Líderes globais estão em choque após massacre promovido por Israel

Ataques aéreos que incendiaram tendas de refugiados e mataram 45 pessoas; nas últimas 48 horas, palestinos sofreram 60 ofensivas

Crédito: Ali Jadallah/Anadolu Agency/Getty Images

O governo de Israel enfrenta uma onda de protestos globais nesta segunda-feira (27), após ataque que incendiou tendas em Rafah, na zona sul da Faixa de Gaza, onde se concentram os refugiados. A ofensiva vitimou mais 45 pessoas e deixou líderes globais em choque, até porque a Corte Internacional de Justiça de Haia determinou cessar-fogo imediato dias antes. Mesmo assim, os tropas de do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu promoveram 60 ataques em 48 horas.

Em resposta, o exército israelense alegou que o ataque de domingo à noite foi uma tentativa de eliminar dirigentes do Hamas, depois de um ataque de foguetes contra a capital israelense Tel Aviv. Os militares afirmaram ainda que a ofensiva matou Yassin Rabia e Khaled Nagar, ambos altos funcionários do Hamas na Cisjordânia ocupada.

As justificativas, no entanto, não convenceram a comunidade internacional. Muitos países árabes classificaram a iniciativa como um massacre. 

Repercussão

O Egito deplorou o “alvo de civis indefesos” e classificou-o como parte de “uma política sistemática que visa alargar o âmbito da morte e da destruição na Faixa de Gaza para torná-la inabitável”.

A Jordânia acusou Israel de “crimes de guerra contínuos” e a Arábia Saudita condenou “nos termos mais veementes os contínuos massacres cometidos pelas forças de ocupação israelenses”.

O Catar condenou o bombardeio israelense como uma “violação perigosa do direito internacional” e expressou “preocupação de que o bombardeio complicará os esforços de mediação em curso e impedirá a obtenção de um acordo para um cessar-fogo imediato e permanente”.

O presidente da União Africana, Moussa Faki Mahamat, também condenou o ataque a X, dizendo: “Israel continua a violar o direito internacional com impunidade e em desacato a uma decisão do TIJ há dois dias que ordenou o fim da sua acção militar em Rafah.”

Presidente francês, Emmanuel Macron escreveu no X que as operações devem parar. “Não há áreas seguras em Rafah para civis palestinos. Apelo ao total respeito pelo direito internacional e a um cessar-fogo imediato”.

O chefe de política externa da União Europeia, Josep Borrell, disse estar “horrorizado com as notícias vindas de Rafah sobre os ataques israelenses que mataram dezenas de pessoas deslocadas, incluindo crianças pequenas. Condeno isso nos termos mais veementes”.

Cenas de horror

A agência de defesa civil de Gaza disse que o ataque desencadeou um incêndio que destruiu um centro de deslocados no noroeste de Rafah, perto de uma instalação da agência da ONU para os palestinos, UNRWA.

“Vimos corpos carbonizados e membros desmembrados. Também vimos casos de amputações, crianças, mulheres e idosos feridos”, disse Mohammad al-Mughayyir, funcionário da agência.

“Tínhamos acabado de terminar as orações noturnas”, lembrou uma sobrevivente, uma mulher que não quis ser identificada. “Nossos filhos estavam dormindo. De repente ouvimos um som alto e havia fogo ao nosso redor. As crianças estavam gritando.”

Em uma Gaza já destruída, a população continua sofrendo com a restrição de mantimentos e remédios para atender, minimamente, os palestinos. Há escassez de combustível para a atuação da defesa civil e falta água para apagar os incêndios. 

A ofensiva retaliatória de Israel matou pelo menos 36.050 pessoas em Gaza, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do território administrado pelo Hamas.

*Com informações do RFI.

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Camila Bezerra

Jornalista

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