No RS, salários dos servidores são parcelados

Por Jorge Lima

No dia 31/07, às 11hs da manhã, o Rio Grande do Sul mergulhou na anomia. Como conceituou Durkheim, numa sociedade em anomia “faltará uma regulamentação durante certo tempo. Não se sabe o que é possível e o que não é, o que é justo e o que é injusto, quais as reivindicações e esperanças legítimas, quais as que ultrapassam a medida” (Durkheim, 1974). Ao desrespeitar mandamento expresso no Art. 35 da Constituição Estadual, que determina o pagamento dos vencimentos dos servidores estaduais no último dia útil do mês trabalhado, bem como desobedecer determinações do TJ/RS e do STF que proibiam o parcelamento de salários, o governo Sartori mergulhou o RS em uma zona cinzenta, onde não há mais respeito ao ordenamento jurídico.

Ainda que legítimo, posto que eleito com 62% dos votos em segundo turno, o governo Sartori não tem mais autoridade e tampouco governa o RS. Todas as corporações estaduais, dos delegados de polícia aos auxiliares administrativos, passando pelos professores, policiais civis e militares, não reconhecem mais a autoridade do governo. Essa rejeição implica em ações requerendo imediata intervenção federal no estado, prisão e sequestro de bens do governador e mobilizações de todos os setores do serviço público estadual com paralisações, marchas e a possibilidade de uma greve geral. O governador desapareceu do estado (dizem que está em uma festa de família no Paraná), e o secretariado parece incapaz de entender a situação, divulgando notas oficiais em que parecem acreditar que ainda tem algum comando sobre a máquina pública.
 
Para amanhã, dia 03/08, tudo se encaminha para a seguinte situação: as escolas estaduais estarão fechadas, a polícia militar não sairá dos quartéis, a polícia civil não sairá das DPs, as agências bancárias e as lojas da capital permanecerão fechadas. A recomendação é de que as pessoas fiquem em casa, pois não haverá segurança nas ruas.
 
A desculpa do governo para parcelar os salários é que não há dinheiro. O resultado do parcelamento é que o estado irá parar totalmente, destruindo a economia local.
 
A eleição desse governo tem se explicado por duas vertentes: a) tirar o PT; b) os eleitores se identificaram com a imagem formada pelos marqueteiros, que transformaram um político de carreira em um colono humilde e simplório. Deu no que deu.

15 comentários

    • O PT governou o RS somente por dois períodos!

      O PT governou o RS somente em dois períodos, o governo de Olívio Dutra em que a dívida não aumentou e no de Tarso em que continuou com a mesma tendência, neste período a direita teve Britto, Rigotto, Yeda e anteriormente os outros governos fizeram a dívida pública disparar. Aí se culpa o PT de tudo, sem a mínima fonte.

      Para dar um histórico da dívida pública do estado coloco os dados com o crescimento desta para cada governador.

      Aumento da dívida pública do RS (Dados tesouro do Estado do Rio Grande do Sul), publicado pela RBS (de oposição ao PT) http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_divida_rs/imagem_linha_tempo.jpg:

      Triches (Arena) 194,4%

      Sinval Guazzeli (Arena) 36,1%

      Amaral de Souza (PDS-Arena) 79,1%

      Jair Soares (PDS) 38,8%

      Pedro Simon e Gazzelli (PMDB) 0,1%

      Alceu Collares (PDT) 23,5%

      Antonio Britto (PMDB) 122,3%

      Olívio Dutra (PT) -0,3% (primeiro com diminuição da dívida pública em 40 anos (sem recessão)

      Germano Rigotto (PMDB) 1,8%

      Yeda Crusius (PSDB) -1,0% (crescendo a metade que no resto do País)

      Tarso Genro (PT) 2,3%

      Com os “pequenos saltos” como o de Triches (194,4%), Amaral de Souza (79,1%) e Antonio Britto (122,3%) se vê que o grande culpado é o PT , Olívio Dutra (-0,3) e Tarso Genro (2,3%).

      Caro Fábio, andes de ficar dizendo merda era melhor olhar os DADOS.

  1. Falando dos professores

    Pronto! Chegou a tucanhalha. Com todos os defeitos da administração Tarso Genro, sempre recebemos salários! Daqui a pouco, como Richa, a culpa é da Dilma, epere e verá!

  2. O problema que os marqueteiros foram tão bons!

    O problema que os marqueteiros foram tão bons, mas tão bom mesmo, que o Político de Carreira assumiu a posição de um colono humilde e simplório.

  3. Só os gaúchos acreditaram no

    Só os gaúchos acreditaram no discurso do Sartori! A eleição de Yeda Crusius e Ivo Sartori para governador do Rio Grande do Sul, mais uma vez demonstra que os eleitores não agiram com a razão. Tarso Genro se elegeu para consertar a herança deixada pela governadora tucana. Agora, serão mais quatro anos de sofrimento do povo gaúcho e em 2018 teremos a volta do PT, para novamente, colocar o estado nos trilhos. 

