1 de julho de 2026

Morre aos 80 anos o militar boliviano que assassinou Che Guevara

Mario Terán Salazar era um sargento de 27 anos quando se ofereceu para ser o carrasco do revolucionário argentino, após este ser capturado
Ernesto "Che" Guevara e Mario Terán Salazar (foto: montagem de imagens antigas)

Morreu nesta quinta-feira (10/3), em Santa Cruz de la Sierra, o ex-militar boliviano Mario Terán Salazar, conhecido por ser o carrasco do guerrilheiro argentino Ernesto “Che” Guevara. O falecido tinha 80 anos e teria sucumbido a problemas respiratórios – o hospital militar COSSMIL, no qual ele passou suas últimas horas, assegura que não se tratou de um caso de covid-19, e sim de uma doença da qual ele padecia há anos.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Terán Salazar tem seu nome marcado na história porque, em 9 de outubro de 1967, disparou os tiros que terminaram com a vida de Che Guevara, que havia sido capturado dias antes, nas imediações da aldeia de La Higuera, no interior da Bolívia.

Segundo o relato do jornalista britânico Jon Lee Anderson, autor de uma das mais conhecidas biografias de Che Guevara, Terán Salazar teria pedido para ser o carrasco do prisioneiro, como forma de vingar três dos seus companheiros de tropa – e todos eles também se chamavam “Mario”, segundo seu relato na obra – que teriam sido assassinados pela guerrilha liderada pelo combatente argentino.

A biografia também conta que seu superior – um espião cubano anticastrista chamado Félix Rodríguez, que trabalhava como agente de Atividades Especiais das CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) – teria ordenado que Terán não atirasse na cabeça, para que o corpo de Guevara fosse apresentado como se houvesse sido ferido em combate.

A única foto pública de Mario Terán Salazar foi realizada pela jornalista francesa Michelle Ray e publicada junto com um depoimento dele em reportagem à revista Paris Match. “Esse foi o pior momento da minha vida. Naquele momento eu vi um Che grande, muito grande, enorme. Seus olhos brilharam intensamente. Eu senti como se ele estivesse em cima de mim, e quando ele olhou para mim, isso me deixou tonto. Achei que, com um movimento rápido, ele iria tomar a minha arma. ‘Acalme-se’, ele me disse, e logo completou: ‘você vai matar um homem!’. Então, dei um passou para trás, em direção à soleira da porta, fechei os olhos e atirei”, contou Terán à matéria.

Victor Farinelli

Victor Farinelli é jornalista residente no Chile, corinthiano e pai de um adolescente, já escreveu para meios como Opera Mundi, Carta Capital, Brasil de Fato e Revista Fórum, além do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados