UMA VIAGEM NO TEMPO HISTORICO – Na eleição de 1960 Jânio foi eleito pela legenda da UDN, a inclinação do eleitorado era largamente conservadora, Jânio era um candidato do conservadorismo, suas primeiras medidas na economia tendo Clemente Mariani como Ministro da Fazenda foram ultra ortodoxas. Seu currículo politico vindo do Governo do Estado de São Paulo era absolutamente conservador anti-varguista e anti-esquerdista.
Se o eleitorado era tão conservador em 1960 como teria mudado tanto em 1964? Se era para eleger Jango porque não elegeram Lott?
Jango jamais foi cogitado como candidato a reeleição, lutou tenazmente para se MANTER no Poder, como poderia pensar em reeleição se mal conseguia ficar de pé no Planalto? Isso e uma viagem sem sentido.
A Constituição de 1946 não previa reeleição, o fato de ter ocupado a Presidência o fez Presidente, no sentido literal e completo, dificilmente haveria composição de forças politicas para “”INTERPRETAR” a possibilidade de uma reeleição por ter ocupado a Presidência como Vice e não por ter sido eleito.
Tanto JAMAIS se cogitou essa potencial reeleição que seu cunhado Leonel Brizola se apresentou como candidato a sucessão de Jango, exatamente porque Brizola tinha plena consciência de que jamais Jango poderia ser candidato a sua própria sucessão.
Então essa pesquisa, se existiu, e uma tolice completa. Não havia conjugação de forças politicas para sustentar uma reeleição de Jango. O PTB sozinho jamais teria como articular esse projeto, todas as eleições a partir da Constituição de 1946 foram alianças entre PSD e PTB com o candidato do bloco varguista, a eleição de Jânio foi um ponto fora da curva, como a de Collor. O PTB sozinho não teria palanque para uma candidatura Jango e além disso estava dividido em 1964 em alas, a de São Paulo era rebelde e tinha comando próprio.
Essas conjecturas são portanto meras viagens na maionese, o movimento de 64 teve AMPLO apoio na sociedade, as Reformas de Base eram uma loucura completa, por exemplo desapropriar dez km de terras de cada lado das rodovias, isso jamais passaria em qualquer instancia politica ou judiciaria do Pais no quadro institucional vigente , para fazer as Reformas de Base seria preciso uma QUBREA DO SISTEMA INSITUTCIONAL, revogação do Direito de Propriedade da garantia constitucional de desapropriação mediante prévio deposito do valor em dinheiro, Brizola falava nisso todo dia, esta registrado nos jornais, Brizola pregava uma revolução no direito de propriedade.
A pregação do “inner circle”” janguista, liderado por Brizola era para um auto Golpe de Estado branco, para a partir dele fazer as tais REFORMAS DE BASE inspiradas na Revolução Cubana. Foi esse processo que gerou a formação do IBAD e do IPES, organismos que tal qual redes sociais se formaram para barrar esse movimento REVOLUCIONARIO pregado dia e noite por Brizola pela radio, comícios, TV, imprensa, onde pudesse falar.
Como e que hoje as pessoas negam ou fingem desconhecer essas circunstancias notórias?
Porque a sociedade civil inteira, OAB, Instituto de Engenharia, Igreja, Federações de todas as profissões liberais, de empresários, de médicos, porque se mobilizaram? Por brincadeira?
O queda de Jango de deveu em larga medida a sua falta de senso politico ao tentar trilhar um caminho impossível,
inviável na correlação de forças daquele momento, nunca conseguiria mesmo porque as tais reformas de base eram de uma idiotice completa, iriam liquidar com a economia do Pais, como qualquer pessoa sensata percebia.
A prova provada, a prova dos nove foi a facilidade da derrubada, se houvesse esse consenso a favor da Jango teríamos aqui uma Guerra Civil Espanhola e não uma queda sem qualquer ruído, sem que sequer seu Partido o defendesse com algum movimento de rua, de greve, de protesto.
Fazer reciclagem da Historia e muito fácil se os fatos forem simplesmente removidos.
Diogo Costa
29 de dezembro de 2013 8:42 pmGolpistas tentam inutilmente se justificar
JUSTIFICANDO O INJUSTIFICÁVEL – João Goulart sofreu um golpe de estado por parte dos conservadores que viam seu eleitorado minguar a cada pleito eleitoral. Nem mesmo com o financiamento direito de empresas dos EUA, que foi alvo de uma CPI no Congresso Nacional, os conservadores e a UDN conseguiram reverter a derrocada brutal de votos que o povo brasileiro conferia aos mesmos. O IBAD golpista e reacionário foi inclusive fechado de uma vez por todas em dezembro de 1963, por ordem judicial, depois que o processo oriundo da CPI já referida constatou de forma cabal que as candidaturas conservadoras da UDN, em 1962, foram financiadas diretamente pelos Estados Unidos da América.
Mais do que isto, e para debelar de vez o teor da justificação golpista. Admitamos por um instante que as mentiras propagadas até hoje pelos conservadores financiados pelos EUA tivessem um pingo de veracidade. Pois bem, então bastaria depor João Goulart pelos meios constitucionais previstos na Carta Magna, como foi feito com Fernando Collor de Mello em 1992! Se o governo João Goulart era tão “débil” como os conservadores financiados pelos EUA querem fazer crer até hoje (e que não passa de uma mentira grotesca), porque não esperar a eleição de 1965 e varrer o trabalhismo para o quinto dos infernos? Ou senão, porque então não empreender um processo de impeachment contra João Goulart, procedimento plenamente constitucional e legal, previsto na Constituição?
A verdade absoluta é que os golpistas é que não tinham força para coisa nenhuma. Não tinham força para impedir a vitória de JK pelo PSD, ou de Jango ou Brizola pelo PTB em 1965. No pleito de 1962, a bancada federal do PTB aumentou exponencialmente, passou de 66 para 116 parlamentares! Ora, como é possível dizer que Jango ou o PTB lideravam um governo débil e enfraquecido quando a realidade concreta e objetiva dos fatos diz exatamente o contrário?
Quem estava debilitado e cada vez mais enfraquecido era o setor conservador, para o qual o povo brasileiro reservava sucessivos revezes eleitorais. Esta é a verdade sobre os fatos naquela altura, não o que o conservadorismo inventa para tentar inutilmente justificar o pérfido golpe de estado, financiado pelos EUA, que perpetraram naquela altura.
Outra situação, dizem os conservadores que as medidas de João Goulart eram ruins para a economia brasileira e que levariam o país para o “caos”. Ora, mas é justamente para isto que existe uma coisa chamada DEMOCRACIA. Se as medidas realmente levassem o país ao “caos” propugnado pelos golpistas, o povo brasileiro compareceria às urnas e daria o seu veredicto sobre isso, como acontece em qualquer país minimamente civilizado. Notem que para a direita a democracia só existe quando ela, a direita, vence as eleições. Quando a direita perde sucessivas eleições, dentro das regras da democracia liberal burguesa por ela própria inventada, aí já não mais existe a tal de democracia e logo golpistas aqui e acolá inventam teses para justificar o assassinato da democracia em nome da… Democracia! Não é o fim dos tempos da desfaçatez elevada a enésima potência?
