O papel do Brasil em concretizar investimentos chineses na América Latina

A logística integrada do continente é interessante para a China, mas o Brasil precisa liderar projetos, com André Araújo

Jornal GGN – O governo chinês tem demonstrado bastante interesse na logística integrada da América Latina. Para eles, projetos como o da ferrovia bioceânica, que aqui são tratados como megalomaníacos, são estratégicos e viáveis.

No entanto, o Brasil precisa assumir o seu papel como líder regional e tomar a frente dessas negociações. Até o momento, o Peru tem assumido um protagonismo muito maior do que o nosso.

O assunto foi abordado por André Araújo, consultor da Companhia de Construções Ferroviárias da China para a América Latina, no 64º Fórum de Debates Brasilianas.org.

Ele falou sobre a importância de se resolver essas questões “a nível de governo”, e lembrou que em projetos de infraestrutura de longo prazo o investidor privado precisa de certas garantias.

Também defendeu que certos projetos são viáveis mesmo durante o período de ajuste fiscal, já que os empréstimos seriam feitos por bancos multilaterais e não sairiam do orçamento da União.

Leia também: A praga da descontinuidade administrativa, por Luis Nassif

O projeto original de corredor bioceânico

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“O corredor bioceânico original é mais antigo do que o que está se falando hoje. Esse corredor era para ligar Santos a Iquique. E ele foi apresentado em maio de 2003 à então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. Esse projeto, que tinha quatro mil quilômetros, é o verdadeiro corredor bioceânico. Ele ligava um porto do Atlântico a um porto do Pacífico. E por ele passaria uma ferrovia, uma rodovia e gasodutos”.

Leia também: Avanços e desafios da infraestrutura logística

A (falta de) liderança do Brasil em projetos de logística integrada na América do Sul

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“O Brasil é líder, pretende ser líder, regional da América do Sul. O que é ser líder? Nós não temos perspectiva de guerra no Brasil. Então, liderança é ter projetos. O Brasil tem que ser líder de projetos. Não líder simplesmente de discurso. E liderança de projetos o Brasil não está tendo”.

Leia também: A crise econômica e os investimentos em infraestrutura

O corredor com o Caribe

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“Existe um segundo projeto interessante também, que os chineses estão vendo, que pouca gente conhece, ouviu falar. Seria um corredor com o Caribe. Teria 1308 quilômetros e evitaria navegação de oito dias. Porque a mercadoria desceria em Georgetown e chegaria em Manaus em um dia e meio. É um projeto também geopolítico que depende de liderança e interesse do Brasil. Até agora não foi manifestado”.

Leia também: A necessidade de diversificação na matriz de transportes

A falha estratégica na importação de gás

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“O gás pode vir de fora, e vem muito para o Brasil. Hoje, o Brasil é um grande importador de gás, o segundo do mundo depois da Alemanha. E como é que é feita essa remessa de gás? É uma coisa incrível, acho que é um caso único no planeta. A Petrobras compra o gás na Rússia, leva até La Plata, na Argentina, injeta esse gás num gasoduto argentino para chegar em Uruguaiana. O Brasil pode comprar energia do Peru, e tem excesso de energia lá. Pode comprar energia da Venezuela. E usando gás da Venezuela, que é um gás muito mais interessante e mais barato do que o gás que vem da Rússia, ou de Trinidad.

Leia também: A falta de legado da infraestrutura nacional

O interesse dos chineses na integração logística

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“Os chineses estão chegando por todos os lados, eles vão fazer muita coisa aqui. Mas o Brasil precisa ser o líder desse processo de integração. O Brasil não pode ir a reboque de países pequenos. É o que está acontecendo hoje. Os corredores bioceânicos vão ser uma realidade e eu acho que o corredor natural e primordial é o do Sul e não do Atlântico, não o da Soja. Mas em ambos os casos o Brasil precisa ter liderança. Os bancos multilaterais, o BID e Corporação Andina de Fomento estão muito interessados nesses corredores. Eles têm meios de financiamento para isso e não precisará de recursos orçamentários. Os corredores são autofinanciáveis”. 

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9 Comentários

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Andre Araujo

- 2015-11-14 15:02:17

Era assim há 16 anos, hoje

Era assim há 16 anos, hoje não é mais. Nem na Africa aceitaram trabalhadores chineses. A State Grid é hoje a maior empresa de transmissão de energia do Brasil e usa brasileiros na manutenção das linhas.

