Paulinho, o lobby dos empresários nas negociações com as centrais

Outro personagem que teve uma grande atuação na tentativa de inviabilizar a aprovação da MP dos Portos foi o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP). O deputado praticamente se infiltrou nas negociações feitas pelo relator Eduardo Braga (PMDB-AM) com as centrais sindicais, aproveitando-se do fato de ter sido presidente da Força Sindical, para semear a ideia de que as mudanças eram contrárias aos interesses dos trabalhadores, convencer a imprensa de que o acordo era impossível ou mesmo para transitar propostas de interesses dos empresários na mesa de negociações das centrais sindicais.

Segundo um dos participantes das reuniões que discutiam acordos com os trabalhadores, Paulinho, em várias ocasiões da negociação, conseguiu levar para Brasília de 200 a 500 trabalhadores, bancando despesas com aviões, estadia e alimentação, a um custo inacessível às demais centrais sindicais que são favoráveis a uma nova lei que regule o sistema portuário.

A ação de lobby em favor dos empresários do setor foi ostensiva dentro e fora do Congresso. Em uma das reuniões do relator com as centrais sindicais, depois de aprovados os 11 pontos de mudança na Medida Provisória pelas demais entidades de representação dos trabalhadores, Paulinho interrompeu a reunião com reivindicações próprias: “Eu tenho dois pontos para incluir nas negociações”, afirmou Paulinho – e tentou jogar para dentro da pauta dos sindicalistas a paridade de tarifa e a autonomia dos portos estaduais para fazer as próprias licitações, dois pontos de interesse direto dos empresários que operam hoje nos portos brasileiros e são beneficiados pela lei atual. O relator reagiu, dizendo que isso não fazia parte da pauta dos trabalhadores. “Mas indiretamente isso acaba atingindo os trabalhadores”, contra-argumentou o deputado. Os representantes da CUT e o próprio representante da Força Sindical o desautorizaram.

A atividade de lobby de Paulinho da Força chegou a atravessar a Praça dos Três Poderes. Em reunião das centrais sindicais com a presidenta Dilma Rousseff, no dia 6 de março, o deputado do PDT retomou o seu esforço de invalidar as negociações feitas pelas centrais. Insistiu, junto à Dilma, que a MP não interessava aos trabalhadores, mediante o argumento enviesado de que os portuários já trabalhavam em condições muito desfavoráveis no atual sistema. “Bom, Paulinho, é isso mesmo que estamos tentando mudar”, disse a presidenta, argumentando que a nova leia abria a possibilidade de negociação coletiva nos portos e rompia com a lógica do trabalho avulso, que remunera muito mal os trabalhadores. “Você está querendo manter a situação atual?”, perguntou Dilma, desarmando Paulinho.

A ação sistemática do deputado pelo PDT, nas reuniões das centrais sindicais com o relator da MP dos Portos, foi de tentar desautorizar um acordo. Sistematicamente, e após exaustivas rodadas para se chegar a um consenso entre os trabalhadores e o governo, Paulinho saía da reunião e comunicava à imprensa que o acordo “fez água”, o que acabava prevalecendo nas coberturas jornalísticas sobre as rodadas de conversas no gabinete de Braga.

Quando, enfim, o grupo concluiu a negociação em torno de 11 mudanças na MP, Eduardo Braga comunicou a imprensa sobre os termos do acordo por escrito e em papel timbrado, para não permitir que a versão de Paulinho – de que não haveria acordo, e portanto a MP estava inviabilizada – prevalecesse. Em determinado momento das conversas, o senador também passou a registrar em gravações as reuniões com as centrais. À insistências dos jornalistas para que confirmasse a versão de que as tentativas de acordo haviam falhado, dada por Paulinho logo após os encontros, aproveitando a aglomeração de jornalistas à porta do gabinete, Braga respondia: “Querem ouvir a gravação?”

Já o deputado Eduardo Cunha – que tem se destacado, junto com Paulinho da Força, no sentido de atrapalhar as pretensões do Governo em viabilizar a votação da Medida Provisória depois de tantas negociações –, além de ser um “tiro no pé” do Governo, dada a ficha corrida em sua trajetória política, sequer compareceu às reuniões da Comissão Mista que discutiu durante dois meses a questão. Fontes do Jornal GGN em Brasília apontam que, de todas as reuniões com empresários, trabalhadores, representantes sindicais e do próprio Governo, o parlamentar esteve em apenas duas.

Uma delas foi na ocasião da apresentação do relatório de Eduardo Braga, no dia 17 de abril, quando o teor do texto foi apenas lido na comissão, mas não discutido. Na ocasião, o relator acatou 137 sugestões das 645 apresentadas pelos parlamentares. E a outra foi justamente no dia 24 de abril, quando o relatório da MP, juntamente com as modificações, foram aprovadas pela comissão.

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3 comentários

  1. Este Paulinho fala como manda

    Este Paulinho fala como manda as loucas, não é nem um pouco trabalhador, não tem credibilidade, pra mim é um ninguém.

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