Outro aspecto utilizado pelos golpistas de ontem e de hoje diz respeito ao tal de “golpe preventivo”. Na verdade o golpe de 64 foi exatamente isto, um golpe preventivo para estancar o avanço das forças populares. Mas percebam que os golpistas insistem com a fictícia tese de que o golpe foi feito para “preservar a democracia” e que este golpe livrou o Brasil de um suposto “golpe” que estava sendo articulado pela esquerda… Isto é de uma imbecilidade a toda prova. Ora, o que é isto afinal das contas? É a materialização do golpe por presunção! Funciona assim, a direita perde tais e quais eleições no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo, aí começam a conspirar e inventam o perigo comunista.
Subsequentemente, pregam golpes de estado porque supõem eles, os golpistas, que o outro lado vai fazer um golpe. Ora, pode um policial prender um transeunte porque suspeita que ele irá matar alguém uma semana depois? Pode o Brasil invadir a Bolívia porque suspeita que os bolivianos irão invadir o Brasil dois meses depois? Não foi com base neste pérfido estratagema que os EUA invadiram o Iraque em 2003, porque suspeitavam da existência de armas de “destruição em massa” supostamente existentes naquele país? Isto é uma tese golpista no início, no meio e no fim. E nada mais do que isto. Somente ao povo brasileiro cabe penalizar, através da urna, um governo supostamente inepto! Esta é outra verdade que os golpistas detestam ouvir…
Diz o missivista adorador de golpistas, ao final, que não houve resistência. Uau! Mas que ‘gênio’ da história verde-amarela! Óbvio que não houve resitência. E porque não houve? Porque João Goulart não quis empreender resistência alguma. Simples assim. E mais do que isto, no dia 02 de abril de 1964, o golpista senador Auro de Moura Andrade, golpista que era, declarou vaga a Presidência da República e empossou o também golpista deputado federal Ranieri Mazzili como Presidente.
Ora, neste mesmo dia 02 de abril de 1964 o Presidente Constitucional e legal do Brasil, João Goulart, estava em território nacional (Porto Alegre), não havia renunciado, tampouco se licenciado e menos ainda houvera sofrido um processo de impeachment! Era JANGO o único Presidente Constitucional do Brasil, estava no Brasil e inclusive havia passado a noite anterior na casa do Comandante do III Exército, General Ladário Teles, que estava de prontidão e a postos para cumprir as ordens do Presidente João Goulart. Jango preferiu o exílio DEPOIS que o Congresso Nacional chancelou o golpe de estado feito pelos golpistas militares, em 02 de abril de 1964.
Os golpistas não desistem nunca. A versão deles é a versão que pretende, na verdade, emprestar legitimidade para futuros golpes de estado sempre que o governo A ou B defender ideias e projetos hostis aos conservadores teleguiados por Washington. Mas a verdade já está aparecendo e os golpistas de ontem e de hoje estão nus em sua sanha para justificar o que sempre foi injustificável, sob qualquer ângulo ou ponto de vista de onde se queira olhar.
Marcos Carvalho Campos
29 de dezembro de 2013 9:00 pmExcelente resposta as
Excelente resposta as deturpacoes historicas do AA. Se houve ou nao tal pesquisa de opiniao eh irrelevante
Flics
29 de dezembro de 2013 11:12 pmArrasou!
É isso ai Diogo!…. arrasou com o nosso “Talleyrand-Tiete”….
Andre Araujo
30 de dezembro de 2013 2:09 amA vulgaridade da linguagem
A vulgaridade da linguagem impede qualquer debate serio.
Andre Araujo
30 de dezembro de 2013 2:08 amAqui nao ha golpistas, somos
Aqui nao ha golpistas, somos cidadaos debatendo a Historia de nosso Pais.
sergior
29 de dezembro de 2013 9:00 pmEsqueceu de dizer que a ficha
Esqueceu de dizer que a ficha de filiação de Jango ao PCB foi encontrada com as cadernetas de Prestes. E que ele era um dos membros do Comitê Central do Partido.
-Charlie-
29 de dezembro de 2013 9:08 pmCerto…
O golpe de 64 foi
Certo…
O golpe de 64 foi legítimo então, culpa de Jango…
Pode me explicar então o porquê das mesmas forças reacionárias que se reaglutinaram em 64 já haverem tentado tomar o poder pela via golpista outras duas vezes nos 10 anos anteriores? Falo especificamente sobre a a campanha midiática e política que resultou no suicídio de Getúlio, em 1954, e da tentativa de impedir a posse de Juscelino, em 1956.
Nira
29 de dezembro de 2013 10:26 pmSem falar nas tentativas de
Sem falar nas tentativas de golpe da aeronáutica nos episódios de Aragarças e Jacareacanga, que Juscelino tratou com petelecos.
alexandre a.moreira
29 de dezembro de 2013 9:24 pmA fraqueza política do governo Jango
André coloca um ponto concreto e embasado em fatos que não estão escondidos. Não há dúvida que a capacidade de repressão do golpe militar ajudou a minimizar qualquer revolta mas se fossemos dar toda esta importância para a tal pesquisa do Ibope, o André está certo em falar em guerra civil embora de fato hoje temos esse número de mortos anuais pela banalização do mal …já diria o presidente do Supremo.
A nossa guerra civil existe, desde sempre, como na Africa, não é verdadeiramente ideológia, é patrimonialista e territorial; só não está historiografada porque os donos da palavra não se dispuseram a escrever e os de fora tratam com indiferença acadêmica um fenômeno de massas, a mortandade violenta no limiar da sobrevivência.
Assis Ribeiro
29 de dezembro de 2013 9:51 pmAndré
É daqueles que acreditaram na história de que Jango implantaria por aqui o comunismo cubano.
É daqueles que leram a cartilha e não refletiram, acredita que o jogo dependia de um grande líder (ele adora grandes líderes), sequer avalia o motivo da derrubada de governos em quase todo o continente, esquece que Jango sucedeu aquele que renunciou “por forças ocultas”.
É daqueles que pensam, como ele mesmo diz: “o movimento de 64 teve AMPLO apoio na sociedade, as Reformas de Base eram uma loucura completa,”,
Quando na realidade as reformas de base foi resultado das aspirações da classe média, dos trabalhadores e da classe empresarial nacionalista, contra a economia prisioneira das commodities e grandes latifúndios, por isso a reforma agrária foi a principal bandeira das reformas, problemas até hoje questionado e com avanços lentos.
Outro ponto foi a reforma urbana, entre muitas sugestões, previa:
“… concessão aos inquilinos que assim desejassem, o direito de comprar o imóvel ocupado, no caso sua residência, resguardando-se o direito do proprietário de manter sua própria residência excluída de qualquer concessão.”
