Por Diangeli Soares
Força Feminina no Golpe rong>A propaganda política de Sonia Seganfreddo na coletânea “UNE – Instrumento de subversão”
A história do movimento estudantil de direita – I
O Grupo de Ação Patriótica
Almoçar os esquerdistas antes que eles nos jantem
Por Diângeli Soares
A frase acima é de Aristóteles Drummond, jornalista que aos 18 anos iniciou sua militância política no GAP – Grupo de Ação Patriótica. O GAP foi uma organização estudantil fundada em 1962, com atuação política centrada nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O escritor Sebastião Nery descreve o grupo como “um CCC (Comando de Caça aos Comunistas), para os pirralhos estudantes secundários.” Já Eduardo Gomes Silva, em sua Dissertação de Pós-Graduação pela Universidade Federal Fluminense, “A Rede da Democracia e o Golpe de 1964”, descreve o perfil do grupo como composto por “jovens estudantes, entre 17 e 26 anos, oriundos, em sua maioria, da classe média-alta e alta”.
O GAP é uma das muitas organizações de extrema-direita que se inserem no período que antecede o golpe militar, integrando-se ao IPES – Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais e ao IBAD – Instituto Brasileiro de Ação Democrática, na oposição ao governo João Goulart. Sua participação na Rede da Democracia e na Marcha da Família, com Deus, pela liberdade são suas mais destacadas intervenções na história política do país.
Aristóteles Drummond é o mais importante membro do GAP. Fundador da organização, logo se tornou presidente de seu Diretório Nacional e atuou na oposição a UNE, na época em que José Serra a presidia. Em seu livro, “Um conservador Integral”, lançado em 2010, Aristóteles comenta o período:
“Muito jovem, aos 18 anos, comecei a atividade política no movimento Grupo de Ação Patriótica (GAP), de cuja fundação participei e logo me tornei seu presidente. O objetivo era lutar contra a manipulação da mocidade pela esquerdista União Nacional dos Estudantes (UNE) – onde José Serra era expoente do Partido Comunista (PC) –, reunindo amigos e companheiros da chamada, na época, elite. Esta era, na verdade, um grupo de famílias não necessariamente ricas nem poderosas, mas com gerações de presença na vida brasileira, com cultura e serviços prestados, numa cidade que ainda permitia se freqüentarem – e se casarem – entre si. Enfim, boas famílias, de nível, que faziam a vida social das cidades.”
Aristóteles Drummond manifestou cedo sua opção política. Aos dez anos de idade, colava nas paredes do quarto fotos de Adhemar de Barros, governador de São Paulo por dois mandatos, cuja influência criou raízes profundas na cultura política do estado. O “Ademarismo” é uma corrente referenciada até hoje, especialmente nas análises que tratam de um fenômeno político posterior, o “Malufismo”.
Em Outubro de 1963 surgia no país, patrocinada pelas empresas jornalísticas O globo, Jornal do Brasil e Diários Associados, a Rede da Democracia. A Rede da Democracia era um programa radiofônico diário, transmitido pelas Rádios Globo, JB e Tupi, cujo expediente era opor-se ao governo João Goulart. Por sua importante atuação no Movimento Estudantil, Aristóteles Drummond será convidado a fazer parte da Rede da Democracia.
Hernán Ramiro Ramírez conta em seu artigo “A ditadura fala? – Reflexões sobre os testemunhos orais através de entrevistas concedidas por Ernesto Geisel e Jorge Oscar de Mello Flôres”, que o convite a Aristóteles foi feito por integrantes do IPES, que chegaram ao líder estudantil por intermediação da CIA – Central de Inteligência Americana. Os agentes da CIA teriam ouvido uma entrevista do estudante no rádio e o identificado como um potencial aliado das forças golpistas, organizadas no Instituto.
O GAP colocava-se como representante do “pensamento da juventude ordeira, estudiosa, cristã e democrática”. Além de atacar a UNE, colaborava na difusão da política geral do IPES e do IBAD. Um exemplo desta intervenção ampla é Fernando Calmon, secretário-geral do GAP, que usou o microfone da Rede para criticar o afastamento do General Peri Bevilaqua do comando do II Exército, por suas indisposições com o movimento sindical.
Em 19 de Março de 1964 Aristóteles participa da “Marcha da família com Deus, pela liberdade”, estimulando a adesão dos estudantes. Com dinheiro do Dr. Paulo Suplicy, pai do Senador Eduardo Suplicy (PT-SP), Aristóteles conseguiu lotar dois ônibus e engrossar a manifestação que poucos dias depois chegaria ao seu intento: A deposição de João Goulart.
Também no livro “Um Conservador Integral”, Aristóteles relata seu orgulho por ter feito parte deste momento da história do país:
“Considero este o meu grande legado como brasileiro a minhas filhas e futuros netos. Evitamos, ou adiamos quem sabe, a transformação de nosso Brasil numa republiqueta sindicalista, populista, coerente com a 46a posição que tínhamos no conjunto das economias, se não fôssemos piorar ainda mais ao longo do tempo. Quem viveu esta época ou procurou ler sobre o período, nos jornais, constatará que, realmente, estivemos à beira do abismo.”
Aristóteles Drummond é hoje apresentador da Rede Vida, emissora católica que leva ao ar seu programa de entrevistas, o “Brasil é isso”. Recebeu em 2005, o título de cidadão honorário de Barbacena e em 2008, a Medalha ao Mérito Legislativo da Assembléia de Minas Gerais. Mais de quatro décadas depois, mantém-se firme em suas convicções pró-golpe e o tucano José Serra ainda não lhe desce. Perguntado se preferia um “esquerdista” ou uma ex-guerrilheira como presidente, respondeu que prefere a ex-guerrilheira. Diz que, pelo menos, ela não esconde o passado, ao contrário do dissimulado Serra.
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Resolvi criar uma série sobre um assunto que me interessa muito: O Movimento Estudantil de Direita. Vou tentar manter uma periodicidade mensal. As fontes das informações principais estão citadas no texto. Sugestões, críticas e correções serão bem vindas.
Leia também: Abaixo a Repressão – Livro sobre o movimento estudantil no Rio Grande do Sul, na década de 70

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