A onda de protestos que varre o Irã desde o fim de dezembro de 2025 já é considerada o maior e mais perigoso desafio ao regime teocrático em anos. Segundo o relatório mais recente da agência de direitos humanos Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, ao menos 544 pessoas morreram e mais de 10.680 foram detidas pelas forças de segurança nas últimas três semanas.
O país vive sob um apagão quase total de informação. O bloqueio de internet e comunicações, imposto pelo governo há mais de 72 horas, impede a verificação independente dos dados e dificulta o envio de imagens das ruas.
Mesmo assim, relatos obtidos pela BBC e por agências internacionais descrevem hospitais em colapso e necrotérios superlotados em Teerã, um retrato do custo humano da repressão.
Da crise econômica ao colapso de legitimidade
O estopim dos protestos foi econômico. O movimento começou nos bazares de Teerã, onde comerciantes se revoltaram contra a inflação galopante, 52% apenas em dezembro, e contra a rápida desvalorização do rial. A decisão do banco central de encerrar subsídios cambiais para importadores fez os preços de itens básicos, como óleo e frango, explodirem da noite para o dia.
Em poucos dias, as manifestações deixaram de ser apenas econômicas e se tornaram políticas. O alvo passou a ser o próprio regime. Gritos de “Morte a Khamenei” ecoaram em Teerã, Shiraz e outras grandes cidades, atingindo diretamente o aiatolá Ali Khamenei, que governa o país há 35 anos.
“O aumento dos disparos contra o povo não é sinal de força, mas de medo, medo do colapso e de uma queda acelerada“, afirmou Reza Pahlavi, filho do exilado xá do Irã, em suas redes sociais.
Repressão aberta e “guerra cibernética”
A resposta do Estado foi imediata e brutal. O governo combinou força letal com vigilância tecnológica. Drones passaram a monitorar multidões para identificar manifestantes, enquanto o procurador-geral do país classificou os participantes como “inimigos de Deus“, acusação que pode levar à pena de morte.
O próprio líder supremo alimenta a retórica do confronto. Na última quinta-feira (8), Khamenei afirmou que o governo “não vai recuar” e chamou os manifestantes de “vândalos e arruaceiros” que tentam “agradar o presidente dos Estados Unidos“.
Crise internacional e risco de escalada militar
A instabilidade interna rapidamente ultrapassou as fronteiras do Irã. Em Washington, o presidente Donald Trump declarou que avalia “opções muito fortes” e que as Forças Armadas foram instruídas a estudar cenários de ataques cibernéticos e militares.
“Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas — o que tendem a fazer durante seus distúrbios — nós os atingiremos muito duramente“, afirmou.
Teerã reagiu elevando o tom. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que instalações militares dos Estados Unidos e de Israel na região serão consideradas “alvos legítimos” em caso de intervenção estrangeira.
Enquanto a diplomacia patina, a solidariedade aos manifestantes cresce no exterior. Em Londres e Paris, iranianos no exílio tomaram as ruas exigindo a queda do regime.
A União Europeia, por meio da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, denunciou a “repressão violenta” e declarou apoio aos que reivindicam liberdade.
Fábio de Oliveira Ribeiro
12 de janeiro de 2026 12:08 pmPonha os cadáveres na conta do Mossad e da CIA, que fomentaram e financiaram a violência política no Irã (inclusive usando curdos iranianos). O regime se defendeu e tinha o direito de se defender da agressão externa praticada por uma insurreição interna. Algo semelhante está sendo planejado aqui, porque o Facebook está sendo inundado de propaganda bolsonarista pregando a insubordinação militar.