Essa medida inclusive já virou lei
As reformas de base foram propostas que visavam promover alterações nas estruturas econômicas, sociais e políticas que garantisse a superação do subdesenvolvimento e permitisse uma diminuição das desigualdades sociais no Brasil.
Esse era o anseio da população da América do Sul e os golpes das elites retrógradas do continente apenas atrasaram esse processo que já tinha ocorrido em todos os países democráticos e desenvolvidos.
Lamentável ver que alguns ainda defendem o golpe, quando a própria imprensa que apoiou a derrubada do governo já não o chama mais o triste episódio de revolução.
Andre Araujo
30 de dezembro de 2013 12:22 amInquilino comprar a casa SE
Inquilino comprar a casa SE DESEJAR? Vc ouviu uma estoria e nao entendeu. O que existe na Lei do Inquilinato nao e isso. Nao ha o SE DESEJAR. O inquilino TEM A PREFERENCIA NA COMPRA EM IDENTICAS CONDIÇOES A UM TERCEIRO COMPRADOR SE O DONO QUISER VENDER.
Eu NAO ACREDITO QUE JANGO LIDERARIA UMA REVOLUÇAO COMUNISTA, nao era da indole do Jango tentar exercer uma liderança desse tipo. Mas eu acredito que Jango seria o nosso KERENSKY, seria o abre alas para uma REVOLUÇAO
QUE SE DARIA SEM ELE, provavelmente com Brizola, da mesma forma como Kerensky foi afastado depois que exerceu seu papel preparatorio. Jango estava deixando Pais ir ao caos sem ter muita consciencia disso, era um processo que o conduzia, nao era ele o condutor. O processo de radicalizaçao nao era realista. O Brasil nao iria aceitar aquele processo, a ruptura com a elite do Pais se daria sem que Jango tivesse o poder para vencer esse embate.
O que me parecia incrivel era Jango nao perceber que caminhava para o abismo, qualquer um via.
ed. não logado
30 de dezembro de 2013 1:50 amCaos armado
Como diz a música, eu si que vc sabe que quem criava o caos era a plutocracia golpista, infiltrando e fomentando greves, falta de víveres e fazendo terrorismo midiático (como ainda hoje). Ou estávamos em paises diferentes?
Qualquer que fosse o “abismo que Jango quisesse nos levar”, inadvertidamente ou não, poderia ser controlado pelo PLENO FUNCIONAMENTO DAS INSTITUICÕES então em vigor. Além do fim próximo de seu governo tão “perigoso”.
A verdade, é que a razão para o golpe, como todos na nossa História é simplesmente a oligarquia (exosubordinada) recuperar o poder discricionário (e até confortável) do que vale e do que não vale na nação.
Democracia tem este “perigo”, para eles (como são burros, poderiam ser elite de um EUA ou uma Noruega tropical!).
Hoje, por sua mediocridade, estão tomando um sufoco de um ex-operário e uma ex-guerrilheira (que nada têm de comunistas ou anti-capitalistas, como eu) e estão nervosos e desorientados sobre o que fazer.
Topam qualquer bizarrice, de AP171 a criar terrorismo econômico. De sequestrar movimentos legítimos a redes sociais de papagaios. Ou roubar (muito) e gritar pega ladrão!
Como são historicamente incompetentes e pouco sagazes (apenas tem dinheiro e são truculentos … quando tem guarda-costas), vão vir com artlharia pesada.
Pensando não melhor do que se ainda estivessem nas trincheiras da Primeira Guerra.
Usarão até gás mostarda.
Jurandir Lucas de Oliveira
29 de dezembro de 2013 9:58 pmLixo de quem ainda “pensa”
Lixo de quem ainda “pensa” com a cabeça da época da Guerra Fria. Quanto à mudança de humor do eleitorado em quatro anos, é de se perguntar então por que em 1998 FHC foi reeleito, e em 2002 seu candidato foi derrotado por Lula… É a lógica tostines.
Álvaro Noites
30 de dezembro de 2013 12:39 amExatamente a mesma questão
Exatamente a mesma questão que me veio a cabeça: o que houve em 2002 então?
Antônio CDS
29 de dezembro de 2013 10:02 pmEntão o Ibope entregou um documento falso?
Ora, o fato da pesquisa sondar o potencial de votos de Jango numa hipotética eleição não significa que contassem com a possibilidade dele disputá-la.
Como a pesquisa pelo jeito, não foi divulgada (interessante saber quem pediu a pesquisa), este quesito poderia ter sido incluida pelo contratante para, por exemplo, ante a eventual alta popularidade de Jango, medir sua capacidade de transferência de votos (para JK ou Brizola).
Jorge Nogueira Rebolla
29 de dezembro de 2013 10:29 pmFederação do Comércio do Estado de São Paulo…
…foi quem encomendou a pesquisa sobre a popularidade do Jango. O seu governo para os entrevistados em São Paulo era:
Ótimo para 7%
Bom para 29%
Regular para 30%
A divulgação destas pesquisas é pública há muitos anos, não foi furo do Mino no mês passado.
Os paulistanos também opinaram sobre outros assuntos:
80% era contra a legalização dos partidos comunistas
57% consideravam que o comunismo estava crescendo no Brasil
Outra pesquisa da época, março de 1964, com intenções de votos para os possíveis candidatos apontaram no cenário com JK:
JK – 40%
Carlos Lacerda – 14%
Magalhães Pinto – 10%
Substituindo-se JK por Jango este também alcançava os mesmos 40%, mas a rejeição ao Goulart era de 52%. Pesquisa realizada nas cidades de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza, Recife, Salvador e Curitiba
Antônio CDS
30 de dezembro de 2013 2:53 amE não é que a história tenta se repetir como farsa mesmo?
E quais seriam as rejeições do Magalhães Pinto (Campos/Marina) e Lacerda (Aécio)?
Provavelmente maior, para terem que lançar mão dos Black Blocs, Mídia Ninja e Anonymous para aplicar o golpe.
Só que os tempos são outros,
Andre Araujo
30 de dezembro de 2013 12:11 amUma pesquisa nao e documento,
Uma pesquisa nao e documento, nao vale mais do que os dados que se apresentam, para quem quiser acreditar.
Antônio CDS
30 de dezembro de 2013 2:40 amÉ mesmo ? AA do burocrata carimbador maluco…
Tem que ser taxado, rotulado, carimbado pra ter que valer…
Referia-me a documentos e não documentos…
Não um papel oficial, mas qualquer objeto que que sirva para estudo histórico.
autonomo
29 de dezembro de 2013 10:48 pm1.”A prova provada, a prova
1.”A prova provada, a prova dos nove foi a facilidade da derrubada, se houvesse esse consenso a favor da Jango teríamos aqui uma Guerra Civil Espanhola e não uma queda sem qualquer ruído, sem que sequer seu Partido o defendesse com algum movimento de rua, de greve, de protesto.”
Quanta deturpação dos fatos.
So não houve uma”Guerra Civil Espanhola” porque Jango era um politico da paz, da cordialidade..
Tinha certeza, como todos que vivenciaram aqueles anos, que se resolvesse liderar um resposta armada ganharia, mas haveria muito derramamento de sangue entre nos.
