Estados Unidos e Irã iniciam neste sábado uma nova rodada de negociações em Islamabad, no Paquistão, em meio a uma trégua temporária considerada frágil por analistas.
O cessar-fogo de duas semanas ocorre após mais de um mês de confrontos envolvendo forças americanas e israelenses contra o território iraniano, mas a abertura diplomática pode não ser suficiente para resolver os principais pontos de tensão.
Um dos principais entraves é o controle do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. O bloqueio imposto pelo Irã após o início dos ataques elevou os preços do petróleo e provocou impactos na economia global.
Enquanto Washington condiciona o avanço das negociações à reabertura imediata da passagem, sem restrições, á Teerã sinaliza que pode garantir o tráfego durante a trégua, desde que os Estados Unidos cumpram seus compromissos.
Há ainda divergências sobre a possibilidade de cobrança de taxas sobre petroleiros, proposta que gerou reação direta do presidente norte-americano Donald Trump.
Outro foco de conflito é a guerra paralela no Líbano. Enquanto Estados Unidos e Israel afirmam que o cessar-fogo não inclui o território libanês, Irã e o próprio Paquistão defendem que os ataques devem ser interrompidos como parte do acordo. A continuidade dos bombardeios israelenses, inclusive com uma ofensiva recente que deixou centenas de mortos, aumentou a pressão sobre as negociações.
A questão nuclear segue como o ponto mais sensível. Os Estados Unidos insistem no fim do enriquecimento de urânio por parte do Irã, considerado uma linha vermelha por Washington. Teerã, por sua vez, rejeita qualquer limitação ao seu programa.
Guilherme Souto
10 de abril de 2026 5:01 pmDessa vez a bomba deles saí.