no Brics. E você, Emerson77?

  3. emerson57

    17 de outubro de 2025 10:13 am

    Se os EUA fosse uma ação na bolsa e os BRICS fosse outra, em qual delas você apostaria o seu rico dinheirinho?

  4. Rui Ribeiro

    17 de outubro de 2025 10:31 am

    Ao invés de ajudar os produtores estadunidenses de soja, que estão com seus produtos encalhados, o Trump ajuda os Argentinos, concorrentes dos mencionados produtores de soja estadunidenses. É um cego tentando guiar outro cego. Ambos vão parar no fundo do poço

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