2″O queda de Jango de deveu em larga medida a sua falta de senso politico ao tentar trilhar um caminho impossível,inviável na correlação de forças daquele momento, nunca conseguiria mesmo porque as tais reformas de base eram de uma idiotice completa, iriam liquidar com a economia do Pais, como qualquer pessoa sensata percebia”
Muitas das reformas que Jango pretendia implantar continuam sendo necessarias ate hoje.
O tal do Andre Araujo, que andou escondido atras de outro nome, depois que descobriram que seus “democraticos”amigos americanos espionavam o mundo inteiro, é metido a sapichão e não sabe que muitas das refrmas popostas por Jango foram implantadas pelos proprios militares, inclusive relacionadas ao petroleo.
3.”Porque a sociedade civil inteira, OAB, Instituto de Engenharia, Igreja, Federações de todas as profissões liberais, de empresários, de médicos, porque se mobilizaram? Por brincadeira?”
Que sociedade civil inteira?
Sera que esse americanofilo de plantão não sabe que centenas de padres foram presos, como medicos, engenheiros, estudantes, empresarios nacionalistas, cientistas,professores, jornalistas, arquitetos,advogados.
O cidadão confunde “sociedade civil” com senhoras da sociedade, lideradas por D. Leonor de Barros, esposa do integro governador Adhemar de Barros.
4.”Jango jamais foi cogitado como candidato a reeleição, lutou tenazmente para se MANTER no Poder, como poderia pensar em reeleição se mal conseguia ficar de pé no Planalto?”
Esse AA gosta de prova dos 9.
Então vamos la.
Porque então assassinaram Jango, como Juscelino?
Obelix
29 de dezembro de 2013 11:34 pmUma outra viagem no tempo histórico.
São respeitáveis as tentativas do Senhor André Araújo. Ele tem direito às suas convicções, e na medida que as colocou como comentário, e o editor do blog as elevou a post, não há nada demais em discordar delas.
Vamos então a difícil tarefa de contra-argumentar alguém com certezas tão bem escritas:
UMA VIAGEM NO TEMPO HISTORICO – Na eleição de 1960 Jânio foi eleito pela legenda da UDN, a inclinação do eleitorado era largamente conservadora, Jânio era um candidato do conservadorismo, suas primeiras medidas na economia tendo Clemente Mariani como Ministro da Fazenda foram ultra ortodoxas. Seu currículo politico vindo do Governo do Estado de São Paulo era absolutamente conservador anti-varguista e anti-esquerdista.
Se o eleitorado era tão conservador em 1960 como teria mudado tanto em 1964? Se era para eleger Jango porque não elegeram Lott?
Resposta: Bem, seguindo esta linha, poderíamos atrasar um pouco mais o destino da máquina do tempo, e descermos em 54, ou em 59. Poderíamos perguntar como um eleitorado varguista tão arraigado, devotado e que empurrou os setores da UDN de volta para as cavernas, após a comoção do ato dramático do gaúcho, poderia ter se transformado em uma massa conservadora e anti-varguista. Ou como deram tanto apoio a JK, uma liderança que não era, nem de longe, anti-varguista ou ultra-direitista?
Eu, modestamente, penso que nos falta a capacidade de imaginar os arranjos políticos da época, sem que levemos em conta nossa cultura e filtros de compreensão da realidade atuais, onde principalmente, faz uma enorme diferença a questão da não reeleição, as questões regionais, a própria questão da chapa (presidente e vice votados em separado), o perfil das máquinas de propaganda e dos partidos, a conformação dos meios de comunicação e sua capacidade de mobilização, etc, etc, e claro, o ambiente extremado da Guerra Fria, bombardeado diuturnamente pela nossa matriz cultural, os EEUU.
Ainda assim, Janio foi a conjunção de ingredientes raros na cena nacional até então: um político conservador e ultra-popular, que mantinha seu capital político à base de trejeitos e simbologias típicas dos candidatos populares, e uma pauta de fácil compreensão: a vassoura para varrer a corrupção. Acho que só tivemos um tipo parecido em 89, com Collor (por incrível coincidência, nenhum dos dois chegou ao final).
Jango jamais foi cogitado como candidato a reeleição, lutou tenazmente para se MANTER no Poder, como poderia pensar em reeleição se mal conseguia ficar de pé no Planalto? Isso e uma viagem sem sentido.
Resposta: Aqui, mais uma leve indução a imaginarmos que foi Jango o culpado pela sua instabilidade. Como vice-presidente constitucionalmente eleito, não foi ele que criou impedimentos à sua posse, e sequestrou seu mandato na “saída honrosa” parlamentarista. E foi justamente a luta tenaz para tomar posse, e depois governar, de fato e de direito, que revelam que Jango foi capaz de reverter o quadro inicial que se estabeleceu contra ele. Ou o fim do parlamentarismo foi um golpe? Ou será que as pessoas que decidiram esmagadoramente no plebiscito estavam sob efeito de alguma droga soviética?
A Constituição de 1946 não previa reeleição, o fato de ter ocupado a Presidência o fez Presidente, no sentido literal e completo, dificilmente haveria composição de forças politicas para “”INTERPRETAR” a possibilidade de uma reeleição por ter ocupado a Presidência como Vice e não por ter sido eleito.
Tanto JAMAIS se cogitou essa potencial reeleição que seu cunhado Leonel Brizola se apresentou como candidato a sucessão de Jango, exatamente porque Brizola tinha plena consciência de que jamais Jango poderia ser candidato a sua própria sucessão.
Resposta: Aqui só temos especulações. E contra especulações, podemos especular à vontade. Cerca de um ano do pleito, e com a ampliação do apoio popular a sua volta, Jango poderia propor este debate, o que, de fato, não lhe garantiria sucesso, mas imobilizaria a oposição, por exemplo. Assim como a candidatura de Brizola poderia ser esta cabeça de ponte, já que o cunhado era considerado mais extremista dos seus aliados.
Enfim, neste quesito, qualquer que seja o cenário imaginado, podemos dizer que Jango teria enormes chances de fazer seu sucessor, e que as chances da UDN eram quase nulas. Aqui está a chave do golpe.
Então essa pesquisa, se existiu, e uma tolice completa. Não havia conjugação de forças politicas para sustentar uma reeleição de Jango. O PTB sozinho jamais teria como articular esse projeto, todas as eleições a partir da Constituição de 1946 foram alianças entre PSD e PTB com o candidato do bloco varguista, a eleição de Jânio foi um ponto fora da curva, como a de Collor. O PTB sozinho não teria palanque para uma candidatura Jango e além disso estava dividido em 1964 em alas, a de São Paulo era rebelde e tinha comando próprio.
Resposta: Tolice é discutir pesquisa. Eu já li aqui, várias vezes, todas as considerações do Senhor André e seus amigos, repudiando (e com razão) os partidários do governo quando reclamam das pesquisas desfavoráveis.
Afinal, Senhor André, pesquisa é ou não é sério?
