Aldo Fornazieri
Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política.
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Pelo rompimento de relações com o Estado de Israel, por Aldo Fornazieri

Israel não tem o direito de invocar a memória dos os judeus massacrados no holocausto para promover um holocausto contra os palestinos.

Flickr – ONU

Pelo rompimento de relações com o Estado de Israel

por Aldo Fornazieri

O governo brasileiro precisa romper imediatamente relações diplomáticas com o Estado terrorista e genocida de Israel. Precisamos exigir isso do governo brasileiro. Trata-se de uma demanda moral e de decência e dignidade humana. Ou exigimos isso ou seremos omissos.

 Os governos não podem mais ficar passivos e com atitudes declaratórias diante do massacre brutal que Israel vem promovendo contra crianças, mulheres e a população inocente de Gaza.

Depois de deslocar mais de um milhão de palestinos para a cidade de Rafah, nos últimos dias Israel vem bombardeando e dizimando as pessoas, espalhando o terror e o pavor, semeando os campos de refugiados de corpos despedaçados. Já são 36 mil assassinados, dentre eles 14.100 crianças e 9.200 mulheres. Não há nenhum sentido e nenhuma dignidade nisso. Só há covardia e desumanidade.

Trata-se de uma guerra de vingança e de uma guerra de extermínio. Israel tem o direito de se defender dos ataques terroristas do Hamas. Mas esse direito não pode significar a punição cruel de toda a população de Gaza. Não pode significar a destruição das cidades, o deslocamento das pessoas, o despedaçamento de corpos  de inocentes, a morte pela fome e pela sede.

Israel vem cometendo uma sucessão de crimes e brutalidades contra os palestinos comparáveis aos que os nazistas infringiram aos judeus. Israel não tem o direito de invocar o massacre dos judeus pelos nazistas para lavar os crimes horrendos que vem cometendo contra os palestinos. Israel não tem o direito de invocar a memória dos os judeus massacrados no holocausto para promover um holocausto contra os palestinos. Israel não tem o direito de invocar a memória dos judeus que morreram nos campos de concentração para lavar o sangue das crianças palestinas, massacradas, despedaçadas e amputadas. Fazer essas invocações consiste em praticar um crime imperdoável contra a memória e o sacrifício dos judeus que morreram sob o nazismo.

As bombas de Israel não sufocarão os gritos das crianças palestinas com corpos dilacerados e queimados. Não sufocarão os gritos de crianças que têm braços e pernas amputados sem anestesia. As bombas de Israel não sufocarão o grito das crianças que veem suas mães despedaçadas e os gritos das mães que veem seus filhos reduzidos a uma massa informe de carne e sangue.

Os gritos dilacerantes das crianças, das mulheres e os palestinos inocentes ecoarão para sempre nos ouvidos das futuras gerações de judeus para lembrar-lhe que tiveram um governo criminoso, assassino, terrorista e genocida. Esses gritos de dor ecoarão sempre, por todo o futuro, bem mais alto do que as bombas de Israel.

A humanidade nunca poderá esquecer o que os nazistas fizeram aos judeus. Mas também nunca poderá esquecer o que o /Estado de Israel está fazendo aos palestinos. São duas histórias de infâmia, de impiedade, de brutalidade, de crueldade sem limites.

Boa parte do povo alemão foi cúmplice dos crimes dos nazistas. Os judeus precisam se perguntar, hoje, se são cúmplices de um governo assassino. É certo que parte do povo judeu exige um cessar fogo, o fim da guerra, a libertação dos reféns pelo Hamas e o fim do massacre de palestinos. Mas parte dos judeus ainda apoia os crimes e massacres planejados pelo governo.

O Estado e o governo de Israel são fora da lei. Violam sistematicamente o direito e as leis internacionais. Pisoteiam as resoluções da ONU. Cometem crimes de guerra em série. Os membros da cúpula civil e militar do governo israelense precisam ser presos, levados aos tribunais e condenados por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Esses líderes merecem o seu Tribunal de Nuremberg.

A continuada brutalidade sem limites que Israel vem praticando exige que se passe das declarações condenatórias aos atos. Permanecer no declaratório representa, hoje, uma omissão diante da desumanidade de Israel.

Lula teve a coragem de proferir uma dura condenação ao governo israelense. Mas agora, a virtude da coragem exige que Lula dê um passo adiante. Exige que Lula rompa imediatamente as relações diplomáticas com o Estado de Israel. Exige que o governo brasileiro suspenda imediatamente a importação de armas e de componentes e equipamentos militares de Israel. Exige que o Brasil deixe de exportar qualquer componente que possa ser usado pela indústria militar de Israel.

A Bolívia e a Colômbia, nossos vizinhos, já romperam relações diplomáticas com Israel por considerar que o seu governo é genocida. Se o Brasil quiser exercer uma relação de liderança junto aos seus vizinhos, precisa adotar a mesma atitude que Bolívia e Colômbia adotaram.

Mas, acima de tudo, o governo brasileiro precisa romper as relações diplomáticas para mostrar que não compactua com os massacres dos inocentes de Gaza. O governo deveria liderar uma campanha internacional pelo rompimento das relações diplomáticas com Israel, pois se trata de um Estado bandido, de um Estado fora da lei.

