6 de outubro de 2026

Mais de 250 mil estudantes franceses reivindicam melhorias no ensino

Apesar de condenar a violência, primeiro-ministro determinou que os ministros apresentem, até o fim do mês, propostas para atender às principais reivindicações dos estudantes
Crédito: Reprodução/ Youtube

Cerca de 256 mil estudantes protestam na França contra condições precárias e jornada escolar longa, com confrontos em várias cidades.
Mais de 6.100 pessoas foram detidas, incluindo 1.483 adolescentes, e centenas ficaram feridas nos atos desde o início dos protestos.
Governo francês condena violência e promete propostas até o fim do mês para reformas em escolas e melhorias na jornada escolar.

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O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, condenou nesta terça-feira (6) os episódios de violência registrados durante os protestos estudantis que se espalharam pelo país. Cerca de 256 mil pessoas participam das manifestações, segundo as autoridades, no maior dia de mobilização desde o início dos atos, em setembro.

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Em discurso no Parlamento, Lecornu afirmou que não haverá tolerância para atos violentos e criticou episódios de vandalismo. Segundo o primeiro-ministro, depredações e ataques não contribuem para resolver os problemas apontados pelos estudantes, que denunciam a precariedade da infraestrutura das escolas, jornadas excessivamente longas e a falta de professores.

As manifestações começaram na região de Paris e se espalharam para outras cidades. Em Marselha, Nantes e Lyon, os atos tiveram início de forma pacífica. Já em cidades como Estrasburgo, Lyon e Rennes, houve confrontos entre estudantes e policiais, com uso de gás lacrimogêneo, incêndios e lançamento de objetos contra as forças de segurança. Uma grande manifestação está prevista para ocorrer em Paris nesta tarde.

Segundo a União dos Estudantes do Ensino Médio, cerca de 1.800 escolas estão bloqueadas ou terão as atividades suspensas nesta terça-feira.

Apesar de condenar a violência, Lecornu determinou que os ministros apresentem, até o fim do mês, propostas para atender às principais reivindicações dos estudantes. Entre as medidas em discussão estão reformas em prédios escolares antigos, a substituição de professores ausentes, a revisão da jornada escolar, atualmente prevista das 8h às 18h, e a ampliação do intervalo para almoço.

Prisões e confrontos

Os protestos já provocaram milhares de prisões e deixaram centenas de feridos. De acordo com o Ministério do Interior francês, 6.100 pessoas foram detidas desde o início das manifestações, a maioria menores de idade. Mais de 1.800 pessoas são alvo de processos judiciais, entre elas 1.483 adolescentes, segundo o Ministério da Justiça.

Pelo menos 715 policiais e 215 adolescentes ficaram feridos nos confrontos, conforme dados do gabinete do primeiro-ministro.

No fim de semana, o chefe da polícia de Paris afirmou que os protestos na capital estavam “fora de controle”. Na segunda-feira (5), um estudante de 15 anos perdeu a mão após a explosão de uma granada de efeito moral durante uma manifestação em Lens, no norte do país. Segundo uma fonte ligada ao sindicato dos policiais, o adolescente teria recolhido o artefato e tentado lançá-lo de volta contra os agentes.

Os protestos começaram há cerca de duas semanas e ganharam força a partir da periferia de Paris. Os estudantes reclamam das condições das salas de aula, incluindo temperaturas elevadas durante o verão, da ausência frequente de professores e da duração considerada excessiva da jornada escolar.

A onda de manifestações também aumentou a pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron. O chefe de Estado reconhece a legitimidade das reivindicações dos estudantes, mas condena os episódios de violência registrados durante os atos.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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