5 de novembro de 2026

Israel enfrenta impasse político após derrota de Netanyahu nas eleições

Sem maioria parlamentar, Netanyahu e Gadi Eisenkot disputam apoio para formar governo; partidos palestinos ganharam poder de negociação
Isaac Herzog, presidente de Israel. Foto: Kobi Gideon / GPO

Presidente Herzog conversa com Netanyahu e Eisenkot para indicar candidato a formar governo após impasse no Knesset.
Nenhum bloco teve maioria no Parlamento; Netanyahu tem 53 cadeiras, Eisenkot 48, e partidos palestinos 19 assentos.
Partidos árabes ampliam influência, com Lista Conjunta e Ra’am no centro das negociações para coalizão governamental.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

O presidente de Israel, Isaac Herzog, iniciou uma rodada de conversas com os principais líderes políticos do país para definir quem terá a primeira oportunidade de formar um novo governo. O encontro com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu principal adversário, o ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, ocorre em meio a um impasse parlamentar que ameaça levar o país a uma nova eleição.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A votação, realizada no mês passado, terminou sem que nenhum dos dois principais blocos conquistasse maioria no Parlamento israelense, o Knesset, que possui 120 cadeiras. A coalizão de Netanyahu perdeu a maioria que mantinha, passando de 68 para 53 parlamentares. Já o bloco de partidos sionistas de oposição liderado por Eisenkot conquistou 48 cadeiras.

Com o resultado, os partidos que representam os palestinos cidadãos de Israel ganharam importância decisiva nas negociações. Juntos, eles conquistaram 19 assentos: a Lista Conjunta, de orientação predominantemente árabe, ficou com 11, enquanto o partido islâmico Ra’am obteve oito.

Pelo sistema político israelense, cabe ao presidente indicar o candidato que considera ter melhores condições de reunir apoio parlamentar para formar um governo estável. Embora a função seja predominantemente cerimonial, essa decisão pode determinar os rumos das negociações políticas.

Herzog pediu que todas as forças partidárias assumam a responsabilidade de evitar uma nova eleição, diante dos desafios de segurança e diplomacia enfrentados pelo país.

“Qualquer pessoa razoável precisa apenas olhar para os desafios de segurança e diplomáticos diante de nós, para a região em transformação ao nosso redor e para as questões que nos dividem internamente, para compreender a imensa responsabilidade que recai sobre nós”, afirmou o presidente.

Partidos palestinos ganham poder de negociação

De acordo com o jornal britânico The Guardian, o crescimento da participação política dos palestinos cidadãos de Israel foi um dos principais elementos da eleição. A taxa de comparecimento desse eleitorado, que representa aproximadamente 20% da população israelense, mais que dobrou e chegou a cerca de 80%.

O resultado ampliou a representação parlamentar dos partidos árabes e colocou suas lideranças no centro das negociações para a formação de uma nova coalizão.

O líder da Lista Conjunta, Yousef Jabareen, reconheceu divergências com Eisenkot em diferentes questões, mas afirmou que o eleitorado palestino buscou uma mudança de governo após anos de aumento do racismo, da discriminação, da criminalidade e da exclusão política.

Jabareen já havia afirmado que uma das principais reivindicações dos eleitores árabes era retirar Netanyahu do poder, especialmente seus aliados mais extremistas, como o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich.

Eisenkot, entretanto, estabeleceu condições para uma eventual coalizão com partidos árabes. Entre elas estão o reconhecimento de Israel como Estado judeu, a aceitação do serviço nacional obrigatório, civil ou militar, e a condenação do Hamas como organização terrorista.

A Lista Conjunta indicou que poderia apoiar um eventual governo de oposição sem necessariamente integrar sua composição, utilizando votações estratégicas no Parlamento. O partido Ra’am, por sua vez, sinalizou disposição para participar de um governo liderado por Eisenkot.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Recomendados para você

Recomendados