Andre Araujo

- 2015-11-14 02:22:37

Meu caro Junior, esse

Meu caro Junior, esse corredor ferroviario caribenho é um antigo projetio dem ex-Prefeito de Boa Vista, Prof.Aimberè Freitas,

os guanenses tem muito interesse a a linha ferroviaria tem muito menos restrições ambientais do que rodovias.

O problema FUNAI é imenso, o linhão eletrico de Boa Vista a Manaus teve a concessão devolvida por causa da FUNAI, que senta em cima e não tem prazo por causa de meia duzia de indios, é uma aberração. Se o Brasil não resolver o problema de licenciamentos não vai ter infra estrutura..

junior50

- 2015-11-13 20:14:30

Guiana

  Caro AA,

   Este corredor caribenho que vc. comenta não seria o rodoviario existente, da BR-174 / BR - 401, com a ponte de Tacutu, entre RR e a Guyana, construido como parte do " Eixo do escudo Guiano" do IIRSA  ?( Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul Americana ) www.iirsa.org

    E AA, creio ser dificil negociar com o seu pessoal da CREGC e dos financiadores ( China Dev. Intl. and Invst. Bank ), a liderança de qualquer uma destas iniciativas, afinal pelas recentes experiências, tanto em Africa, América Latina e Asia, a ação destas empresas sempre está subordinada aos interesses chineses, até mesmo os projetos são feitos por eles, e executados, em parte, por empresas locais. Um Banco de desenvolvimento, não lhe abre uma linha de crédito para infraestrutura, maturação de longo prazo, visando não ter controle nas instancias descisórias em todo o decorrer do processo, não importa de onde venham, chineses, russos, americanos, europeus, " marcianos ".

     E com esta legislação ambiental complicada, sem prazo especifico definido, com varias instancias ( municipais, estaduais e federal ) que por uma simples "canetada" de um procurador, de um prefeito, de uma ONG, pode bloquear um projeto indefinidamente, com custos quase impossiveis de serem avaliados na inicial, qulaquer projeto de grande envergadura perde parametro, como ocorre atualmente com a ligação ferroviaria de Sorriso, a hidrovia Tocantins -Araguaia, as eclusas do Centro Oeste e Norte. Vc. sabe, já escreveu aqui, que tais processos, ainda mais quando envolvem a FUNAI, não tem data para acabar.

      P.S.: AA, bem que os trilhos da Pangang/Chengdu, importados pelo Brasil, poderiam ter um controle de qualidade em fabrica, bem mais efetivo, afinal ja deu até cadeia para um executivo da VALEC, investigação das pragas do TCU, e US$ 470 Milhões.

José RC MartinsJosé

- 2015-11-13 19:56:14

Imagens ilustrativas

Me senti um Homer Simpson com as imagens usadas para ilustrar a fala do lobista.

Afrânio

- 2015-11-13 16:13:08

Não brinca com chinês

Não brinca com chinês !!!.....

A idéia de gerenciamento chinês e a de colocar mão de obra chinesa na construção da ferrovia.

A China põe o dinheiro com uma mão e tira com as duas.

Quem vai ganhar o dinheiro vai ser o Evo Morales, que vai cobrar pedágio....

Essas negociações com a China,  hummmm, ..... não sei não !     Acho que é o começo da nossa submissão à China.

 

alfredo machado

- 2015-11-13 15:12:19

atraso estranho

André,

Estou certo de que praticamente ninguém está a par deste conjunto de intervenções.

Agora, permitir que a Bolívia Evo Morales e o Peru tenham se transformado nos atores principais é mais um bom exemplo da porraloquice que se instalou no Palácio do Planalto, tudo leva a crer que JECardozo não está sozinho, cadê Eduardo Braga, ministro de Minas e Energia, cadê o ministro de Comunicções, o de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o de Transportes, o MRE ? Certamente existem outros que deveiam estar cientes de todas estas possibilidades que estão na mesa. 

Andre Araujo

- 2015-11-13 15:07:15

Lapso meu, Iquique é no Chile

Lapso meu, Iquique é no Chile e não no Peru.

Athos

- 2015-11-13 13:24:35

Kkkk kkkkk Em que planeta
Kkkk kkkkk Em que planeta vc vive? O Brasil só pode comandar quando TIVER EMPREITEIRA para tocar a obra. Ninguém trabalha para outros. Não seja idiota o suficiente para achar que a ferrovia integra Oiapoque a São Paulo. O interesse é integrar o Pará a China tolinho. Temos que TER VANTAGEM! Qual nossa vantagem neste negócio? Vou colocar de outra maneira, tirando a Vale, quem mais ganha se não vamos integrar nem uma indústria?

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