Eu, a meu modo, penso que pode-se debater suas intenções, sua metodologia. seus usos, mas eu não em sinto à vontade de debater somente os números, só porque eles não se encaixam na minha visão de realidade. E o propósito deste pesquisa era definir qual o peso do presidente na disputa que se aproximava, inclusive para medir seu grau de possibilidade de pleitear uma reeleição.
Assustados com o resultado, partiram para o que sabiam fazer de melhor: conspirar e golpear.
Essas conjecturas são portanto meras viagens na maionese, o movimento de 64 teve AMPLO apoio na sociedade, as Reformas de Base eram uma loucura completa, por exemplo desapropriar dez km de terras de cada lado das rodovias, isso jamais passaria em qualquer instancia politica ou judiciaria do Pais no quadro institucional vigente , para fazer as Reformas de Base seria preciso uma QUBREA DO SISTEMA INSITUTCIONAL, revogação do Direito de Propriedade da garantia constitucional de desapropriação mediante prévio deposito do valor em dinheiro, Brizola falava nisso todo dia, esta registrado nos jornais, Brizola pregava uma revolução no direito de propriedade.
Resposta: Cada um lê a História como melhor lhe apraz. O golpe de 64 foi civil, com apoio de amplos setores da classe média, da elite, e chancela militar. Uma poderosa máquina de propaganda destinada a imobilizar qualquer questionamento popular, quer pela natureza atávica brasileira (avessa ao conflito, embora majoritariamente violenta), quer pelo controle ideológico exercido (impensável nos dias de hoje) e enfim, pelo pânico resultante da exploração dos receios da Guerre Fria.
A pregação do “inner circle”” janguista, liderado por Brizola era para um auto Golpe de Estado branco, para a partir dele fazer as tais REFORMAS DE BASE inspiradas na Revolução Cubana. Foi esse processo que gerou a formação do IBAD e do IPES, organismos que tal qual redes sociais se formaram para barrar esse movimento REVOLUCIONARIO pregado dia e noite por Brizola pela radio, comícios, TV, imprensa, onde pudesse falar.
Como e que hoje as pessoas negam ou fingem desconhecer essas circunstancias notórias?
Porque a sociedade civil inteira, OAB, Instituto de Engenharia, Igreja, Federações de todas as profissões liberais, de empresários, de médicos, porque se mobilizaram? Por brincadeira?
O queda de Jango de deveu em larga medida a sua falta de senso politico ao tentar trilhar um caminho impossível,
inviável na correlação de forças daquele momento, nunca conseguiria mesmo porque as tais reformas de base eram de uma idiotice completa, iriam liquidar com a economia do Pais, como qualquer pessoa sensata percebia.
A prova provada, a prova dos nove foi a facilidade da derrubada, se houvesse esse consenso a favor da Jango teríamos aqui uma Guerra Civil Espanhola e não uma queda sem qualquer ruído, sem que sequer seu Partido o defendesse com algum movimento de rua, de greve, de protesto.
Fazer reciclagem da Historia e muito fácil se os fatos forem simplesmente removidos.
Resposta: “Movimento revolucionário”, que caiu sem dar um tiro, sem nenhuma organicidade ou chance de resistência ao golpe?
Primeiro o o Senbor André nos diz que havia um movimento revolucionário em curso, um golpe branco, depois ele diz que Jango estava fraco, e caiu de podre. Bem, golpe de estado branco, pelo que sei, requer o controle de um dos poderes (além do executivo) e boa parte do aparato militar. Então, se tinha todos estes ases na manga, por que Jango hesitou e esperou para ser escorraçado de Brasília?
o Senhor André nos diz que não havia condições para implementações das reformas, e que por isto, elas seriam implantadas na “marra”, então eu pergunto:
Como um presidente fraco colocaria suas fichas em um golpe, e ainda assim, não reuniu apoio nenhum para este golpe, nem para a resistência daquilo que os partidários do Senhor André gostam de chamar de contra-golpe?
Bem, quanto a mobilização dos profissionais liberais, médicos, OAB, Igrejas, etc, eu respondo, eles estavam nas ruas pelos mesmos motivos dos médicos-coxinhas de hoje, e toda leva de reacionários que encheu as ruas recentemente: é porque não aceitam que o país e sua riqueza sejam divididos.
Jango não caiu pelas suas fraquezas.
Caiu porque seus opositores acreditavam-no forte demais (a pesquisa deve ter ajudado nesta compreensão).
Caiu porque também seus aliados acreditava-no mais forte do que estava.
Andre Araujo
30 de dezembro de 2013 1:55 amMeu caro, agradeço seus
Meu caro, agradeço seus comentarios de elevado conteudo e alto nivel de liguagem.
Jango era um Presidente inseguro no cargo, pelas proprias circunstancias de seu mandato, chefes de Estado inseguros geralmente tentam formar um cordao palaciano de assessores e conselheiros em quem procuram proteçao. Chefes de Estado autoritarios e autoconfiantes mandam na sua corte, os inseguros sao comandados pela corte, isso e historico , ocorre nas grandes crises quando chefes de Estado nao lideram, sao liderados.
Jango nao tinha o perfil de um chefe revolucionario, nao acredito que ele seria MAS ele seria um facilitador de um processo de radicalizaçao de sua presidencia sem que ele fosse o real condutor.
Voce diz que como ele sendo um Presidente fraco ele poderia pensar em reformas radicais. Ocorre que ele nao se achava fraco naquele momento. Confiava mais do que devia nos seus dois bispos palacianos, Darcy Ribeiro na Casa Civil e o General Assis Brasil na Casa Militar. Curiosamente, os dois funcionando na mesma epoca e no mesmo palacio eram nulidades em termos de articulaçao de poder. Darcy Ribeiro pode ter sido um grande intelectual mas na Casa Civil ele deveria montar um sistema de poder, jamais fez isso. O Genral Assis Brasil nao tinha a essencial liderança no Exercito, com os dois Jango estava a pe sem saber.
Mais do que esse conjunto de variaveis, Jango ao fim e ao cabo nao estava preparado para ser Presidente, nao era aplicado na arte de governar, gostava do usufruto do Poder mas nao do onus do Poder, nao era disciplinado na mesa de trabalho, como Getulio, que examinava cada virgula dos processos, Jango achava isso uma chateaçao.
Seu Governo nao foi bom em momento algum, os Primeiros Ministros que ele escolheu nao funcionaram, seus governo na 1ª e na 2ª fases foram muito ruins, a agitaçao das reformas de base foi para colocar iuma cortina de fumaça no seu desgoverno que se refletia na economia e na confiança dos agentes economicos e mercado internacional.
Para reconstituir a Historia e preciso mais que opinioes pessoais, e preciso consultar a documentaçao da epoca, os livros, os jornais, os relatorios.. Eu vivi intensamente aquele periodo, privava da amizade de politicos do PTB e do PTN, frequentavam a minha casa, fui filiado ao PTB e depois ao PTN, de que fui Tesoureiro na Executiva Nacional.
