4 de junho de 2026

Com a esquerda vitoriosa, direita uruguaia poderia ficar com o Sim do plebiscito

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Com a esquerda vitoriosa, direita uruguaia poderia ficar com o Sim do plebiscito

Por Maíra Vasconcelos

Talvez, conseguir o cadastro de imprensa para cobertura das eleições presidenciais tenha sido minha primeira preocupação, mas de repente ao chegar a Montevideo, descubro que também há aqui um Partido dos Trabalhadores (PT). Pergunta imediata: qual semelhança terá com o PT de centro-esquerda, que hoje é governo no Brasil? Os dois países vizinhos votam neste domingo, sendo que no caso do Brasil a população vai às urnas pelo segundo turno da disputada presidencial 2015-2019, e no Uruguai acontecerá amanhã o primeiro turno e está em jogo o mandato presidencial de 2015-2020. A presidência no Uruguai é de cinco e não há possibilidade legal de reeleição. 

Voltando ao PT do Uruguai, este não comunga com as propostas do PT do Brasil. Obtive a resposta, clara, no portal do PT-uy: “Não queremos reformar o capitalismo, queremos um governo de operários”, palavras de Andrea Revuelta, em discurso nas internas do partido, que mantém ativo o jornal “Em Defesa do Marxismo”. Continuo a ver sobre o Partido dos Trabalhadores, e averiguo que o PT-Uruguai é um “partido pequeno”, como costuma-se dizer no jargão político, pois não conta com nenhuma representação no Parlamento, enquanto o Partido Comunista-PC, segundo pesquisas de opinião, pode chegar a 15 ou 18 deputados, nas eleições de amanhã. 

Além de votar para presidente os uruguaios escolherão também senador, deputado e responderão ainda o plebiscito levantado pelos partidos de direita do país, de redução da maioridade penal para 16 anos. A expectativa é de que os resultados saiam ao meio-dia desta segunda-feira, 27 de outubro. 

Mas, ainda de olho nas últimas pesquisas de opinião, e entrando no terreno dos principais partidos que destoam pela disputa presidencial uruguaia: o Frente Amplio (FA), de centro-esquerda e partido do atual governo, poderá somar 45, 46 ou 48 representantes no Parlamento, segundo diferentes institutos de pesquisa; e o Partido Nacional (PN), da centro-direita, 33 ou 35 deputados.Porém o PN, somado ao Partido Colorado (PC), também de centro-direita, podem chegar a 48 ou 51 deputados, o que superaria o FA. A composição do Parlamento para o próximo governo é tema recorrente na imprensa uruguaia, nos últimos dias. As coligações e negociações entre partidos tomam importância crucial para possibilitar governabilidade ao próximo poder Executivo. Pois mesmo com a vantagem apresentada nas pesquisas por Tabaré Vázquez (FA), com 44%, sucessor de José Pepe Mujica 2010-2015, com vistas ao Parlamento a situação do partido deixa de ser confortável, como anteriormente, quando detinha maioria própria na casa legislativa. 

O segundo turno, marcado para 30 de novembro, é tido como certo entre Vázquez e Lacalle Pou (PN), este da centro-direita, que segundo as últimas pesquisas leva 32% dos votos. E o terceiro colocado, Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, e filho do ditador Juan María Bordaberry, usou em um dos seus discursos o nome de Aécio Neves (PSDB), como alusão ao fato de que ele também poderia chegar ao segundo turno, como aconteceu com Aécio, que antes figurava em terceiro e passou Marina Silva (PSB). No entanto, Bordaberry não tem mais do que esta esperança inabalável, que seguramente será derrotada. E tanto Lacalle como Bordaberry, mesmo que derrotados nas presidenciáveis, fazem campanha também pelo Sim no plebiscito pela redução da maioridade penal no Uruguai, e esperam ainda esta suposta vitória nas urnas deste domingo.

Agora, de posse do cadastro de imprensa, como jornalista independente, farei a cobertura do primeiro turno das eleições, amanhã, desde a sede do partido de governo, Frente Amplio, no centro de Montevideo.

Maira Vasconcelos

Maíra Mateus de Vasconcelos – jornalista, de Belo Horizonte, mora há anos em Buenos Aires. Publica matérias e artigos sobre política argentina no Jornal GGN, cobriu algumas eleições presidenciais na América Latina. Também escreve crônicas para o GGN. Tem uma plaqueta e dois livros de poesia publicados, sendo o último “Algumas ideias para filmes de terror” (editora 7Letras, 2022).

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