13 de junho de 2026

Como o avanço do anti-imigração ameaça o crescimento nas economias desenvolvidas

Em artigo, Kenneth Rogoff diz que políticas anti-imigração ampliam o envelhecimento da força de trabalho e ameaçam crescimento de longo prazo
Um oficial da patrulha de fronteira mexicana na praia de Tijuana, a poucos metros da fronteira com os EUA. Foto: Caio Guatelli/Fotos Publicas

Economias desenvolvidas enfrentam envelhecimento e falta de trabalhadores, enquanto políticas anti-imigração avançam.Países pobres terão 1 bilhão de jovens na força de trabalho, aumentando instabilidade e pressões migratórias.Políticas anti-imigração nos EUA, Europa e Reino Unido ameaçam crescimento e inovação, diz economista Rogoff.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O paradoxo tem sido um ponto presente nas economias desenvolvidas: em meio ao envelhecimento populacional, segmentos econômicos lutam para preencher vagas essenciais enquanto o discurso contra a imigração ganha força.

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Em artigo no Project Syndicate, o economista Kenneth Rogoff, professor de Harvard e ex-economista-chefe do FMI, destaca que a tensão entre as necessidades econômicas e as decisões políticas forma uma das maiores ameaças ao crescimento de longo prazo do mundo desenvolvido.

Estados Unidos, Reino Unido e grande parte da Europa lidam com forças de trabalho encolhendo e sistemas de bem-estar sobrecarregados, ao mesmo tempo em que governos e partidos políticos elevam a barreira contra imigrantes no momento em que a demanda por trabalhadores avança principalmente em setores que dependem de habilidades humanas impossíveis de serem automatizadas.

Um mundo com excesso de jovens e falta de trabalhadores

Enquanto isso, países de baixa renda, especialmente na África, verão mais de 600 milhões de jovens entrarem na força de trabalho nas próximas duas décadas. No mundo todo, esse número se aproxima de 1 bilhão.

Sem empregos suficientes, o resultado tende a ser mais instabilidade política, conflitos internos e pressões migratórias crescentes — amplificadas pelos impactos cada vez mais severos das mudanças climáticas.

Enquanto isso, economistas destacam que a imigração é uma das políticas mais eficazes e rápidas para compensar o envelhecimento populacional e impulsionar crescimento. Mas a realidade política vai na direção oposta.

A guinada anti-imigração nos EUA e no Reino Unido

Nos Estados Unidos, o endurecimento das políticas migratórias nos últimos anos tem provocado efeitos econômicos profundos. Rogoff destaca que a plataforma anti-imigração da administração Trump — combinada a ações de impacto midiático, como deportações em massa e restrições severas a vistos — provocou um ambiente de incerteza que afeta até mesmo a imigração legal.

Um dos grupos mais atingidos é o de estudantes internacionais, historicamente responsáveis por nutrir o ecossistema de inovação e pesquisa norte-americano. Quase metade das empresas da Fortune 500 foi fundada por imigrantes ou seus filhos — um dado que evidencia a importância dessa população para o dinamismo econômico do país.

Na Europa, a Alemanha ainda enfrenta a repercussão da decisão de Angela Merkel de acolher 1 milhão de refugiados sírios em 2015 — medida considerada moralmente corajosa, mas amplamente rejeitada por parte da população. No Reino Unido, o Brexit foi alimentado justamente pelo medo do aumento de imigrantes. Na Hungria, Viktor Orbán transformou sua cruzada anti-imigração no centro de sua identidade política.

O preço da desconexão

Novas pesquisas mostram que, no longo prazo, os custos das políticas anti-imigração podem superar até mesmo os efeitos das guerras comerciais recentes. Menos trabalhadores, menos inovação e menos produtividade significam menor crescimento, menor arrecadação e pressão crescente sobre sistemas de aposentadoria.

Enquanto isso, Rogoff afirma que as pressões migratórias globais vão aumentar — não diminuir — nos próximos anos, especialmente por causa do clima e da disparidade econômica entre países ricos e pobres, gerando um abismo cada vez maior entre a economia e as decisões políticas.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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