Cinco meses após o início da crise no Estreito de Ormuz, Os Estados Unidos não conseguiram retomar a navegação em uma das principais rotas comerciais do mundo, em meio ao aumento do risco da estabilidade do Oriente Médio e do abastecimento de petróleo.
Segundo o jornal britânico The Guardian, a política adotada pela Casa Branca – alternando entre propostas de negociação, ameaças militares, tentativa de tomada do controle operacional do Estreito de Ormuz e até mesmo uma possível cobrança de pedágio dos navios comerciais – gerou mais incertezas do que resultados concretos.
A estratégia norte-americana também enfrenta resistência entre aliados do Golfo. Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait demonstram preocupação com uma escalada militar permanente, ao mesmo tempo em que rejeitam iniciativas que possam transformar a região em palco de um confronto prolongado entre Washington e Teerã.
A Organização Marítima Internacional também rejeitou a proposta norte-americana de cobrar tarifas pela passagem das embarcações, reafirmando o princípio da livre navegação em águas internacionais. A decisão enfraqueceu uma das principais apostas políticas anunciadas por Trump para justificar o aumento da presença militar dos EUA na região.
Enquanto isso, o Irã mantém sua capacidade de pressionar o tráfego marítimo na região. Mesmo sem exercer controle absoluto sobre o estreito, Teerã continua utilizando ataques, ameaças e demonstrações de força para dificultar a circulação de navios e ampliar o custo econômico do conflito para os Estados Unidos e seus aliados.
Apesar da retomada do bloqueio naval contra portos iranianos e da intensificação dos ataques a instalações militares, analistas avaliam que Washington ainda está distante de alcançar seu objetivo estratégico. Em vez de normalizar o fluxo comercial, a ofensiva contribuiu para ampliar a volatilidade dos mercados de energia e manter elevado o grau de incerteza geopolítica.
O cenário também coloca pressão adicional sobre a política interna dos Estados Unidos. Com os preços internacionais do petróleo próximos de US$ 90 por barril, cresce o risco de impactos sobre a inflação e os combustíveis, fatores considerados sensíveis às vésperas das eleições legislativas americanas.
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