O proprio Jango no seu exilio e sua melhort testumanha atraves de seus amigos, Jango lamentava a inoperancia de seu dispositivo de comando, lamentava profundamente o papel de Brizola, Jango foi honesto na na autocritica ,, nao colocou a culpa nos outros e foi bastante isento na crua analise dos fatos, mostrou ter grandeza na queda.
Ha testemunhos valiosos da fase do exilio, um dos bons e do Deputado paulista radicado no Rio Jose Gomes Talarico, amigo intimo de Jango e que publicou boas memorias.. Talarico foi um petebista historico e bom documentarista da trajetoria do PTB desde sua fundaçao.
De qualquer modo este debate e importante pois cada qual tem seu ponto de vista e da discussao sai a luz.
Paulo Paiva
29 de dezembro de 2013 11:35 pmDeixa ver se eu entendi…
Deixa ver se eu entendi o que o André escreveu:
“Então essa pesquisa, se existiu, é uma tolice completa”, já a argumentação baseada nas hipóteses do André são de uma solidez de fazer inveja em qualquer documento histórico.
mauro silva 1
29 de dezembro de 2013 11:44 pmestelionato eleitoral
É uma tremenda bobagem dizer que o eleitorado era ‘largamente conservador’ quando elegeu Jânio: não é verdade.
A eleição de Jânio foi o maior estelionato eleitoral da história do país; maior que a eleição de Collor.
Em verdade, houve muita corrupção no governo JK, que se não era trabalhista, pelo menos era nacionalista, motivo suficiente para gozar da fúria da sempre entreguista e apátrida direita udenista e seus arautos nos jornalões que não o perdoavam, não pelos mal-feitos do governo, mas pelas suas posições políticas, exatamente como sempre foi.
Jânio, reacionário e oportunista, apareceu com discurso de moralidades políticas, anti-corrupção, vassouras etc, apoiado pelos mesmos jornalões (óbvio!). O povo acreditou nas lorotas e ele cabou levando a eleição.
O que corrobora as minhas afirmações é que o vice de Jânio, Milton Campos da UDN, levou uma surra das urnas, da mesma forma que o Marechal Henrique Lott, de quem Jango era o vice na chapa, porque esse era militar e o eleitorado associava os militares como inimigos dos interesses dos trabalhadores, ainda que nacionalistas.
Resultado: os eleitores elegeram Jânio presidente e Jango, da outra coligação, vice.
As eleições de 60 e 89 foram muito parecidas, inclusive pelas conseqüências catastróficas, por culpa dos reacionários que tapearam o eleitorado.
…..
Há muitos anos, quase adolescente, quando passeava pela 25 de março; ladeira porto geral e adjacências, era comum testemunhar algum sujeito gritando: “pega!”.
Garantiam-me, os comerciantes, que aquele que gritava era o punguista.
A direita udenista e seus sucessores políticos fazem exatamente isso até hoje.
Andre Araujo
30 de dezembro de 2013 12:05 amJuscelino foi o mais
Juscelino foi o mais INTERNACIONALISTA dos Presidentes brasileiros, seu Plano de Metas era essencialmente baseado no capital estrangeiro atraido pelos esforços do proprio JK, a industria automobilistica com a Vols, Mercedes, Ford, GM, a industria naval com a Verolme e Ishikawajima, a industria de bens de capital com a Siemens, Voith, Schuller, Mannesman.
depois com a Operaçao Pan Americana, a ideia DELE para a Aliança do Progresso, comprada por Kennedy e finalmente a instalaçao do Banco Interamericano de Desenvolvimento, ideia original de Juscelino.
Portanto sua analise e inteiramente furada, JK tinha METAS de desenvolvimento para o Pais, objetivo que nao condicionava a nenhum nacionalismo, muito pelo contrario, via o capital estrangeiro com otimos olhos.
mauro silva 1
30 de dezembro de 2013 1:05 amindústria de base
O Governo Chinês é nacionalista ou internacionalista?
A direita não consegue pensar um ‘quase’; ‘as vezes’: ou é; ou não é!
Há uma diferença muito mais que semântica entre internacionalista e entreguista.
O capital estrangeiro era aceito, desde que para somar; nunca para ditar regras como fazia nas “bananeiras” centro americanas.
No espectro político, as posições de Jango e JK eram diferentes, ainda que ambos de centro, este ligeiramente à direita, e aquele, à esquerda. A diferença estava nos financiamentos estatais que cada um deles pregava.
Para a direita, aqueles financiamentos deveriam ser indiscriminados, enquanto para a esquerda, deveriam incentivar exclusivamente empresas nacionais.
Nesses extremos desenvolvia-se o debate, interrompido pela quartelada de 1º de abril de 64 e o consequente desmantelamento das condições para o alargamento da base de acesso às comodidades modernas numa sociedade quase medieval.
ed. não logado
30 de dezembro de 2013 1:24 amQuase isso
Quem sempre teve, desde o café, facilidade de se ligar ao capital estrangeiro foram as oligarquias e não exatamente JK que, embora não se opusesse (como eu também não), queria desenvolver a indústria nacional.
Como de resto o país, com o lema:”50 anos em cinco”
Tirando Ford, GM e as que aqui já estavam, as demais eram obrigadas a ter maioria de controle nacional. A Vemag (DKW Auto Union), a Willys e a Volkswagen que viera trazer carroças das décadas passadas (trazendo também bens de capital obsoletos subsidiados e valorados a peso de novos).
Mas tudo bem, começo é começo (mas dependendo da oportunidade, a própria oligarquia chamará de carroça).
Desde Getulio, havia um esforço (destruido pelas oligarquias neoliberais em qualquer oportunidade, vide os “” nandos), havia regras de nacionalização.
Haviam diversos grupos e xecutivos e superintendencias para organizar e definir metas (GEIA/automobilistico, GEIMEC/ indústria mecânica, Sudene/Nordeste, Sudam/Amazonia e até o embrião do BC, a SUMOC, dentre tantas
Todas exigiam além do controle do capital, uma crescente nacionalização em peso, volume e valor dos produtos.
Metas!
Isto gerava demandas de fornecedores nacionais e milhares de empresários brasileiros aprenderam a fazer peças, desde micro-formecedores até grandes como a Metal Leve, Cofap, Gerdau, etc.
Havia ainda o uso das siderurgicas (Cosiminas, Cosipa, CSN), barragens (Tres Marias, 7 Quedas, outras projetadas, estradas, Brasilia e as grandes construtoras e, sim, muita grana rolando por conta, por dentro e por fora.
Havia estaleiros nacionais como o Mauá e a própria Ishikawajima seria comprada por um executivo brasileiro (de grande multinacional) que não sabia que os Nandos eram traíras e quebrou. Pequenas empresas como a Puma (Malzoni) e a Gurgel. Empreas militares como a Engesa e a Avibrás. A Embraer, que se não fosse por Osires Silva, seria uma montadora de aviões estrangeira (e ao final…).
