O despreparo do Governo do Rio com a crise, por Jandira Feghali

O despreparo do Governo do Rio com a crise

por Jandira Feghali

O castelo de cartas caiu. A falência do Estado do Rio de Janeiro desnuda a inoperância e o despreparo dos governadores nos últimos anos. Com um dos maiores PIBs do país, alto índice de investimento direto e indireto pelo Governo Federal, recebimento de grandes eventos e royalties do Petróleo que sempre foram importantes no Orçamento, o PMDB joga covardemente o estrago causado por sua gestão no colo dos servidores.

Pelo que se vê, um desastre. 

Ampliar a contribuição previdenciária de 11% para 14%, como sugerem, é um absurdo. Inconstitucional é criar alíquota de 30% para aposentados, hoje isentos (portanto os menores valores), numa política confiscatória.

O pacote de Pezão / Dornelles pode ser equiparado à famigerada PEC 241 de Temer. O ataque frontal aos trabalhadores e servidores é imposto, sem negociação ou diálogo com os sindicatos, associações e sociedade civil. 

Ainda há as consequências diretas nos mais pobres. Nesta bomba, foi decretado o fim da política do Aluguel Social, que hoje atende mais de 10 mil famílias no estado e já foi defendido pela Defensoria Pública do Estado em agosto. Além disso, haverá extinção do Renda Melhor e dos restaurantes populares, que beneficiam milhares de outras famílias de baixa renda e precisam destas políticas para sobreviver. “Dane-se os mais pobres!”, parece gritar o Palácio Guanabara.

Se a classe média, seja servidora pública ou não, acha que vai escapar dos efeitos do pacote de maldades, engana-se. É previsto no pacote o aumento do ICMS da energia, gasolina e telefone. O remédio amargo percorrerá inevitavelmente a renda de milhões de fluminenses, sem exceção.

A desculpa para Pezão / Dornelles tesourarem esses trabalhadores é um suposto alto índice de servidores no Rio. Um inchaço que requer cortes. Metade do que pretendem economizar atinge diretamente os ativos e inativos do serviço público. 

Porém, essa teoria cai por terra através de estudo do professor Mauro Osório. Segundo ele, o crescimento da folha de servidores no Rio entre 2006 e 2015 foi de apenas 1.2%. O aumento da massa salarial entre 2014 e 2015 nem chega a esse valor: 1.1%. Há uma ilusão sendo construída quando, na verdade, faltou planejamento e investimento em base produtiva. O incentivo fiscal, por exemplo, foi amplo e sem critério para vários setores empresariais.

As inconstitucionalidades do pacote de medidas fizeram com que a Assembleia Legislativa do Rio devolvesse os projetos de confisco salarial e dos benefícios ao governo. Precisamos que o pacote seja recolhido e que busquemos alternativas à crise fluminense.

Jandira Feghali – Médica, deputada federal (PCdoB/RJ) e líder da oposição.

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5 comentários

  1. Para os magistrados tem dinheiro.

    O PMDB atolado até o pescoço em processos judiciais tem sempre disposição para dar dinheiro sempre para os magistrados.

    Alerj aprova auxílio-educação para magistrados e servidores

    http://www.tjrj.jus.br/web/guest/home/-/noticias/visualizar/12701?p_p_state=maximized

    No Governo Federal, após o sucesso da parceria no GOLPE:

    Câmara aprova aumento salarial para ministros do STF

    http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/509826-CAMARA-APROVA-AUMENTO-SALARIAL-PARA-MINISTROS-DO-STF.html

     

     

     

     

     

     

    • e um concentrado populacional em uma pequena área.

      com grande arrecadação por conta dos royalties do petroleo. e um dos mais miseráveis de se viver. como pode estar quebrado?

  2. Sou contra as mudanças

    Sou contra as mudanças propostas por Pezao e sua quadrilha. Mas é bom ressaltar que o partido da Jandira apoiou este governo nos ultimos 12 anos. E nunca ouvi criticas serias ao PMBD do Rio por parte do partido dela. Ou qualquer referencia à corrupção nos governos do PMDB no Rio. E estava claro o que estava acontecendo. Onde eles estavam, em Marte?

  3. Não há dinheiro para o

    Não há dinheiro para o aluguel social, mas os intocáveis juízes e procuradores recebem em seus gordos contracheques uma rubrica chamada AUXÍLIO MORADIA de R$ 4.300,00, sem o menor constrangimento.

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