O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endureceu o discurso nesta terça-feira (3) ao descartar qualquer possibilidade de retomar negociações nucleares com o Irã, apesar de, segundo ele, ter recebido sinais vindos de Teerã.
No quarto dia de um conflito que já mobiliza as potências do Oriente Médio, o republicano afirmou que a infraestrutura militar iraniana foi severamente comprometida e que a janela para a diplomacia se fechou. “A defesa aérea, a Força Aérea, a Marinha e a liderança deles acabaram. Eles querem conversar. Eu disse: ‘Tarde demais!’“, publicou em sua rede social, Truth Social.
A ofensiva, realizada em coordenação com Israel, teve início no sábado (28) após bombardeios que atingiram Teerã e resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei. Desde então, o cenário é de escalada: o Irã retaliou com mísseis contra Israel e bases americanas na região, enquanto os EUA preparam o que chamam de uma “grande onda” de ataques para as próximas 24 horas.
Arsenais e “herança” de Biden
Em um diagnóstico sobre a capacidade bélica americana, Trump admitiu que o país “não está onde gostaria” em relação ao volume de armamentos de tecnologia de ponta. Ele atribuiu a escassez ao seu antecessor, Joe Biden, acusando-o de esvaziar os estoques para abastecer a Ucrânia.
“O sonolento Joe Biden gastou todo o seu tempo e o dinheiro do nosso país dando tudo para P.T. Barnum (Zelensky!) da Ucrânia“, disparou o presidente, comparando o líder ucraniano ao empresário circense conhecido por enganar o público.
Apesar da crítica, Trump garantiu que os EUA possuem suprimentos “praticamente ilimitados” de armas de médio alcance, o que permitiria manter o conflito por tempo indeterminado, se necessário. “Guerras podem ser travadas ‘para sempre’ e com muito sucesso usando apenas esses suprimentos“, afirmou.
Metas estratégicas e o fator Israel
O governo americano estima que a guerra dure entre quatro e cinco semanas. O objetivo central é o desmonte definitivo das ambições nucleares de Teerã, a destruição da frota naval iraniana e a interrupção do financiamento a grupos classificados por Washington como terroristas. Segundo fontes do Pentágono, a próxima fase da operação focará na destruição de fábricas de mísseis e drones.
Em sintonia com Washington, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reforçou que a ação será “rápida e decisiva“. “Esta não vai ser uma guerra sem fim“, declarou o premiê à Fox News, ressaltando que, embora as operações possam se estender por algum tempo, o objetivo é uma solução definitiva para a ameaça iraniana.
Baixas e represálias
O custo humano da ofensiva começa a aparecer nos boletins oficiais. As Forças Armadas dos EUA confirmaram a morte de seis militares até o momento, além de 18 feridos em estado grave. Trump prometeu vingança, classificando o embate como uma defesa da civilização.
Enquanto isso, no Irã, o impacto dos bombardeios já afeta a vida civil, com 787 mortes. Explosões foram registradas em cidades como Isfahan e Qom, resultando na suspensão do tráfego aéreo e em falhas críticas nos serviços de comunicação.
Em resposta, mísseis iranianos forçaram Israel a fechar seu espaço aéreo e decretar estado de emergência em Jerusalém, com o fechamento de escolas e prédios públicos.
Deixe um comentário