22 de junho de 2026

O fim do sonho da casa própria, por Luís Nassif

Antes, depois da iniciação profissional, os casais conseguiam adquirir a casa própria, livrando-se do aluguel. Hoje em dia, é impossível.
MCMV Piauí - Divulgação

Jovens enfrentam dificuldade para comprar casa própria, antes acessível após início da carreira profissional.
Aluguel de imóvel de R$ 1 milhão varia entre R$ 4,5 mil e R$ 6 mil, dependendo da cidade e padrão do imóvel.
Financiamento com taxa de juros alta dificulta compra; taxa baixa, como na França, tornaria parcelas mais acessíveis.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Um dos maiores fatores de desesperança para os jovens que ingressam no mercado de trabalho é a dificuldade em conseguir a casa própria – que, durante gerações, foi a ambição de todas as famílias.

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Em outros tempos, depois do período de iniciação profissional, os casais conseguiam adquirir a casa própria, livrando-se do aluguel.

Hoje em dia, é impossível.

Vamos a algumas contas, para analisar esse problema.

Suponha um apartamento no valor de R$ 1 milhão. Seu tamanho variaria de acordo com cidade e região.

Para um apartamento de R$ 1 milhão, o aluguel médio no Brasil hoje costuma ficar entre R$ 4,5 mil e R$ 6 mil por mês, dependendo da cidade, metragem e padrão do imóvel.  

O tamanho do imóvel depende da cidade e da região,.

Vamos, agora, supor que – assim como nos tempos de seus pais – o jovem casal decidisse tomar um financiamento para adquirir o imóvel. Em outros tempos, o valor do financiamento quase batia com o aluguel. E agora?

Suponha que, com o auxílio dos pais, o casal consiga R$ 200 mil de entrada. Nesse caso o valor da prestação ficaria assim:

Se a taxa de juros fosse similar à da França – de 2% ao ano, nossa tabela ficaria assim:

Quando o presidente do Banco Central critica as taxas do Sistema Financeiro da Habitação, por supostamente prejudicarem os pequenos poupadores, na outra ponta ele está fechando as portas para o acesso à casa própria.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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13 Comentários
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  1. Claudio

    28 de maio de 2026 12:53 pm

    Este (e vários dos seus últimos posts) comprovam (palavra forte) que o Brasil PRECISA E NÃO TEM “um governo”.

    Dá trabalho e rolam conflitos. Mas é o único caminho.

  2. Sérgio Oddone

    28 de maio de 2026 3:19 pm

    Prezado Nassif! Primeiramente, externo minha admiração pelo excelente profissional que você é, e pela importância do seu canal. No entanto, com relação à matéria, gostaria de fazer algumas observações: Em financiamentos, através do programa MCMV, os juros, são muito menores do que 12% a.a. Você utilizou nos cálculos, o prazo de 120 meses, o que não é usual em financiamentos imobiliários, que variam de 360 a 420 meses. Neste sentido, é perfeitamente possível, a um jovem casal, fazer um financiamento, com prestações iguais ou menores que o aluguel. Forte abraço!

  3. Evandro Condé

    28 de maio de 2026 4:16 pm

    1) Em Belo Horizonte vc citou os bairros mais caros para se morar. Poderia ter pego mais leve.
    2) Parece que estão fazendo imóvel para quem trabalho no legislativo ou judiciário. Pobres mortais de iniciativa privada, só após década de trabalho. Com sorte.

  4. Xenofonte

    28 de maio de 2026 5:24 pm

    Nassif, falando um pouco fora do assunto, há uma bomba sendo fermentada na classe trabalhadora: o consignado para os CLTs.
    Trabalhadores que já tem condições de vida complicadas, com trabalhos pesados, após o governo autorizar a tomada de empréstimo consignados em folha como CLT, estão caindo em um buraco sem fundo de dívidas, sem qualquer educação financeira.
    Os bancos chegam oferecendo dinheiro do nada, a juros exorbitantes, chegando a 20% ao mês, e o trabalhador se encanta para “comprar a nova TV da copa 2026” e depois não aguentam o trampo das parcelas.
    Tenho dados de uma empresa no Rio de Janeiro cuja folha esta tomada destes empréstimos, tanto que a dona do negócio está muito preocupada com a saúde financeira de seus empregados, apesar dela mesma ter tomado a iniciativa de fazer palestras sobre o problema.
    O pobre, infelizmente, não tem amanhã, vivem cada dia como se fosse o último, pois pode ser mesmo em uma metrópole como o Rio de Janeiro.
    Imagino que este é um problema afetando o Brasil inteiro e que merece estudo e alerta.