  4. Se o cidadão trabalhador vota

    Se o cidadão trabalhador vota em alguém esperará dele melhoras de vida, e não se vê, de uma hora pra outra, sem receber seu salário. Portanto, pelo andar da carrugem, o sul do Brasil vai mal das pernas, tendo no Paraná e no RS governadores despreparados, obstusos, irresponsáveis e incompetentes. Mas, infelizmente, é o povo votante, o eleitor, o maior responsável por essa miséria. O arrependimento já bateu as portas dos eleitores. 

  5. Agora é herança do Tarso, do

    Agora é herança do Tarso, do PT. Em 2003 Lula foi quem herdou coisa boa. O resto é bobagem. Que nem aqui no DF. O Agnelo herdou o caos, mas como é muito burro, não soube administrar nada. Heranças não podem ser desculpas para incompetência, falta de consideração e responsabilidade.

  6. E nada de notícias no pig.

    E nada de notícias no pig. Irão esconder até não poderem mais. Mas aí chamarão o governador para uma entrevista exclusiva e ele, claro, dará todas as justificativas, e pronto, está perdoado.

  7. A crise do RS não é culpa do Tarso!

    A crise do RS não é culpa do Tarso!

    “Diante do atraso no pagamento da remuneração dos servidores estaduais, de fornecedores e da paralização de obras contratadas pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, muito tem se falado, com certo grau de razão, que a maior culpada do caos que atinge os gaúchos é a divida pública. E que a culpa, vejam só, é do ex-Governador Tarso Genro.

    Até podem ter diagnosticado a doença, mas equivocam-se no patógeno!

    Culpar o Tarso, o Governador que na história recente do RS mais investiu em educação e saúde – e pagou em dia os salários do funcionalismo – pelas opções do “gringo simples” é uma necedade, produto da mais pura desinformação ou má-fé!”

    Para continuar lendo…http://jornalggn.com.br/blog/charles-leonel-bakalarczyk/o-tremedal-da-divida-publica-gaucha-e-seu-patogeno

  8. “A eleição desse governo tem

    “A eleição desse governo tem se explicado por duas vertentes: a) tirar o PT; b) os eleitores se identificaram com a imagem formada pelos marqueteiros, que transformaram um político de carreira em um colono humilde e simplório. Deu no que deu.”

    Em cheio. Não votei no Sartori e jamais votaria no PMDB gaúcho (que na verdade é um PSDB disfarçado, pois tem as mesmas ideias e convicções do tucanato nacional. PSDB local inexiste). Mas na verdade o atual governador jamais disse a que veio. Na campanha só dizia que, como “colono humilde” trabalharia muito para resolver todos os problemas do Estado, afinal trabalhando tudo se resolvia (típico discurso da colonada italiana, que acha que tudo se resolve trabalhando muito e pensando pouco). Não tinha projeto de governo. Nunca teve, nunca soube o que fazer. E ainda não sabe.

    Eleito democraticamente, Sartori tem toda a legitimidade para governar. Todavia fez tantas pixotadas (aprovou o aumento dos salários dos deputados, criou cargo para a esposa (R$ 27.000,/mês), suspendeu o pagamento dos fornecedores por 180 dias, e por aí vai) que não te mais nenhum capital político ou credibilidade para governar. O atraso e parcelamento dos salários é apenas mais um prego no próprio caixão. 

    Sua situção poderia ser menos ruim se assumisse uma atitude de ombridade, mostrasse o rosto para os gaúchos e explicasse o que está havendo e se dissesse o que pretende fazer (privatizações ao gosto da RBS e asseclas, exoneração para grandes empresas esperando retorno nos tais “investimentos” e aumento de impostos). Mas não, simplesmente sumiu e ninguém sabe onde está.

    PS.: enquanto isso a RBS dá sua contribuição distraindo a gauchada analfabeta polítifcamente, dedicando 24 horas por dia ao grande momento guasca do mês: o Grenal.

     

  9. A oposição aqui não pede impeachment.

    A oposição no Rio Grande do Sul não pede impeachment, sabem que perderam as eleições democraticamente e dão até soluções para o problema, soluções impactantes, porém ninguém, apesar de tudo que Sartori está fazendo, está saindo as ruas (sem ser os próprios funcionários públicos, que tem direito a fazer isto) está pedindo a saída do Governador.

    • Por pior que tenha sido o

      Por pior que tenha sido o início desse governo destrambelhado e por mais que eu me opunha ao modo gaudério-peemedebista de governar, o mandato do Sartori é legítimo. É cedo para fazer tal afirmação, mas para mim ele se rapídamente se transformou num cadáver político. Mesmo assim ele deve ir até o fim. E os gaúchos que segurem o rojão. Escolheram. Agora que se lasquem. 

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