7 de outubro de 2026

Gaza: três anos de guerra deixam destruição de US$ 57,9 bilhões

ONU, Banco Mundial e UE estimam US$ 71,4 bilhões para reconstrução, enquanto OCHA aponta que crise humanitária persiste
Foto: RS/Fotos Públicas

ONU, Banco Mundial e UE estimam US$ 57,9 bi em danos acumulados em Gaza após 3 anos de guerra, com impacto físico e econômico.
Setor habitacional concentra 51% dos danos físicos; mais de 60% da população perdeu suas casas e 1,9 mi foram deslocados.
Reconstrução de Gaza exigirá US$ 71,4 bi em 10 anos, condicionada a cessar-fogo, acesso humanitário e resolução de questões fundiárias.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Três anos após o início da guerra em Gaza, a destruição acumulada no território palestino atingiu uma dimensão que exigirá décadas de recuperação. Uma avaliação conjunta da ONU, Banco Mundial e União Europeia estima em US$ 35,2 bilhões os danos físicos provocados pelo conflito e em outros US$ 22,7 bilhões as perdas econômicas e sociais, totalizando US$ 57,9 bilhões.

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Para recuperar e reconstruir Gaza, serão necessários aproximadamente US$ 71,4 bilhões ao longo da próxima década, segundo a avaliação, divulgada em abril de 2026. Desse montante, US$ 26,3 bilhões seriam necessários já nos primeiros 18 meses para restabelecer serviços essenciais, reconstruir infraestrutura crítica e iniciar a recuperação econômica.

A avaliação conjunta — conhecida como Gaza Rapid Damage and Needs Assessment (RDNA) — analisou os impactos físicos, sociais e econômicos acumulados entre outubro de 2023 e outubro de 2025. O documento utiliza dados de sensoriamento remoto, verificações em campo e estimativas validadas pela ONU, Banco Mundial e União Europeia.

A avaliação conjunta da ONU, Banco Mundial e União Europeia estima que o conflito tenha feito o desenvolvimento humano de Gaza retroceder 77 anos. O desafio colocado para o período posterior à guerra, portanto, não é apenas reconstruir prédios e estradas, mas recuperar serviços públicos, atividade econômica, moradia e condições mínimas para a retomada da vida cotidiana.

Moradia concentra metade dos danos

O setor habitacional foi o mais atingido. A avaliação estima US$ 18 bilhões em danos, correspondentes a 51% de toda a destruição física registrada. Mais de 371,8 mil unidades habitacionais foram destruídas ou danificadas.

Ao mesmo tempo, mais de 60% da população de Gaza perdeu suas casas e cerca de 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas, muitas delas várias vezes durante o conflito.

O impacto não se limita às residências. Comércio e indústria acumularam US$ 6,35 bilhões em danos físicos; transportes, US$ 3,2 bilhões; e água e saneamento, US$ 1,7 bilhão.

Entre as perdas econômicas e sociais, a saúde aparece como o setor mais afetado, com US$ 6,78 bilhões, seguida por emprego, com US$ 2,8 bilhões; comércio e indústria, US$ 2,48 bilhões; educação, US$ 2,36 bilhões; e proteção social, US$ 1,56 bilhão.

O impacto sobre a atividade econômica foi igualmente profundo. Segundo a avaliação internacional, a economia de Gaza sofreu uma contração real de 83% em 2024. Em 2025 houve alguma recuperação estatística, mas principalmente em razão da base extremamente baixa deixada pelo colapso do ano anterior, sem que isso representasse uma retomada consistente da atividade produtiva.

Quase três quartos da população ocupada antes da guerra perderam seus empregos. O relatório calcula que o índice de emprego em relação à população tenha caído para apenas 9,3% em Gaza.

Mais de 80% dos trabalhadores estavam impossibilitados de trabalhar devido à destruição de locais de trabalho, bloqueios, interrupções no transporte, falta de energia e escassez de insumos.

A situação econômica continuou pressionada em 2026. Segundo o relatório mais recente da OCHA, publicado em 2 de outubro, a inflação em setembro permanecia em aproximadamente 204% acima dos níveis anteriores a outubro de 2023. O fechamento do cruzamento de Zikim, em maio, deixou Kerem Shalom como o único ponto operacional para entrada de cargas, aumentando a vulnerabilidade do abastecimento.

Saúde permanece em situação crítica

A avaliação conjunta estimou mais de US$ 8,2 bilhões em danos e perdas no setor de saúde e apontou que mais da metade dos hospitais estava fora de funcionamento no período analisado. Quase todas as escolas também haviam sido destruídas ou danificadas. A situação continua delicada em 2026.

