11 de junho de 2026

‘Normalizamos o horror’, diz funcionário de agência da ONU

Sucessivos ataques de Israel começam a se tornar normalizados no Ocidente e a gerar um sentimento de ‘fatalismo’ dentro de Gaza
Foto: IRNA - via fotospublicas.com

Os sucessivos ataques cometidos pela ofensiva militar de Israel começaram a ser normalizados pelo Ocidente, e até mesmo a gerar um sentimento de ‘fatalismo’ entre os palestinos na região da Faixa de Gaza, segundo Sam Rose, diretor de planejamento da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).

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A fala de Rose foi feita após o bombardeio israelense a uma escola mantida pela UNRWA em Nuseirat na madrugada da última quinta-feira, deixando pelo menos 33 mortos, incluindo 12 mulheres e crianças.

“Havia cerca de 6.000 pessoas abrigadas naquela escola”, disse Rose, segundo o jornal britânico The Guardian. “Existem regras de guerra que apelamos pela adesão de todos os lados do conflito: para proteger a inviolabilidade das nossas instalações. Existem também princípios de distinção e de proporcionalidade”.

O diretor da UNRWA destaca que as ações israelenses contra os palestinos foram vistas tantas vezes a ponto de serem quase normalizadas tanto no Ocidente como na própria região de Gaza.

“Em conflitos anteriores, incidentes únicos como este causariam choque e indignação e seriam lembrados para sempre. Embora pareça que, neste conflito, um ataque seja substituído por outro dentro de alguns dias, a menos que tudo chegue ao fim. Então, se torna quase que mundano que essas coisas ocorram. Normalizamos o horror”.

A agência das Nações Unidas possui cerca de 300 escolas em Gaza, mas nenhuma delas está em funcionamento desde os ataques israelenses de 07 de outubro.

Grande parte delas se transformou em centros de refugiados, sendo uma alternativa por conta da oferta de painéis solares e usinas de dessalinização, o que permite a obtenção de água extra.

Os ataques israelenses também levaram à evacuação da população de Rafah: as estimativas mostram que apenas 100 mil pessoas estão na região, ante uma população pré-guerra de 270 mil. Em determinados momentos, a região chegou a abrigar 1,4 milhão de refugiados.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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