4 de junho de 2026

Os 25 anos do Memorial da América Latina

No ano do 25º aniversário do Memorial da América Latina, cumpre resgatarmos as palavras de seu autor:

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 “O Memorial da América Latina representa um ato de fé e solidariedade continental. Um gesto de grandeza e aproximação, um apelo a essa unidade política que nela há deveria estar estabelecida.”  

Aproximação esta que volta a ser alvo de críticas de pessoas incapazes de ter “um gesto de grandeza”, de construir através de “um ato fé e solidariedade”. Saudades de Darci Ribeiro. Saudades de Oscar Niemeyer.

Saudades de um país que não se constrói miúdo, sem esperança e desigual. 

 

https://jornalggn.com.br/wp-content/uploads/u4508/memorial.jpg

 

do site da Fundação Oscar Niemeyer

“A entrada principal seria feita pela rampa da estação do metrô. E aí, construído um grande patamar do qual os visitantes teriam uma visão completa do conjunto.

São dois terrenos. Num deles ficaria o Memorial das Américas; a biblioteca – a primeira a ser construída para os povos da América Latina – e um restaurante. No outro, – a segunda etapa – o grande salão de exposições para venda de livros e obras de arte dos povos deste continente, o grande auditório para 5.000 pessoas e a secretaria.

A idéia é criar uma arquitetura baseada na técnica mais apurada. Vigas e placas curvas de concreto pré-fabricado. Solução simples, rápida de construir, capaz de dar ao conjunto a importância e a monumentalidade que merece.

No Memorial é uma viga de 60 metros com 5 metros de altura e nela apoiadas as placas curvas da cobertura. Um ambiente severo e grandioso enriquecido pelo painel de Portinari e baixos relevos que Darcy Ribeiro sugeriu, a contarem as origens dos povos homenageados. Na biblioteca, a viga de 90 metros e 8 metros de altura, na qual também se apoiam as placas curvas da pré-fabricação. No restaurante, a cobertura circular e, semi-enterrados, o serviço e a cozinha.

No terreno anexo, o grande salão de exposições e o auditório com sua cobertura convexa e protensão.

Era o que devia dizer sobre este projeto, já dimensionado pelo técnico estrutural José Carlos Sussekind.” *1

“O Memorial da América Latina representa um ato de fé e solidariedade continental. Um gesto de grandeza e aproximação, um apelo a essa unidade política que nela há muito deveria estar estabelecida. E tudo isso deve inserir-se na sua arquitetura. No arrojo das suas estruturas, na unidade plástica que a deve caracterizar.

Se vocês examinarem melhor este projeto, verão como tais problemas constituíram minha primeira preocupação. Como suas estruturas são ousadas e simples, ao mesmo tempo, como nelas predominam o apuro técnico e a forma inovadora. Nada de filigranas. Nada de detalhes menores. São vigas de 90 e 60 mts. a sustentarem as placas curvas do pré-fabricado. É a arquitetura reduzida a 2 ou 3 elementos. Clara, simples e diferente. É a procura da beleza nas suas superfícies curvas e sensuais, nas espessuras variadas de suas lajes e apoios. E estes, vigorosos pois assim os exigiu os grandes vãos livres; altos, iluminando a grande praça acentuando pelo contraste as longas superfícies horizontais da composição.

E se vocês forem ao local depois da obra concluída, sentirão, logo ao descer da estação do metrô, ainda no grande patamar de chegada, como todo o conjunto é harmonioso e bem distribuído. O Memorial das Américas a convidá-los de longe para o visitar, com suas colunas a se refletirem nos espelhos d’água projetados.

E os aconselharia a se deterem na biblioteca – a primeira biblioteca da América Latina – construída neste continente – a contar nos seus 50 mil volumes sua história, sua libertação, sua cultura, seus grandes artistas e poetas.

Logo após vocês vão chegar ao Memorial. E aí, entre os negros vidros das fachadas, lembrar os velhos tempos dessa América Latina tão tão ofendida, suas origens, seus libertadores, seus colonizadores, sonhos e esperanças.

