5 de junho de 2026

No Le Monde: Cacique Raoni denuncia Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional

O cacique Indígena Raoni Metuktire informou representantes das 14 aldeias Kayapó e Trumai sobre a denúncia contra o presidente brasileiro por crimes contra a humanidade

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Manchete hoje no jornal Le Monde: Cacique Raoni denuncia Bolsonaro por crime contra a humanidade

 

Cacique Raoni: “Bolsonaro sempre incitou à violência contra nós”

Do Le Monde

O cacique Indígena Raoni Metuktire reuniu representantes das 14 aldeias Kayapó e Trumai para informá-los sobre sua denúncia no TPI contra o presidente brasileiro por crimes contra a humanidade.

Por

Cacique indígena Raoni em 21 de abril de 2019 em São José do Xingu (Mato Grosso, Brasil).
Cacique indígena Raoni em 21 de abril de 2019 em São José do Xingu (Mato Grosso, Brasil) – Foto: AVENER PRADO

O passo é mais lento, o gesto mais medido e o cansaço é certo: com mais de 90 anos, o cacique Raoni Metuktire recupera-se com dificuldade do Covid que contraiu no final de agosto de 2020, e da morte da esposa no dia 23 de junho. Depois de passar seis meses em Colider, município do Mato Grosso, estado do centro-oeste do Brasil, ele decidiu voltar para sua aldeia, Metuktire, no início de janeiro, onde nos recebeu. O objetivo da viagem era informar sua família de mais uma luta que travou. Como na década de 1990, quando lutou para delimitar os territórios Kayapó, como uma década depois, quando se opôs à barragem de Belo Monte, no meio da Amazônia, Raoni agora está procurando ajuda internacional novamente.

Desta vez, o cacique indígena embarca em uma aventura jurídica sem precedentes, ousada e arriscada: denunciar Jair Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional – a denúncia foi apresentada na sexta-feira, dia 22 de janeiro, em Haia. Ele sabe que isso só pode provocar a fúria dos que apoiam o presidente, latifundiários e garimpeiros à frente, todos próximos aos territórios Kayapó. Mas repete que não tem escolha: “Bolsonaro sempre incitou à violência contra nós, não posso aceitar a forma como ele nos trata.”

Raoni lembra de seus encontros com todos os chefes de estado desde o fim da ditadura militar (1964-1985). Algumas conversas foram tensas, principalmente com os ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff, que deram sinal verde para a construção de Belo Monte no rio Xingu. “Mas o diálogo sempre foi mantido”, acrescenta o dirigente. Apenas Michel Temer e Jair Bolsonaro nunca o receberam. Os dois presidentes, apoiados pela chamada bancada parlamentar “ruralista”, que defende os interesses do agronegócio, estão na origem de ataques históricos aos direitos dos indígenas, mesmo que consagrados na Constituição.

Com o Bolsonaro, há também uma demonstração repetitiva de racismo e desprezo aos direitos. Em pequena demonstração:“Cada vez mais o índio está se tornando um ser humano como nós”, foi uma de suas falas, em janeiro de 2020, ou em novembro de 2020: “Há desmatamento ilegal? Sim, há índios que trocam o tronco de uma árvore por uma cerveja.”

Continue a leitura no Le Monde.

 

 

Redação

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