13 de junho de 2026

Devassa: Ministério da Justiça modifica centenas de cargos e diretorias da PF

O GGN encontrou 99 portarias de novas nomeações, que se perdem em contas, que assumem agora a Polícia Federal
Jair Bolsonaro, durante a posse do diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza - Foto: Isac Nóbrega/PR

Jornal GGN – O Ministério da Justiça efetivou a troca esperada na Polícia Federal (PF), com a mudança de seis superintendentes regionais e centenas de outros cargos da administração, coordenação e diretorias da PF, em sua sede e por estados de todo o Brasil. Foram um total de 99 portarias para nomeações, que se perdem em contas, que assumem agora corporação.

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Na página do Diário Oficial da União (DOU), as portarias não estão disponibilizadas facilmente. Apenas sete delas são apresentadas em uma lista [confira aqui] quando são selecionados os atos do Ministério da Justiça, no caderno extra do dia 25, quando foram publicadas as mudanças. Entretanto, ao acessar a íntegra do caderno na versão certificada, são 16 páginas de alterações de quadro pessoal dentro da Polícia Federal e por atos do Ministério da Justiça [disponibilizamos abaixo].

Entre as principais modificações, a saída de Carlos Henrique Oliveira da Superintendência do Rio deu lugar ao novo escolhido do diretor-geral Rolando Alexandre de Souza, o delegado Tácio Muzzi.

Rolando assumiu o cargo após a demissão de Maurício Valeixo, braço-direito do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, e foi o pivô do conflito de que hoje é inquérito contra Jair Bolsonaro: a interferência política do mandatário na corporação para atender a interesses pessoais. Um dos principais interesses era a troca do comando no Rio, aonde tramita investigações contra a família Bolsonaro.

Entretanto, o nome de Muzzi não apareceu como uma explícita interferência, uma vez que é conhecido, dentro da corporação, por sua posição independente, sem relações com a família do mandatário. Então delegado regional executivo, é visto como um quadro técnico dentro da Polícia Federal. A escolha de seu nome teria atendido a pressões de dentro da PF para que a crise interna seja apaziguada, evitando novos alardes relacionadas às nomeações.

Apesar de se apresentar com perfil técnico, a nomeação de Muzzi significou a retirada do anterior superintendente e, nessa mesma linha, foram trocados nomes de diversos estados e de cargos importantes dentro da corporação. Além do Rio, novos comandos assumirão a PF de Goiás, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Tocantins.

Em Goiás, assume a delegada Marcela Rodrigues de Siqueira Vicente, na Paraíba entra Gustavo Paulo Leite de Souza, no Rio Grande do Norte a delegada Larissa Freitas Carlos Perdigão, no Rio Grande do Sul assume o delegado José Antonio Dornelles de Oliveira e no Tocantins o delegado Marcílio Manfré Afonso.

Ainda foram nomeados o perito Raimundo Nonato Azevedo Filho como diretor do Instituto Nacional de Criminalística da PF, e o delegado Milton Rodrigues Neves como novo chefe de gabinete da Polícia Federal. O delegado Wellington Soares Gonçalves entra como coordenador-geral de Governança e Controle , o delegado Isalino Antônio Giacomet Júnior como coordenador de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Guilherme Augusto Campos Torres Nunes como coordenador de Enfrentamento ao Terroritos da Diretoria de Inteligência.

O GGN verificou que foram 99 portarias, contendo em cada uma delas desde 1 até 50 nomeações em uma única portaria. Foram 16 páginas do diário oficial extra dedicadas à modificação da Polícia Federal em diversos setores e estados. Os novos nomes foram assinados pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Tercio Issami Tokano, pela diretora de Gestão de Pessoal da PF, Cecilia Silva Franco, e pelo próprio diretor da PF nomeado por Bolsonaro, Rolando Alexandre de Souza.

Disponibilizamos a íntegra dessas mudanças, abaixo:

 

 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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5 Comentários
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  1. Bo Sahl

    26 de maio de 2020 1:48 pm

    PoiZé… Bozo ou Witzel.
    Ao povo braZileiro cada vez mais só restam as “escolhas de só pia” …

  2. Bo Sahl

    26 de maio de 2020 1:59 pm

    Se vc fosse um policial federal em qualquer posto e visse acontecer uma mudança como essa em seu entorno, vc reagiria de alguma forma, ficaria na sua ou aderiria?
    “Détis de cuéstion”…

  3. Romanelli

    26 de maio de 2020 2:09 pm

    Sábio aquele que nos lembrou que antes de lula da Silva essa corporação passava a pão e água .
    Hj, verificados, e mais do que comprovados, o uso político dessa máquina de perseguir adversários, a cada dia me convenço que essa instituição precisa ser refundada.

    1. Naldo

      26 de maio de 2020 5:43 pm

      Passavam a pão e água ocupando alguns prédios caindo aos pedaços na boca do lixo ….a briga é pela autônomia, por que duvido que algum governante vá investir como Lula investiu…. agorinha mesmo tem um concurso que estão enrolando para aprovar….

  4. andre rs t

    26 de maio de 2020 3:17 pm

    o Brasil virou propriedade particular da familicia Bozo. No oriente medio a Arabia Saudita tem o nome da familia Saudita ate no nome : o plano de didaturas sanguinarias apoiadas por Trump que só quer nosssas riquezas, que pesadelo

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