Cabe a nós, cidadãos indignados com os crimes de guerra do governo e do exército israelitas, exigir que o governo brasileiro rompa as relações diplomáticas com o Estado judeu. Os nossos sentimentos de piedade e de compaixão nos obrigam a exigir do governo brasileiro que adote esta medida necessária.

Precisamos nos unir aos israelitas que querem o fim da guerra e a queda do governo criminoso de Netanyahu. Precisamos nos unir aos milhares de estudantes das universidades norte-americanas que ocuparam as instalações, enfrentaram a polícia, pelo fim da guerra e em favor dos palestinos. Precisamos nos unir aos palestinos para que eles tenham o seu Estado livre e independente, seguro contra as agressões intermináveis que vêm sofrendo do Estado sionista de Israel.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política e autor de Liderança e Poder.

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Aldo Fornazieri

Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política.

5 Comentários

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  1. Mas, o que é Humanidade? Existe isso? Existe uma consciência coletiva superior, uma convicção moral que não admita as loucuras e os crimes das nacionalidades, e que se revolte diante de crimes como esses que o atual governo de Israel está cometendo? Gostaria de acreditar nisso; mas só o que vejo operante no ser humano é o interesse, que desconhece sutilezas, como a moral, ou a consciência, individual ou coletiva. Os interesses e conveniências de ingleses e franceses os fez fazer vista grossa à ascensão de Hitler, já que pretendiam usar a Alemanha como uma arma contra o verdadeiro demônio, que estava mais à leste; os interesses e conveniências dos americanos os fizeram preservar as estruturas essenciais do Estado alemão e seu parque industrial, pelos mesmos motivos, mesmo com o ônus de fazer, igualmente, vista grossa, aos nazistas de carteirinha e de ocasião que tiveram que ser tolerados e mantidos em seus postos. Não creio que a política para a Palestina do atual governo de Israel seja, apenas, comparável à dos nazistas para os judeus; é a mesma coisa, se não for pior, pois os judeus de posses foram poupados, e seus bens e ativos reais incorporados ao estado alemão (e para bolsos particulares, também); já o único bem e ativo dos palestinos são as supostas reservas de gás e petróleo contidas naquele exíguo território. E são justamente esses patrimônios naturais que farão com que, no futuro, autoridades israelenses, ora participantes ou omissos diante dos atuais acontecimentos, sejam tratados como aliados e peões valiosos para a geopolítica americana no Oriente Médio. Tudo o mais estará esquecido e varrido para baixo do tapete, em nome do interesse americano e de seu apêndice europeu. Quanto à violência e barbaridade da ação israelense, não há porque o espanto: basta ler Josué, 6,21.

  2. “(…)

    The First World War, Boys, it came and it went
    The reason for fightin’ I never did get
    But I learned to accept it, accept it with pride
    FOR YOU DON’T COUNT THE DEAD WHEN GOD’S ON YOUR SIDE

    The Second World War came to an end
    We forgave the Germans, and then we were friends
    Though they murdered six million, in the ovens they fried
    The Germans now too have God on their side

    I learned to hate the Russians all through my whole life
    If another war comes, it’s them we must fight
    To hate them and fear them, to run and to hide
    And accept it all bravely with God on my side

    But now we’ve got weapons of chemical dust
    If fire them we’re forced to, then fire them we must
    One push of the button and they shot the world wide
    And you never ask questions when God’s on your side

    Through many dark hour I been thinkin’ about this
    That Jesus Christ was betrayed by a kiss
    But I can’t think for you, you’ll have to decide
    Whether Judas Iscariot had God on his side

    So now as I’m leavin’, I’m weary as hell
    The confusion I’m feelin’ ain’t no tongue can tell
    The words fill my head, and they fall to the floor
    That if God’s on our side, he’ll stop the next war”.

    Bob Dylan, With God on our side

  3. Discordo. A ruptura de relações diplomáticas só faz sentido quando é acompanhada de retaliações comerciais capazes de abalar a economia do país cuja representação diplomática é expulsa do Brasil. Consoante os dados de 2023, a participação de Israel nas exportações do Brasil alcançou 0,2%, atingindo 0,6% nas importações. Israel é irrelevante para o Brasil, assim como o Brasil é irrelevante para Tel Aviv. Então o melhor é o Itamaraty deixar o embaixador israelense vomitando ódio sozinho na imprensa e seguir defendendo uma posição coerente na arena internacional. Nenhum país tem o direito de cometer genocídio. E essa regra obviamente também se aplica ao governo e aos militares daquela inferno celestial sionista defendido de maneira acrítica pelos governantes americanos e europeus.

    1. Israel semeia ódio, horror de pensar o que vai colher e mais ainda o que fará na colheita. Perdem dia após dia (se é que se importam) o que havia de resto de solidariedade que um dia tiveram.

  4. Israel transformou a Palestina num Campo de Extermínio. Que o Monstro Netanyahu e seus apoiadores encontrem o mesmo fim dos Monstros Nazistas!

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