A União Europeia (UE) negocia uma nova estratégia para conter a concorrência industrial chinesa sem adotar a abordagem de tarifas abrangentes defendida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na sexta-feira, o bloco e a China chegaram a um acordo preliminar para limitar as exportações chinesas de veículos híbridos e híbridos plug-in ao mercado europeu.
A proposta prevê um limite inicial de 350 mil veículos por ano, com possibilidade de entrar em vigor já em dezembro. O volume representa menos da metade das aproximadamente 800 mil unidades que as exportações chinesas para a Europa poderiam alcançar neste ano, segundo um funcionário europeu citado pelo site Axios. Em 2025, as importações somaram 302 mil veículos.
Pelo acordo, as unidades que ultrapassarem a cota seriam barradas, em vez de submetidas a tarifas adicionais. Autoridades chinesas ressaltaram, na segunda-feira, que o mecanismo ainda permite ampliar as vendas em relação ao ano passado.
A negociação ocorre em meio à crescente preocupação europeia com a capacidade industrial chinesa e seus efeitos sobre fabricantes locais. Na semana anterior, França e Alemanha propuseram conceder a Bruxelas poderes mais amplos para restringir o acesso ao mercado europeu em casos de práticas comerciais consideradas desleais.
A mudança é significativa para a Alemanha, que se opôs às tarifas europeias sobre veículos elétricos chineses em 2024. No mês passado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o déficit comercial do bloco com a China havia chegado a um “ponto de inflexão”.
O acordo sobre os híbridos, contudo, pode reduzir o impulso político para medidas mais duras. Segundo Daniel Mullaney, pesquisador sênior do Atlantic Council e ex-integrante da área comercial do governo americano, a negociação pode deixar alguns países europeus menos dispostos a apoiar novas restrições no curto prazo.
Os Estados Unidos, por sua vez, pressionam parceiros comerciais a coordenar esforços para enfrentar o excesso de capacidade industrial chinesa. Para Mullaney, a atuação conjunta é importante para que os países consigam resultados diante do problema.
A disputa vai além do setor automotivo. A China ampliou as exportações de veículos híbridos para a Europa depois que a UE impôs tarifas elevadas aos modelos totalmente elétricos chineses, em 2024.
Dados divulgados na segunda-feira citados pelo Axios mostram que as exportações chinesas de veículos de passeio para o mundo cresceram 64% em setembro, alcançando 919 mil unidades, enquanto as vendas domésticas caíram 27%.
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