A polêmica visita de Flávio Bolsonaro a Donald Trump em meio ao escândalo do Banco Master não teve apenas o objetivo de mudar a pauta junto à opinião pública. O senador ainda busca alinhar os interesses brasileiros às demandas estratégicas e de segurança dos Estados Unidos, com o intuito de obter apoio de Trump para sua empreitada rumo ao Palácio do Planalto em 2026.
No programa Observatório de Geopolítica do canal TV GGN, no Youtube, especialistas em Estados Unidos apontaram que a agenda oculta de Flávio Bolsonaro envolve a cessão de soberania sobre minerais críticos e terras raras, recursos essenciais para a disputa tecnológica global contra a China.
Além disso, o debate abordou o risco de o Brasil adotar o conceito de narcoterrorismo, o que poderia legitimar intervenções externas dos EUA em questões de segurança doméstica.
A discussão criticou ainda a postura entreguista da extrema-direita brasileira, contrastando-a com a necessidade de um projeto nacional de industrialização e refino local.
Por fim, o programa alertou para o perigo de acordos subnacionais que fragmentam a autoridade federal e comprometem o controle sobre ativos estratégicos do país.
Participaram do programa:
- Pedro Costa Júnior, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). Autor do livro “O Poder Americano no Sistema Mundial Moderno: Colapso ou Mito do Colapso?”, Editora Appris, 2019. Analista de Relações Internacionais e Geopolítica do GGN.
- Neusa Bojikian, pesquisadora do programa de pós-doutorado da Unicamp e do INCT para estudos sobre os Estados Unidos.
- Camila Vidal, professora na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), U.S. State Department alumna(SUSI 2025) e pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU) e do Instituto de Estudos sobre América Latina (IELA/UFSC).
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Rui Ribeiro
29 de maio de 2026 12:26 pmO Flávio Bostonaro marcou um gol contra o Brasil, ao implorar ao Trump que classificasse o CV e o PCC como terroristas.
Risco à soberania nacional: A designação de grupos como terroristas internacionais pode servir de justificativa legal para ingerências estrangeiras ou operações militares de potências como os EUA dentro do território brasileiro.
Impacto econômico: Por causa da regulação americana, empresas e instituições financeiras brasileiras que possuam qualquer tipo de relação de “apoio material” (como extorsões sofridas por comerciantes locais) podem sofrer sanções, bloqueio de bens e exclusão do mercado internacional.
Politização e debate de fachada: Especialistas e diplomatas alertam que o rótulo tem viés mais político do que prático na resolução do problema interno. Na legislação brasileira, o terrorismo exige motivação política/ideológica, enquanto essas facções operam visando o lucro do narcotráfico, exigindo abordagens de segurança pública e inteligência financeira focadas na desarticulação, e não apenas na nomenclatura.
Mas o Flávio Bostonaro também deveria ter pedido para classificar também as milícias como terroristas. Porque não o fez? Porque é a sua base eleitoral.