Cerca de 450 mil moradores de Rafah foram forçados a fugir da cidade desde 6 de maio, segundo a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA em inglês). Em sua conta do Twitter, a porta-voz da organização da ONU, Louise Wateridge, disse que Rafah agora é uma cidade fantasma, “é difícil acreditar que havia mais de 1 milhão de pessoas abrigadas aqui há apenas uma semana”. As famílias palestinas deslocadas estão tentando se refugiar em escombros de seus lares ou à beira mar, na cidade beduína de Al-Mawasi.
A cidade de pouco mais de 1km foi designada como “zona humanitária” pelo exército israelense desde o início da ofensiva militar. No entanto, Al-Mawasi foi alvo de bombardeios em zonas residenciais e a equipe médica da International Rescue Committee and Medical Aid for Palestinians e do Médicos sem Fronteiras foram atacados por tanques israelenses.
A expulsão massiva foi provocada pela intensificação dos bombardeios e artilharia israelenses contra a cidade, com tanques avançando pela parte oeste da cidade, rumo ao centro.
Morador relatou à agência de notícias EFE a presença de tanques israelenses na estrada de Salah Din e no bairro de Al-Jnina. Por sua vez, a Brigada Al-Qassam, ala militar do Hamas, declara ter abatido tanques de Israel na área.
Colonos ultra-direitistas interceptam ajuda humanitária à Gaza
Enquanto cerca de 100 caminhões da UNRWA estavam do lado egípcio da fronteira de Kerem Shalom com ajuda humanitária, o grupo de colonos Tzav 9 depredaram caminhões e roubaram doações na altura do posto de controle de Tarkamiya, próximo a Hebron, na Cisjordânia, nesta segunda-feira (13).
Os caminhões saqueados transportavam donativos da Jordânia e foram atacados por 100 membros da organização, resultado na prisão de quatro integrantes, incluindo um menor de idade.
A primeira ação do movimento ocorreu em 18 de janeiro, quando colonos acamparam por três dias na fronteira entre Israel e Gaza, diante da passagem de Kerem Shalom. A agrupação é formada por colonos israelenses da Cisjordânia, reservistas e familiares dos sequestrados em Gaza “ultrajados pelos comboios humanitários”.
Sobre o ataque em Tarkamiya, o porta-voz do Departamento de Estado Americano, Vedant Patel, declarou que “em nossa opinião, a ajuda não pode e não deve sofrer interferência. Levantamos esse incidente com o governo de Israel e esperamos que ele tome as medidas adequadas”.
Deixe um comentário