Mas a visita continua e depois da passarela, do outro lado da estrada, surgirá o Pavilhão da Criatividade e mais adiante, o grande auditório para 4 mil pessoas, onde serão debatidos os problemas da América Latina e os meios de, unidos, levá-los a bom termo.” *2

*1 NIEMEYER, Oscar. [Memorial da América Latina].Rio.16.9.87.Fundação Oscar Niemeyer. Coleção Oscar Niemeyer.
*2 NIEMEYER, Oscar. [Memorial da América Latina – Pré-Fabricados].s.d.Fundação Oscar Niemeyer. Coleção Oscar Niemeyer.

Redação

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6 Comentários
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  1. Orlando

    17 de maio de 2014 1:09 pm

    Onde estão as árvores no Memorial da America Latina?

    Onde estão as árvores no Memorial da America Latina?

    Sinceramente acho feio. E como boa parte das obras do Niemeyer, são avessas a gente. Brasília é linda do alto, no entanto é uma cidade para carros.

  2. alfredo machado

    17 de maio de 2014 2:35 pm

    Memorial recordista

    Gilberto,

    Ainda não conheço esta obra de arte.

    A viagem fica paga ao ver a viga livre de 90 metros da Biblioteca, recorde mundial (na verdade, uma  tarefa praticamente impossível de sair do papel) calculado pelo engenheiror José Sussekind, aquele que venceu os maiores desafios propostos por Oscar Nimeyer,

    Um abraço

     

    1. Gilberto .

      17 de maio de 2014 10:29 pm

      Vale a visita

      Alfredo,

      Vale a visita embora seja pouco valorizado pelo atual governo e esteja um pouco abandonado. Falta uma curadoria competente e também uma conservação adequada.

      A obra, na realidade, é uma pequena pequena síntese da produção de Niemeyer. Encontramos ali elementos de várias fases da sua obra.

      Pode-se gostar ou não, mas exige uma atitude não pré concebida para uma correta avaliação. Um dado, que incomoda a muitas pessoas, é o que mais me atrai: Os espaços vazios (tão ausentes em São Paulo).

      O Motta e o Orlando querem árvores, mas a intenção NÃO foi fazer uma jardim. Ninguém pede árvores na plaza de Armas de Madrid….   

  3. Motta Araujo

    17 de maio de 2014 7:50 pm

    UMa obra pavorosa, feia,

    UMa obra pavorosa, feia, fria, agressiva, NÃO TEM UMA ARVORE e não serve a nenhum proposito remotamente ligada à America Latina. Um dos piores porjetos de Nyemaier, não se harmoniza com o seu entorno, é tudo muito árido.

    O memorial deveria se dedicar exclusivamente à arte, musica, letras e cultura dos paises da America Latina mas nada disso acontece. Há eventos de tudo quanto e tipo, sem uma conexão, é apenas um local de eventos e ainda o auditorio pegou fogo e interditou o espaço.

    Um espaço horroroso, não tem o que comemorar.

    1. Miguel Zibboni

      17 de maio de 2014 9:55 pm

      A arquitetura de Niemeyer está em perfeita consonância..

      ..com o conceito do memorial.

      A história da América Latina é árida, doutor.

      A idéia não é ser o Bosque de Saint Baume.

      Quanto à programação não conheço, mas se alguém que despreza seu próprio continente a reprova, automaticamente sou a favor e irei conhecer o espaço criado pelo gênio o mais brevemente possível. 

    2. Gilberto .

      17 de maio de 2014 10:21 pm

      Depende do partido

      Caro Motta,

      O partido, no sentido arquitetônico, tem grande similitude com as Plazas de Armas fortemente presentes na arquitetura espanhola e, menos comuns, mas também presentes na arquitetura portuguesa. Pode-se gostar ou não, mas dentro desta concepção é um bom projeto.

      O entorno praticamente não existia quando foi feito o Memorial. Não sei se você passou por lá recentemente, mas toda a região passa por uma enorme transformação. De qualquer forma, acharia ótimo que houvessem mais espaços culturais junto a grandes estações do Metro. Como é o caso do Centro Cultural São Paulo, da Pinacoteca e do Memorial. Deles, sem dúvida, a Pinacoteca é o melhor conduzido.

      Quanto à programação, concordo. Reflete hoje a falta de interesse do governo do estado com o local. Nem sempre foi assim. O auditório Simon Bolívar apresentou durante um bom tempo uma boa programação musical. Fui a vários bons espetáculos de música sul-americana no auditório. As exposições, são pouco divulgadas e algumas valem a pena. Falta uma curadoria competente e maior apoio do governo do estado.

       

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