No relatório de 2 de outubro, a OCHA informou que a escassez de medicamentos e equipamentos, combustível e outros insumos segue dificultando o funcionamento dos serviços de saúde. Faltam, entre outros itens, medicamentos para doenças crônicas, materiais para diálise e insumos necessários ao tratamento de ferimentos e infecções.

Entre 21 e 27 de setembro, mais de 280 mil consultas de saúde foram realizadas por parceiros humanitários. As doenças transmissíveis representaram 19% dos atendimentos. Infecções respiratórias agudas responderam por 54% dos casos de doenças registrados, seguidas por infecções de pele e casos de diarreia aquosa aguda.

O sistema de água também continua enfrentando restrições severas. Segundo a OCHA, a produção das duas principais usinas de dessalinização no sul de Gaza caiu aos níveis mais baixos devido à falta de peças e equipamentos. A redução afeta o abastecimento de aproximadamente 500 mil pessoas em Deir al-Balah e Khan Younis.

O abastecimento por caminhões tornou-se essencial. Cerca de 74% da população depende atualmente de água transportada, distribuída por organizações humanitárias e outros parceiros.

No período analisado pela OCHA, 68 organizações entregavam uma média diária de aproximadamente 25 milhões de litros de água potável, por meio de mais de 3,1 mil pontos de distribuição.

A coleta de lixo também enfrenta dificuldades. A falta de óleo para motores, peças de reposição e equipamentos mantém veículos e máquinas parados, obrigando os serviços a recorrer a carroças puxadas por animais e caminhões da ONU.

Risco de enchentes atinge centenas de milhares

A aproximação da estação de chuvas adiciona outro risco à população deslocada. A OCHA informou que foram avaliados mais de 400 locais de deslocamento em Gaza e que 217 apresentam risco médio ou alto de inundação. Juntos, esses locais abrigam aproximadamente 235 mil pessoas.

Além disso, mais de 4 mil edifícios considerados inseguros precisam de demolição total ou parcial. Mais de 2,3 mil continuam ocupados, abrigando aproximadamente 44 mil pessoas. Somados, os dois grupos representam mais de 13% da população de Gaza.

As organizações humanitárias estão realizando trabalhos de drenagem, reforço de abrigos, remoção de escombros e reparos na infraestrutura de água e esgoto. Mas a própria OCHA aponta que as operações são limitadas pela falta de financiamento, pela insegurança e pelas restrições à entrada de equipamentos e materiais.

Alimentos e desnutrição

A ajuda alimentar continua sendo essencial para a sobrevivência da população. Em setembro, organizações humanitárias distribuíram alimentos a cerca de 220 mil famílias, ou mais de 840 mil pessoas, além de sacos de farinha. As cestas cobriam aproximadamente metade das necessidades calóricas mínimas.

Ao final de setembro, 25 organizações preparavam cerca de 695 mil refeições por dia, enquanto 22 padarias subsidiadas produziam aproximadamente 90 mil pacotes de pão diariamente.

A situação nutricional continua exigindo atenção. Na primeira metade de setembro, organizações humanitárias examinaram mais de 31 mil crianças de seis meses a cinco anos. 899 foram diagnosticadas com desnutrição aguda e encaminhadas para tratamento, incluindo 99 casos da forma mais grave.

Entre gestantes e mulheres que amamentam, 18.154 foram examinadas no mesmo período, e 38% foram encaminhadas para alimentação suplementar por apresentarem desnutrição aguda.

Reconstrução dependerá de condições políticas e humanitárias

O diagnóstico conjunto da ONU, Banco Mundial e União Europeia ressalta que a reconstrução não poderá ser tratada apenas como uma operação de engenharia ou financiamento.

O relatório estima US$ 71,4 bilhões em necessidades de recuperação e reconstrução, mas aponta condições indispensáveis para que o processo seja possível: cessar-fogo sustentável e segurança; acesso humanitário sem impedimentos; restabelecimento dos serviços essenciais; circulação de pessoas, mercadorias e materiais de reconstrução; governança clara e responsável; e solução de questões relacionadas a escombros, explosivos e direitos sobre moradia, terra e propriedade.

A avaliação também defende que a recuperação seja conduzida com participação palestina e que o processo de reconstrução seja articulado com a recuperação dos serviços públicos e da economia.

O relatório aponta ainda que desminagem e remoção de artefatos explosivos são pré-requisitos para a reconstrução, assim como a resolução de questões relacionadas à habitação, terras e propriedade.

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