Mesmo os militares investiram num projeto nacionalizante (pequena bobagem, foram convencidos pelas oligarquias que gente não importava), havia um programa de substituição de importações, demonizado diuturnamente pela míRdia traíra e golpista.
É bom observar que a indústria estrangeira sempre esteve por aqui (e não precisa sair). O problema é não termos industria nacional. Ou empresas nacionais! Estavamos conquistando o mercado e …
Aos pouquinhos, os neoliberais, no interesse “do Brasil, evidentemente”, foram alterando as regras. Ateraram a Constituição, leis, quebraram monopólios estatais (e criaram privados), destruiram a industria nacional, os estaleiros (entre os maiores do mundo), a infraestrutura, o conceito de empresa nacional, as exigencias de metas nacionalizantes, substituiram a substituição de importações por importações, a participação estrangeira na imprensa, a expansão dos bancos estrangeiros, a energia, as telecomunicações…
Hoje supermercado é frances ou americano e até imobiliária é estrangeira! Nem para vender imóvel “servimos”!
Querem que sejamos inqulinos em nosso país?
E eles os administradores do senhorio?
(PS: Na verdade, o mundo ocidental todo já paga aluguel à banca para usufruirmos do planeta deles, certo?)
ed. não logado
30 de dezembro de 2013 12:31 amIrritado ou Grato?
Mauro, não sei se fico irritado por vc ter comentado o que iria abordar ou fico-lhe grato por poupar-me, hehe…
Muito bom!
Naqueles tempos, embora a mídia fosse um pouquinho mais plural, quem gritava mais levava. E não tinha Internet. (a TV ainda era um tanto mais pra rico/média alta). Já havia Frias, Mesquitas e Marinhos. Civita já tentava se insinuar com Mickey e Donald.
Mas muita gente “boa” caiu na velha armadilha da corrupção e do militarismo, quando ofuscaram o legalismo de Lott, garantidor da posse de JK na tentativa de golpe pré-posse) e também do pouco carisma e capacidade de discurso do nosso um tanto Eisenhower (pela careca), um sujeito sério que ainda me leva a perguntar que país seria o nosso se o tivéssemos eleito ao invés do varre varre maluco (que condecorou Guevara e proibiu bikinis).
O fato é que talvez 1/3 ou 2/5 dos que votaram em Jânio entraram nesta conversa, cantada dia e noite pela mídia (rádios e imprensa) que só gerava fatos bons para Jânio e ruins ou deprciativos para Lott.
E é importante notar que o tema “corrupção” (que obviamente existe, aqui e pelo planeta) é manjado e já foi usado pelo mundo afora para derrubar governos (a CIA ensinou muitas elites corruptas a usá-la, como na derrubada e posterior assassinato de Benazir Bhutto (que era pró-ocidental, mas nacionalista), no Paquistão.
Aqui, essa elite do século XIX (mas pensa que é avançada, não passando de patéticamente medíocre) soltou essa do “mensalão”, fazendo artilharia de saturação para induzir a opinião (publicada) a que o governo trabalhista (que governou para todos, eles inclusive) inaugurara a corrupção, a “maior da História”.
Tiveram que inventar sandices para transformar empréstimos (malandros) em propinas crminosas e uso de dinheiro privadíssimo como “desvio de dinheiro público”, mesmo contra provas, explicações e auditorias independentes.
Conseguiram juntar farsescamente algo na casa de dezenas de milhões (repito, farsescamente).
Já os desvios daqueles que “bradam contra a corrupção” são exatamente os que não a fazem por menos do que BILHÕES, cristalina e até confessadamente.
O problema deles é que já esão ficando manjados: usam tanto que já há anti-corpos tornando-os ineficazes e até grotescos.
Como já não conseguem na (baixa) qualidade de suas tentativas, meu medo é que intensifiquem as quantidades. Doses maciças de golpismo (embora grotescas, intensas) me parecem vir por aí até 2014.
Ou mesmo depois!
(PS: Procurando não repetí-lo, evolui um pouco para o presente, mas sua avaliação é supimpa! Arrasou o falso udenismo vitorioso de AA, que não sei em que sociedades (fechadas?) vivia na época. Eu, que nunca fui comunista, conhecia alguns, mas a maioria era anti-udenista, mas parte entrou na conversa da vassoura, que interrompeu um ciclo virtuoso do Brasil, varrendo-o pra debaixo do tapete da ditadura.
mauro silva 1
30 de dezembro de 2013 9:55 amuma direita apátrida
Ed.
Na minha opinião, a derrota de H.Lott foi o começo do aborto.
Se o Marechal se elegesse naquele momento, o golpe de 64 não teria acontecido jamais e, hoje, o país estaria (não tenho dúvida!) entre as 3 maiores economias com padrão australiano de IDH.
A direita brasileira sempre foi apátrida.
Malu Lima
30 de dezembro de 2013 12:44 amFaça o favor!As reformas de
Faça o favor!
As reformas de base iriam liquidar a economia do país? Só que isso é uma declaração, pois jamais foram realizadas, exceto a Lei de Remessas de Lucros ao Exterior, imediatamente revogada pela ditadura.
De concreto temos que, apesar de ter governado 21 anos sem oposição, sob tacão, a ditadura tornou o país mais desigual, arrochou salários, concentrou renda, aumentou a dependencia externa, atrasou avanços tecnológicos, humanos e políticos, cujas consequencias sofremos até hoje. Isso sim foi liquidar a nação.
Depois os conservadores não entendem porque não conseguem retornar ao poder central, apesar das fragilidades do governo de coalizão, que apesar disso, empreendeu avanços nas questões economicas e tecnológicas, “como nunca dantes”… uma pena que os aspectos humanos e políticos ainda guardem muito do ranço conservador impregnado na sociedade brasileira por tanto tempo.
O que, inclusive, impede maiores avanços economicos e, por consequência, de infraestrutura em todas as modalides.
O medo dos conservadores era justamente que daria certo, como deu em vários países pelo mundo afora… e não foi em Cuba, o fantasma que sempre faz sucesso quando se trata de assombrar a direita inculta.
Fernando G. Trindade
30 de dezembro de 2013 1:16 amQuando Janio Quadros foi
Quando Janio Quadros foi eleito Presidente da República estava filiado ao PTN (Partido Trabalhista Nacional). A UDN aderiu à coligação que elegeu Janio em razão da retórica moralista comum.
Aliás, salvo engano, a UDN não se encontra entre os partidos aos quais Jânio foi filiado (me parece que PDC, PSB e mesmo o PTB, pelo qual foi eleito Deputado Federal pelo Paraná em 1958 e também o segundo PTB, pós-ditadura, pelo qual foi eleito novamente Prefeito de São Paulo, em 1985).
Da minha parte, hoje estou convencido que a impressionante ascensão de Jânio se deve ao fato de ele ser um curioso e interessante ‘bricolage’ de elitista e populista, sem ser exatamente um ou outro, ou seja um oxímoro, uma contradição em termos (daí Afonso Arinos dizer que Janio era a UDN de porre).