    1. J. Alberto

      31 de maio de 2026 8:08 pm

      Um relato desses precisa de mais contextualização. Não é que agora os bancos estão endividando a população. E sim que agora eles estão endividando a população munidos de maiores garantias a favor deles, bancos. Os bancos endividam a população para além do aceitável faz tempo. É necessário um mea-culpa nesse caso. Nós como sociedade fizemos o quê nesse tanto tempo no qual os brasileiros se endividaram loucamente? De concreto, nada. Até as bets deitam e rolam. Ainda falta muito para evoluirmos no assunto educação financeira. Temos que trabalhar e muito nisso…

  5. Renato Kern

    28 de maio de 2026 9:52 pm

    O Nassif a ilustração é de casinhas de 120 mil reias do Minha Casa Minha Vida e o texto é casa de um milhão.

  6. Elton Dietrich

    29 de maio de 2026 8:57 am

    Caro Nassif, bom dia. Entendo que este seu artigo seja uma crítica a questão dos juros e, neste caso, concordo plenamente contigo. Mas os parâmetros que você usou são para familias de classe média alta. Moro numa cidade extremamente cara que é São José dos Campos e mesmo aqui existem imóveis de boa qualidade pela metade do preço que voce usou como parâmetro. Se compra na planta, tem ótimas opções de financiamento. Ainda é sim possível sonhar com a casa própria, mesmo familias com baixa renda através dos programas do governo. Mas você está coberto de razão em meter o pau nestes juros absurdos que são cobrados.

  7. Cristina

    30 de maio de 2026 11:50 am

    Comparação ridícula casal comprar um um apto nesses valores só nos locais mais caros do país fora desse rol as pessoas conseguem sim comprar imoveis até sozinhas .

  8. Solange Freitas

    30 de maio de 2026 4:38 pm

    Quem é que financia um imóvel em 36 meses?

  9. Wotenis

    31 de maio de 2026 11:36 am

    A verdade é que a especulação imobiliária (pelo amor de Deus, procure saber o que é especulação imobiliária antes de me responder), é que torna impossível comprar uma casa hoje. Preços que nao seguem a inflação e para piorar o governo atrapalha com aquilo que eu acho que deveria ser extinto, o CUB.

  10. J. Alberto

    31 de maio de 2026 8:03 pm

    Prezado Nassif, excelente tema que merece aprofundamento em diversas direções:
    1 – Os juros de fato são um grande problema no Brasil – ainda.
    2 – Senti falta de uma abordagem por cima dos “studios”, especialmente em SP capital. Não saem por menos de 300 mil no preço de tabela e são minúsculos, totalmente inapropriados para novas famílias.
    3 – Os alugueis de fim de semana estão pressionando demais os custos de moradia em grandes cidades, a ponto de terem surgido proibições mundo afora.
    4 – Não nos esqueçamos dos condomínios fechados, hoje disponíveis para além da elite. Na grande São Paulo, eles estão transformando totalmente a realidade de cidades-dormitórios. No sentido coletivo, pra melhor. No sentido individual – do comprador -, há prós e contras. A comodidade de comprar um lote e não precisar construí-lo imediatamente com medo de invasão é fantástica. Basta pagar os impostos. Investimento fantástico de longo prazo. Mais ainda no interior. Por outro lado, os preços só galopam, e tentar vislumbrar o futuro disso é intimidador.
    5 – Pra finalizar, uma proposta: há muitos aposentados presos em áreas de risco (favelas). Tanto de risco ambiental, como de risco de ser vítima da violência urbana. O governo federal poderia mapear aposentadas mães de família nessa situação e dar – sim, DAR – casas a elas. Algumas condições básicas: não ter imóvel no nome, ser aposentada, ter descendência, não ter antecedentes, ter nome limpo. O governo poderia cobrar um valor simbólico pela casa, por exemplo 1% de 100 mil reais que seriam 1000 reais. Um subsídio de 99% pela Caixa. O esvaziamento das favelas nas grandes cidades traria um ganho financeiro capaz de cobrir o custo. O projeto poderia ter 5 sites, 1 em casa região do país. A região norte poderia concentrar a maior oferta, para descentralizar um pouquinho a população brasileira.

  11. Patrícia

    1 de junho de 2026 2:55 pm

    Na minha cidade sou cadastrada. Mas nem tem previsão. Não estou conseguindo pagar aluguel, já tenho aluguel atrasado. E aqui só constroem apartamentos. Eu queria uma casa residencial. Com parcelas pequenas. Aqui só uma pessoa trabalha e eu doente não consigo trabalhar, estou desempregada há anos. Mas as autoridades não estão preocupadas com nós. Não estamos conseguindo se alimentar direito e nem meus remédios não estamos conseguindo adquirir. Estou muito triste, e não vai muito acho que vou até passar fome. Num País tão rico. Mas que têm muitos ladrões de colarinho branco. Infelizmente não temos ninguém para nos ajudar.

  12. ALEXANDRE ALVES DE GODOY

    1 de junho de 2026 7:32 pm

    O casal no começo da vida vai financiar um imóvel pequeno, de 50 mts2 de 400k, só depois fará o upgrade.

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