24 de junho de 2026

EUA pressionam Brasil e montam coalizão mineral para conter China nas terras raras

Plano envolve preço mínimo, tarifas e monitoramento da CIA, enquanto especialistas alertam para riscos à soberania e à indústria nacional
Donald Trump por Gage Skidmore - Flickr

▸ EUA lideram reunião com 20 países para criar aliança mineral e conter hegemonia chinesa em terras raras.

▸ Brasil mantém distância estratégica e busca negociar acesso a reservas em troca de retirada de tarifas.

▸ Especialistas alertam para risco de exportação primária e defendem refino verde com matriz elétrica limpa.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O governo de Donald Trump deu início a uma ofensiva diplomática para tentar quebrar a hegemonia da China no mercado de terras raras, elementos essenciais para a indústria de alta tecnologia, defesa e transição energética. Nesta quarta-feira (4), a Casa Branca sedia uma reunião de emergência com cerca de 20 países para formalizar uma aliança mineral. O Brasil, dono de uma das maiores reservas mundiais desses recursos, foi convidado, mas ainda mantém distância estratégica da coalizão liderada pelo secretário de Estado, Marco Rubio. As informações são de Jamil Chade, no ICL Notícias.

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O objetivo central de Washington é estabelecer um mecanismo de preço mínimo de importação. A medida visa “proteger” mineradoras e refinarias ocidentais contra a política de preços baixos praticada por Pequim, que detém quase o monopólio do refino global. Além disso, o plano abre caminho para a imposição coordenada de tarifas contra o produto chinês.

A resistência de Brasília e o “trunfo” mineral

Embora os EUA tenham reforçado o convite, o chanceler Mauro Vieira não comparecerá ao encontro, alegando conflitos de agenda. Nos bastidores, o governo Lula adota cautela. Segundo informações de Chade, o Palácio do Planalto entende que as terras raras são as “joias da coroa” e não pretende ceder ao alinhamento automático sem garantias concretas.

A estratégia brasileira, articulada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, é deixar o tema para a etapa final das negociações bilaterais com Trump, previstas para março. O Brasil busca barganhar o acesso às suas reservas em troca da retirada de tarifas comerciais americanas impostas a outros produtos nacionais.

Geopolítica e soberania regional em debate

A pressão americana não é vista apenas como uma questão comercial, mas como um risco à soberania sul-americana. Em debate promovido pelo Projeto Brasil, na TV GGN, a pesquisadora Astrid Aguilera Cazalbon, do GESENE/UFPB, alertou que a investida contra recursos estratégicos na região, incluindo a pressão sobre a Venezuela, fragiliza a integração regional.

Qualquer processo de ataque, mesmo que pareça isolado em um país, representa um ataque à soberania de todos os outros países da região e do subcontinente como um todo”, afirmou Astrid no encontro organizado pelo Projeto Brasil.

Paralelamente, a diplomacia de Trump passou a atuar diretamente com governos estaduais, como os de Minas Gerais e Goiás, para mapear jazidas. O interesse é acompanhado de perto pela CIA, instruída a monitorar reservas naturais na América Latina que possam ser vitais para os EUA nas próximas décadas.

O risco da exportação primária e o refino verde

Apesar do potencial, especialistas do Projeto Brasil alertam para a ausência de uma política industrial brasileira voltada ao setor. Fernando Landgraf, professor da USP, criticou no debate a falta de investimentos nacionais: “Com a taxa de juros nesse patamar, o capital brasileiro não tem apetite para esse tipo de investimento”. Para Landgraf, o país corre o risco de repetir o modelo de exportador de matéria-prima bruta.

Como alternativa, a diretora executiva do Instituto E+ Transição Energética, Rosana Santos, defendeu no Projeto Brasil o conceito de “refino verde”. Ela propõe que o Brasil utilize sua matriz elétrica limpa para processar os minerais em território nacional. “Isso resultaria em minerais refinados com emissões que poderiam chegar a apenas 1/3 das emissões de qualquer outro lugar do mundo”, explicou a especialista na série da TV GGN.

Para assegurar que o bônus econômico não se torne um passivo social, o Projeto Brasil destacou a importância de marcos regulatórios como o PL 2780/2024, que propõe a “regra dos 80%“, exigindo que a maior parte da produção seja processada no país. Sem instituições fortes e políticas nacionais robustas, o alerta dos especialistas reunidos pelo Projeto Brasil é de que a América do Sul seguirá apenas como fornecedora de insumos básicos em uma guerra tecnológica global.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Ana Gabriela Sales

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

7 Comentários
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  1. Marcus

    2 de fevereiro de 2026 11:19 am

    Quanto mais nos distanciarmos de alinhamento com os EUA, maiores possibilidades teremos de fortalecer nossa economia. Em princípio, já somos alinhados com o BRICS+, e não necessitamos de divisões no bloco. É a hora de estabelecer o equilíbrio, cobrando pelos nossos recursos estratégicos o valor real, afinal de contas o que não é cobrado na hora, perde valor. Assim negociam os EUA, e quem se abraça com eles recebe o que México, e agora o Canadá recebem: tapa na cara.

    1. Anônimos

      4 de fevereiro de 2026 3:41 pm

      Colocou tarifaço, agora é moeda de troca.
      Trump citou, em comunicado divulgado pela Casa Branca, sobre a conversa por telefone com o presidente da República, Lula no dia 6 de outubro, na qual os líderes teriam concordado em negociar sobre as tarifas.

  2. Flavio

    3 de fevereiro de 2026 4:51 pm

    Alinhamento com EUA é risco mas dar até a alma para a china não é risco algum. E assim caminha a mediocridade.

  3. Cupim

    4 de fevereiro de 2026 6:18 am

    Quem não investe na bomba está sujeito a ser espoliado pelo Império.

  4. Rútilo Lucenas da Rocha

    4 de fevereiro de 2026 7:23 am

    O Brasil é um grande celeiro de jazidas de recursos naturais de grande impacto na indústria global. A questão é falta de estrutura e pesquisa e desenvolvimento. A aversão desse governo as políticas dos EUA entrega uma situação que é própria de governos corruptos e com projeto de poder satânico como é esse desse partido comunista que sabemos muito bem ao que vem. Como estamos na linha divisória do terceiro mundo, estamos desorganizados em todas as fronteiras, essa empáfia diplomática é o mote para querer não se alinhar a uma iniciativa proposta por EUA mas propositadamente de origem ideologia, arcaica, obtusa e atrasada. Esse pais não evoluiu um único degrau na escala social, de outros setores e agora fica destilando masturbação fisiológica com essa míope visão de mundo. Eita que atraso gente. Salve se quem poder.

    1. Anônimo

      4 de fevereiro de 2026 12:00 pm

      O q adianta o Brasil ser um grande celeiro ,e ter uma turma de incopetete q não deixa o país crescer, 20 anos n poder, e continua roubado e saqueando todos os anos, temos q apoiar um governo pra q possa dar continuidade das contratações e memorando os salários dos trabalhadores, para tem um salário diguino, fora isso, com este desgoverno não tem como dar certo. Infelizmente e q está acontecendo com estes petistas, q está n poder,nadas de melhoras !

  5. Anônimo

    4 de fevereiro de 2026 10:50 am

    Meu irmão!! o que estão esperando para frear essa ofensiva,que eu saiba os EUA não quer ninguém no território deles , porque não usar a lei da reciprocidade para com eles?

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