24 de setembro de 2026

Democratas dos EUA acusam governo Trump de interferência nas eleições brasileiras

31 parlamentares enviaram carta a Marco Rubio questionando tarifas, pressão diplomática e tentativa de enviar funcionários ao Brasil
Donald Trump por Gage Skidmore - Flickr

31 parlamentares democratas dos EUA acusam governo Trump de tentar interferir nas eleições brasileiras.
Carta ao secretário Marco Rubio alerta sobre pressão econômica e questiona integridade do sistema eleitoral.
Democratas pedem compromisso público de Trump e resposta até 1º de outubro, antes do primeiro turno no Brasil.

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Um grupo de 31 parlamentares democratas do Congresso dos Estados Unidos acusou a administração de Donald Trump de promover uma tentativa de interferência nas eleições brasileiras.

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Em carta enviada ao secretário de Estado, Marco Rubio, os congressistas afirmam que medidas adotadas pelo governo norte-americano podem enfraquecer instituições democráticas do Brasil e comprometer a confiança no processo eleitoral.

A carta é assinada por 30 integrantes da Câmara dos Representantes e pelo senador Bernie Sanders. Os parlamentares afirmam que existe uma “aparente tentativa de interferir e potencialmente minar” as eleições brasileiras e relacionam a acusação a uma série de medidas tomadas pela administração Trump.

Na avaliação dos democratas, as ações do governo Trump fazem parte de um padrão mais amplo de atuação norte-americana em processos eleitorais recentes na América Latina. Eles citam também as eleições legislativas argentinas e as disputas presidenciais em Honduras e na Colômbia.

Tarifas e pressão sobre o Brasil

De acordo com o jornal britânico The Guardian, os parlamentares relacionaram à suposta interferência as medidas comerciais adotadas pelo governo Trump contra o Brasil.

Segundo a carta, Trump teria deixado claro, ao impor as primeiras tarifas sobre produtos brasileiros, que uma das razões para a medida estava relacionada ao processo judicial contra Jair Bolsonaro por sua tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022 – o ex-presidente foi posteriormente condenado e, impedido de disputar a eleição, indicou o filho, Flávio Bolsonaro, como candidato em seu lugar.

Os congressistas também mencionaram as novas tarifas impostas ao Brasil em julho com base na legislação comercial norte-americana. Na visão dos parlamentares, a combinação de pressão econômica e diplomática representa uma tentativa de influenciar o ambiente político brasileiro às vésperas da eleição.

Outro episódio citado na carta foi a tentativa do governo norte-americano de enviar dois funcionários ao Brasil. Segundo os parlamentares, a missão teria como objetivo colocar em dúvida a integridade do sistema de votação brasileiro. O governo Lula negou os vistos para a delegação.

A manifestação dos parlamentares democratas ocorre depois de declarações públicas de Lula sobre a atuação dos Estados Unidos durante o processo eleitoral.

Na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta semana, o presidente brasileiro afirmou, sem mencionar diretamente os Estados Unidos, que o Brasil não permitiria que “inimigos da democracia, internos ou externos” atuassem contra a vontade popular.

Os parlamentares democratas pediram que o governo Trump se comprometa publicamente a respeitar o processo eleitoral brasileiro. Também solicitaram ao secretário de Estado uma resposta até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno da eleição presidencial.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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