A política econômica de Donald Trump foi alvo de críticas do economista e prêmio Nobel Paul Krugman após a cúpula entre os Estados Unidos e a China.
Em análise publicada após o encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, Krugman argumenta que a promessa chinesa de comprar mais petróleo americano pode elevar ainda mais os preços da gasolina nos EUA — prejudicando a maioria da população.
O argumento central parte de uma contradição: embora os EUA tenham se tornado exportadores líquidos de petróleo graças ao boom do óleo de xisto (shale oil), isso não significa que os consumidores americanos estejam protegidos da alta internacional do petróleo.
Segundo Krugman, muita gente ainda acredita que os Estados Unidos estejam “blindados” contra crises globais do petróleo por produzirem mais do que consomem, mas o mercado de energia funciona de forma globalizada.
Quando o preço internacional sobe, empresas americanas passam a exportar mais petróleo para aproveitar valores maiores pagos por compradores estrangeiros, o que reduz a oferta no mercado interno e encarece combustíveis como gasolina e diesel.
O fenômeno ganhou força após o fechamento do Estreito de Ormuz em meio à guerra envolvendo o Irã. Antes do conflito, os EUA exportavam cerca de 2,9 milhões de barris líquidos por dia. Agora, segundo Krugman, esse número teria saltado para 5,8 milhões.
O resultado aparece diretamente nas bombas: a gasolina estaria entre US$ 1,50 e US$ 1,60 mais cara por galão desde o início da guerra.
China comprando mais petróleo dos EUA pode piorar cenário
Na visão de Krugman, o anúncio celebrado por Trump — de que a China aumentaria suas compras de petróleo americano — tende a ampliar o problema, justamente por reduzir a oferta doméstica disponível, o que tende a aumentar os preços caso a produção não cresça no mesmo ritmo.
O economista sustenta que a medida beneficia principalmente grandes companhias petrolíferas e investidores ricos, enquanto a maior parte da população absorve os custos da inflação energética.
Historicamente, presidentes americanos costumam ter pouca influência direta sobre os preços dos combustíveis. Desta vez, porém, o economista afirma que o aumento está diretamente ligado à política externa da Casa Branca e ao conflito militar iniciado pelos EUA.
Por isso, ele considera contraditório que Trump tente vender como vitória um acordo que pode elevar ainda mais os custos para consumidores americanos – e o acordo com a China pode acabar se tornando mais um “gol contra” da política econômica trumpista.
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