Daí a razão pela qual atraiu ao mesmo tempo o apoio das classes médias udenistas e de amplas bases operárias trabalhistas e populistas. Uma das mais importantes lideranças operárias e sindicais da época, Dante Pellacani, salvo engano rompeu com o PCB para apoiar Jânio (muito em razão do elitismo do Marechal Lott, candidato do trabalhismo/pessedismo com o apoio do PCB, então na ilegalidade, apoio que rejeitava de público).
Daí o sucesso da chapa Jan-Jan (Janio/Jango) que terminou vencedora e que teve entre seus prinicipais articuladores Dante Pellacani.
Outro dado revelador é que a ala mais moralista do trabalhismo (MTR- Movimento Trabalhista Renovador), que tinha como liderança maior Fernando Ferrari apoiou Janio e Ferrari foi candidato a Vice com esse apoio.
Assim, embora a tensão principal entre as tendências políticas da época tenha sido entre udenismo e trabalhismo, tensão principal que retornou a partir de 2005/2006 (o pessedismo era o centro, tal como hoje o peemedebismo) havia (e continua a haver, o fenômeno Collor em 1989 também passa por aí) uma quarta força política importante que era uma espécie de híbrido de udenismo e trabalhismo ou elitismo e populismo, por estranho que possa parecer à primeira vista, híbrido cuja figura mais emblemática foi Janio Quadros.
E estou convencido que é nesse hibridismo entre udenismo e trabalhismo, nessa espécie curiosa de ‘bricolage’ político-ideológica, que se encontra Marina Silva e até certo ponto também Eduardo Campos e essa base ideológica e social em comum ajuda a entender a aproximação Campos/Marina.
Jaime Balbino
30 de dezembro de 2013 2:19 amAA é um expectador da
AA é um expectador da história, mas nessa questão dos anos 60 ele tem que admitir que tinha lado. Suas análises são tão parciais quanto aquelas que faz dos dias atuais, onde também é catastrofista e afirma que aqueles de quem não concorda estão fazendo tudo errado e não tem apoio.
JANGO NA DISPUTA À VICE TEVE 4,6 MIL VOTOS. Não muito menos que o candidato á presidente JANIO QUADROS. Como então afirmar que a esquerda não tinha apoio popular em 1960 ou que tinha menos apoio em 1964?
Se a direita tinha todo esse apoio popular que AA diz, porque eles não se articularam para a próxima eleição ao invés de dar um golpe num governo legítimo? Das duas: Eles não acreditavam nesse apoio popular que o AA diz que havia & não tinham o mínimo apreço pela democracia e o voto popular.
Se pegarmos todas as análises de AA sobre esse episódio e os outros, veremos que a lógica é sempre pelo despotismo e contra a democracia. Há algum grupo “superior” que sempre sabe o que é melhor para o povo porque é o único que consegue ler a conjuntura e caminhar no único caminho possível. O resto é coisa de esquerda. Para AA Jango nunca poderia ter apoio popular, não importa que tenha sido eleito a partir disso. A sua lógica proíbe tal fato. Também Jango não poderia ter ampliado esse apoio como presidente exatamente ao implementar um projeto popular abandonado desde Getúlio e ainda fresco na mente da população. Na sua lógica, é mais fácil crer que a população estava alinhada com as entidades conservadoras da Igreja, OAB, imprensa liberais e conservadores.
Imaginem, então, o que podemos deduzir no futuro lendo os jornais escritos hoje? E o AA se baseia nos jornais de 1964 para justificar o que diz. O mesmo O Globo que disse que Jango fugiu só para dar cobertura institucional ao golpe.
Doney
30 de dezembro de 2013 1:16 pmO Capitão América volta a atacar
“A inclinação do eleitorado era largamente conservadora” – mentira, deslavada mentira.
*
“O PTB sozinho não teria palanque para uma candidatura” – qual partido teria, então? O PTB era o partido que mais crescia, a despeito de a CIA, conforme se comprova com a declaração de seu ex-agente Philip Agee, ter investido, em valores da época, cerca de 20 milhões de dólares – o equivalente a 149 milhões de reais em 2012, muito mais do que todos os gastos oficiais da campanha vitoriosa à presidência em 2010 – para apoiar candidatos de oposição a Jango. Por isto e só por isto o PTB não cresceu tanto quanto podia (ainda assim, passou de 66 para 104 deputados federais, um aumento expressivo).
*
A pesquisa, OS FATOS provam que Jango era popular e, se pudesse se candidatar, seria eleito. Mas, para o Capitão América, se a verdade não corrobora com sua tosca visão ideológica, danem-se os fatos. Ele é daquela ordem de pessoas que realmente acredita (ou diz que acredita) no que os jornalões do Rio e São Paulo pregam. Se disserem ali que 2 + 2 = 5, o Capitão América deve acreditar.
Lula também não podia se candidatar em 2010, mas fizeram pesquisas e incluíram seu nome, e ele era o mais votado. O que não implica dizer que ele teria de se candidatar, mas se auferia sua popularidade através deste meio.
Outro ponto que prova a popularidade de Jango, é que na disputa entre presidencialismo X parlamentarismo (desastre em que a direita havia nos enredado), Jango defendeu o presidencialismo e este ganhou.
Quanto a legalidade/ilegalidade da candidatura de Jango ou a do Brizola, acredito que a justiça eleitoral diria que ela seria ilegal. Da mesma forma como julgaram legal a recandidatura do Alckmin. Mas se fosse alguém de esquerda, ou mesmo fosse alguém do PT (que de esquerda não tem nada há muitos anos…), teriam dito que a recandidatura em SP seria ilegal.
Porque para o judiciário brasileiro, a última coisa que interessa é a lei.
*
Sobre as sandices que este senhor diz sobre as reformas de base, que supostamente iriam liquidar o Brasil, bem, no período que os militares estiveram no poder, países que haviam sido arrasados pela segunda guerra mundial foram completamente reconstruídos. E o que aconteceu conosco durante a ditadura? Os militares governaram sem oposição nenhuma, sem restrições ambientais, sem restrições de cunho administrativo (MP, TCU, etc.), e o que nos legaram? Posso resumir em três coisas: inflação, dívida e pobreza.
Aí ele vai dizer “ah, mas houve grande crescimento econômico”. Houve mesmo, e é justo que se ponha na conta do seu responsável, Delfim Netto. Porém, foi um crescimento econômico que concentrava renda. Aí ele ainda pode dizer, “ah, mas houve grandes obras de infraestrutura”. Ora, meu caro, afora a bomba previdenciária que legaram (arrecadaram e torraram o dinheiro), tudo, absolutamente tudo que os militares construíram, eles deixaram para os civis pagarem. Aí é mole. Assim sendo, eu posso construir uma casa de 50 milhões de reais. Não sou eu quem vai pagar por ela, mesmo…
Sobre a queda de Jango, foram vários os motivos de descontentamento da burguesia (lei de remessa de lucros, reformas de base – especialmente a agrária, problemas no seio militar, etc.). Porém, fosse para resumir a questão, Jango caiu por tentar conciliar com quem não prestava.