A relação controversa entre Jeffrey Epstein, falecido financista e predador sexual condenado, Jeffrey Epstein, e o atual presidente dos EUA Donald Trump, voltou ao centro do debate político após a divulgação, por um comitê do Congresso, de uma nova leva de mais de 20 mil páginas de e-mails e mensagens do círculo de Epstein.
O material não apenas confirma a proximidade prévia entre os dois, como revela uma obsessão contínua de Epstein por Trump, marcada por insultos e a perigosa insinuação de que ele possuía o poder para “derrubar” o ex-presidente.
A Ameaça Velada e a Contradição de Trump
A afirmação mais explosiva está em uma troca de mensagens de dezembro de 2018, em que Epstein, ao discutir as tentativas de seus interlocutores de atingir Trump, vangloria-se: “eu sou o único capaz de derrubá-lo”.
A mensagem, enviada meses antes de sua prisão em 2019, reforça a tese de que Epstein cultivava um arsenal de informações para sua própria sobrevivência ou influência.
As mensagens trazem à tona um contraste gritante com a narrativa pública de Trump, que sempre minimizou sua relação com Epstein. Em janeiro de 2019, Epstein escreveu sobre Mar-a-Lago: “claro que ele [Trump] sabia sobre as meninas, pois pediu a Ghislaine para parar”.
Esta afirmação choca-se diretamente com a versão de Trump, que alega ter cortado laços após Epstein “roubar” uma funcionária adolescente do clube.
Monitoramento e Táticas de Imagem
Os e-mails divulgados indicam que Epstein estava determinado a penetrar o véu de sigilo que cerca as finanças de Trump.
Em 2012, ele instigou seu advogado a investigar as finanças de Trump, mencionando a hipoteca de Mar-a-Lago e um empréstimo de US$ 30 milhões.
Anos depois, em junho de 2019, seu contador dedicou-se a examinar o formulário de divulgação financeira de Trump, identificando “nove descobertas interessantes” sobre dívidas e receitas. A finalidade desta intensa fiscalização privada permanece obscura.
O material também ilustra como a figura de Trump era vista como um ativo de manipulação midiática. Em 2016, o jornalista Michael Wolff, que mantinha uma relação com Epstein, sugeriu que ele usasse o então candidato presidencial para criar uma “contranarrativa” e desviar o foco das próprias acusações de Epstein, que seriam detalhadas no livro Filthy Rich. Pouco depois, Wolff recebeu de Epstein uma lista de perguntas “provocativas” para fazer a Trump, sobre falências e dívidas.
Apesar de se considerar um “tradutor” e “insider” de Trump, Epstein não poupava o então presidente de insultos em comunicações privadas, chamando-o de “dopey donald” e “quase insano” em 2018.
Contexto Político
A nova leva de e-mails, obtida por intimação do Congresso, instantaneamente insere a relação Trump-Epstein novamente no centro do embate político, dando novo fôlego aos ataques Democratas.
Por sua vez, Trump reagiu à divulgação nas mídias sociais, classificando a questão como uma “farsa de Jeffrey Epstein” usada pelos Democratas para “desviar de seus fracassos maciços”.
Apesar das novas revelações, parte da base de Trump permanece cética, acreditando que a “carga mãe” dos documentos mais incriminadores — incluindo arquivos de áudio e vídeo — permanece oculta nas mãos do FBI e do Departamento de Justiça, sendo liberada apenas em “pequenos lotes curados”.
José de Almeida Bispo
13 de novembro de 2025 5:52 pmPolíticos como o político Trump não se derruba; cai por si só. Se preparem para a reeleição, líquida e certa.