Le Monde: a força da imagem de Lula na foto emblemática

Lula é saudado por simpatizantes diante do Sindicato dos Metalúrgios de São Bernardo (7/4/18).Francisco Proner/Reuters

Sugerido por Jacson da Viola

Do RFI

 
Por Marcos Lúcio Fernandes
 

O jornal francês Le Monde publicou nesta sexta-feira (13) uma análise da fotografia de Lula no meio do povo pouco antes de se render à polícia, que já se tornou célebre, feita pelo jovem Francisco Proner, de apenas 18 anos. De acordo com a jornalista Marion Dupont, a disputa em torno dessa imagem no Brasil é de natureza simbólica.

“Um homem que parece ter emergido da multidão, sendo carregado por diversos braços, e sendo engolido pelo povo (…) O vermelho do Partido dos Trabalhadores, dividido em um belo equilíbrio cromático, guia o olhar do espectador”. Essa é a descrição feita pelo Monde, abaixo da fotografia de Lula que ocupa quase uma página inteira na versão impressa e que é a atual foto de capa do veículo de imprensa no Facebook.

Numa análise que leva em conta a força social do registro nesse momento de intensa crise política no Brasil, o diário questiona a escolha de parte da imprensa brasileira de publicar outras fotos de capa no lugar da emblemática imagem. Decisão econômica, analisa Le Monde, pensando no custo menor das outras opções, mas sobretudo editorial e política.

“A fotografia não apareceu nas capas dos jornais brasileiros, recebendo um lugar discreto no meio das páginas. Foi nas redes sociais que ela encontrou sua glória, mas também no New York Times de 8 de abril”, diz Marion Dupont.

Leia também:  Moro pode ser responsabilizado por vazar conversa de Lula e Dilma em 2016

Os vários “Lulas” do Brasil

O momento da prisão do ex-presidente é, para Le Monde, motivo de uma guerra simbólica: de um lado, os que querem vê-lo preso, como o juiz Sérgio Moro, e do outro, os que ainda permanecem ao seu lado. Uns preferem uma foto de Lula atrás das grades, outros se reconfortaram com o registro de Francisco Proner.

“Esse momento é extremamente significativo e foi orquestrado pelo próprio Lula, que negociou com a polícia as condições de sua prisão: ela ocorreu em São Bernardo do Campo, diante da sede do Sindicato dos Metalúrgicos”, afirma o jornal.

Para Le Monde, a força da imagem reside no fato de que ela abre as portas para diversos tipos de leitura. “Podemos, é claro, ver essa foto como uma evocação do triunfo antigo, com a multidão colorida, quase carnavalesca (…). Mas esse registro também lembra um enterro espalhafatoso, como os que são reservados a um mártir na sociedade muçulmana, por exemplo”, analisa o cientista político Nicolas Mariot.

 

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6 comentários

  1. A cortina de ferro (da míRdia brasileira) é aqui! E é “liberal”!

    A nomenclatura para a antiga URSS ,atribuída a Churchill, cabe muito bem aqui, conforme “Churchills” braZileiros como Ricupero e ACM ,que sabem muito bem o que é mostrar (“faturar”®) o que é favorável e esconder o contrário (para eles).

    E neste balanço mostra/esconde, exalta/denigre, as sobras que não dão pra esconder, manipulam-se.

    E assim, temos um país predito por Pulitzer: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.

    Predito e feito…

  2. A cortina de ferro (da míRdia braZileira) é aqui! E é “liberal”!

    A nomenclatura para a antiga URSS ,atribuída a Churchill, cabe muito bem aqui, conforme “Churchills” braZileiros como Ricupero e ACM ,que sabem muito bem o que é mostrar (“faturar”®) o que é favorável e esconder o contrário (para eles).

    E neste balanço mostra/esconde, exalta/denigre, as sobras que não dão pra esconder, manipulam-se.

    E assim, temos um país predito por Pulitzer: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.

    Predito e feito…

  3. Mariot do Le Monde e o eurocentrismo.

    Associar a foto a um enterro  de um mártir muçulmano é dar asas à idéia de um povo movido por uma religião e não um povo movido políticamente e movido contra uma injustiça.  Isto povoa os preconceitos eurocentricas . Não contente com isto deu a outra visão da foto como parecendo um carnaval.

    De uma só vez este europeu chamou uma manifestação política do povo brasileiro ou de carnaval ou fanatismo por uma liderança. Esta também foi a manchete da Isto é. Chamam isto ainda de orquestração de Lula. Definitivamente a sucursal do Le Monde no Brasil ou não esclarece os fatos para a matriz ou também se mudou para a Avenida Foch

    Aviso ao Le Monde não foi no terceiro mundo que ocorreu o fenômeno do nazismo do fascismo com forte adesão em todos os países, inclusive a França.

    • A França finge ser uma Suécia
      A França finge ser uma Suécia mas está mais para Brasil. Macron está lá posando de novo Napoleao bombardeando a Siria. Poodle dos EUA.

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