21 de maio de 2026

Avanço militar de Israel em Rafah desloca 450 mil palestinos

Palestinos buscam novos refúgios, enquanto a ajuda humanitária é interceptada por colonos israelenses ultra-direitistas
Em resposta à escalada da violência, famílias palestinas buscam refúgio em meio aos escombros enquanto a ajuda humanitária é interceptada por colonos.
Palestinos abrigados em Rafah buscam novo refúgio na praia e nos escombros de suas casas. Foto: Redes sociais/ UNRWA

Cerca de 450 mil moradores de Rafah foram forçados a fugir da cidade desde 6 de maio, segundo a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA em inglês). Em sua conta do Twitter, a porta-voz da organização da ONU, Louise Wateridge, disse que Rafah agora é uma cidade fantasma, “é difícil acreditar que havia mais de 1 milhão de pessoas abrigadas aqui há apenas uma semana”.  As famílias palestinas deslocadas estão tentando se refugiar em escombros de seus lares ou à beira mar, na cidade beduína de Al-Mawasi. 

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A cidade de pouco mais de 1km foi designada como “zona humanitária” pelo exército israelense desde o início da ofensiva militar. No entanto, Al-Mawasi foi alvo de bombardeios em zonas residenciais e a equipe médica da International Rescue Committee and Medical Aid for Palestinians e do Médicos sem Fronteiras foram atacados por tanques israelenses. 

A expulsão massiva foi provocada pela intensificação dos bombardeios e artilharia israelenses contra a cidade, com tanques avançando pela parte oeste da cidade, rumo ao centro. 

Morador relatou à agência de notícias EFE a presença de tanques israelenses na estrada de Salah Din e no bairro de Al-Jnina. Por sua vez, a Brigada Al-Qassam, ala militar do Hamas, declara ter abatido tanques de Israel na área. 

Colonos ultra-direitistas interceptam ajuda humanitária à Gaza 

Enquanto cerca de 100 caminhões da UNRWA estavam do lado egípcio da fronteira de Kerem Shalom com ajuda humanitária, o grupo de colonos Tzav 9 depredaram caminhões e roubaram doações na altura do posto de controle de Tarkamiya, próximo a Hebron, na Cisjordânia, nesta segunda-feira (13). 

Os caminhões saqueados transportavam donativos da Jordânia e foram atacados por 100 membros da organização, resultado na prisão de quatro integrantes, incluindo um menor de idade.

A primeira ação do movimento ocorreu em 18 de janeiro, quando colonos acamparam por três dias na fronteira entre Israel e Gaza, diante da passagem de Kerem Shalom. A agrupação é formada por colonos israelenses da Cisjordânia, reservistas e familiares dos sequestrados em Gaza “ultrajados pelos comboios humanitários”. 

Sobre o ataque em Tarkamiya, o porta-voz do Departamento de Estado Americano, Vedant Patel, declarou que “em nossa opinião, a ajuda não pode e não deve sofrer interferência. Levantamos esse incidente com o governo de Israel e esperamos que ele tome as medidas adequadas”. 

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Dolores Guerra

Dolores Guerra é formada em Letras pela USP, foi professora de idiomas e tradutora-intérprete entre Brasil e México por 10 anos, e atualmente transita de carreira, estudando Jornalismo em São Paulo. Colabora com veículos especializados em geopolítica, e é estagiária do Jornal GGN desde março de 2014.

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