5 de junho de 2026

Para The Economist, críticas do Financial Times a Piketty não se sustentam

Do O Globo

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Blog da revista reconhece que há falhas, mas que elas não comprometem as conclusões do autor, que ‘merece o benefício da dúvida’

LONDRES – Após o jornal britânico “Financial Times” pôr em xeque a pesquisa feita pelo economista francês Thomas Piketty no best-seller “O capital no século XXI”, alegando que alguns dados estão errados, o blog Free Exchange da revista inglesa “The Economist” afirma que a análise do editor de Economia do diário, Chris Giles, parece não se sustentar.

De acordo com o blog, há quatro questões fundamentais levantadas pelo “FT” que precisam ser esclarecidas: “primeiro, qual informação está errada? Segundo, como os erros no trabalho, se são erros, foram apresentados? Terceiro, como esses erros afetam pontos específicos em capítulos relevantes? E quarto, como os erros afetam as conclusões fundamentais do livro”.

O blog da “Economist” lembra que os dados usados por Piketty são fruto da base de dados criada por ele e outros economistas após décadas de estudo, a World Top Income Database, e que ela não parece estar em xeque, já que Giles se concentra na desigualdade de renda citada no capítulo 10 do livro. E destaca que grande parte da análise desse capítulo foi feita especificamente para o livro, com base em pesquisas de outros estudiosos. Além disso, o blog afirma que a análise do francês sobre desigualdade é um dos componentes do argumento do livro, mas não é correto dizer, como Giles faz, que os resultados do capítulo 10 são o “tema central” do livro.

Publicação diz que não é fácil identificar se dados estão de fato errados

O blog Free Exchange da revista “The Economist” diz que não é fácil afirmar se estão errados os dados usados no livro do francês Thomas Piketty, como fez o editor de Economia do “FT”, Chris Giles. E diz que o autor merece o benefício da dúvida.

“Não é fácil identificar se os dados estão de fato errados. Há alguns casos em que parece ter havido um erro de transcrição, pegando os dados de uma linha em vez de outra, mas não há certeza. Giles afirma que os dados do livro são muitas vezes vagos e raramente perfeitamente comparáveis; qualquer análise exigiria ajustes para esses dados. Mas, como o economista Justin Wolfers escreve no ‘New York Times’, ‘ainda não está claro se a causa são erros óbvios, como aponta o jornal, ou de julgamento, onde talvez o economista profissional merece o benefício da dúvida’.”

Em relação a como Piketty chegou a esses erros, o blog diz que, como alguns dos dados não têm documentação, Giles não tem evidências para justificar que “alguns números parecem ter sido construídos ao vento.” E diz que “manipulação ou criação de dados é uma acusação muito séria”.

O terceiro ponto, sobre mudança no resultado, o blog considera que não é óbvio que Piketty tenha cometido um erro gritante. Além disso, lembra que é um desafio entender o que pode ter acontecido sem mais explicações do francês. Em relação a quarta e última questão, sobre se as conclusões do livro são afetadas, o blog diz que as conclusões de Giles não dão uma resposta final.

O blog diferencia o debate acadêmico de um julgamento de opinião pública, elogia a disponibilidade dos dados do autor on-line, mas mostra os riscos dessa decisão. Também ressalta a perspicácia de Giles e as boas vendas geradas para o “FT”. E finaliza dizendo que “com o tempo, ficará claro se Piketty é um profeta dos cálculos ou outra coisa”.

 

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6 Comentários
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  1. Lionel Rupaud

    25 de maio de 2014 1:22 pm

    O livro do Piketti vai virar a Geni

    do establishment financeiro, e isso não tem  nada a ver com os erros ou omissões deste, mas com o potencial político dele que é quebrar a hegemonia do “discurso único” que transformou a grande imprensa ocidental numa versão modernizada da Pravda.

    1. Alexandre Weber - Santos -SP

      25 de maio de 2014 2:13 pm

      Discurso único

      Ponto para a The Economist, que mais uma vez mostra imparcialidade nos seus comentários. Afinal, são números que podem ser checados e as contas refeitas.

      Já a desigualdade é patente a olhos vistos. Mensurá-la, indentificar suas causas e quem as provocou é outra história.

      A mídia realmente está no ocidente como as imprensas de regimes autoritários que não admitem dissidências, nem contra-argumentos, ou seja, desistiram de defender o indefensável e apelam para a força.

      1. Motta Araujo

        25 de maio de 2014 6:39 pm

        Quem é que está apelando para

        Quem é que está apelando para força? Mandaram fechar o Financial Times? Trata-se apenas de um debate, qual o problema?

        A desigualdade é inerente ao sistema capitalista, aliás tambem  no sistema comunista ou vc acha que Fidel mora em cortiço, como a maioria dos cubanos?

  2. Motta Araujo

    25 de maio de 2014 1:28 pm

    Tanto o discurso não é unico

    Tanto o discurso não é unico que duas publicações DO MESMO GRUPO tem cada uma ofipinião diferente sobre o livro.

    NOs EUA há cinco redes de TV com linha ideologica para todos os espectros da opinião publica, desde neocon (FOX) até

    anti-estblishment militar-diplomatico (CNN).

  3. alfredo machado

    25 de maio de 2014 1:30 pm

    Escolha

    Nassif,

    Ao lado de Thoma Picketti, Paul Krugman, um “idiota” que ganhou o Nobel de Economia, contra o economista francês, FTimes, o jornal da banca, agora é só escolher.

    O FTimes parece demonstrar a preocupação de seus queridos da City, e motivos não faltam para a aflição. 

  4. Lucinei

    25 de maio de 2014 7:46 pm

    “Salve-se quem puder” nos

    “Salve-se quem puder” nos aparelhos ideológicos do capital. A economist está defendendo o seu banco de dados.

    Vão ficar soltando veneninho de todo jeito sobre o livro. Vão procurar vírgula errada e tudo mais.

    Ora, a obra parece estar usando séries temporais bem longas; ficar criticando se um ou outro dado é impreciso mostra mais desespero para desqualificar do que capacidade de contra-argumentar.

    Querem é “negar” que a desigualdade está no dna do sistema; que pro sistema funcionar bem – sempre de acordo com a imaginação deles – as pessoas tem que viver mal. Depois é só fazer como aquela personagem de Berta Loran e dizer: “a culpa é do governo”.

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